Novo PAC: prazo para envio de projetos se encerra em 10 de novembro

São R$ 136 bilhões reservados para obras em diversas áreas pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

Novo PAC: prazo para envio de projetos se encerra em 10 de novembro Foto: Rovena Rosas/Agência Brasil Notícia do dia 31/10/2023

Estados e municípios têm até o dia 10 de novembro para enviar projetos para a seleção do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De acordo com a Casa Civil, há R$ 136 bilhões — R$ 65,2 bi para a primeira etapa e R$ 70,8 bi para a segunda — reservados para obras em editais abertos pelo Ministérios da Educação, da Saúde, das Cidades, da Cultura, dos Esportes  e da Justiça e Segurança Pública. As informações para que os entes possam enviar os projetos estão no site da Casa Civil.

 

O Ministério das Cidades é responsável pela maior parte do investimento, R$ 40 bilhões. No entanto, no último dia 25, o titular da pasta, ministro Jader Filho, declarou que o número de propostas recebidas está “muito abaixo” do esperado. Para o economista e empresário Rica Mello, a baixa adesão ao programa por parte dos gestores estaduais e municipais pode estar ligada à dificuldade das prefeituras na elaboração dos projetos.

 

“O governo tem que apresentar essa proposta de maneira mais clara para os entes da Federação, para que eles entendam quais são essas regras e apliquem aos seus projetos. Mas de fato o que a gente vê, eu e outros analistas, é que algumas prefeituras não estão preparadas para fazer esses pedidos, para submeter esses projetos. Mas o próprio PAC, ele também tem financiamento até mesmo para ajudar no destrinchamento dos projetos”, afirma. 

 

Segundo o economista, o baixo investimento em infraestrutura limita o crescimento do país, o que faz do Novo PAC uma importante iniciativa para alavancar a economia brasileira. Mello enxerga ainda a possibilidade de os investimentos viabilizarem a retomada da industrialização do país, o que, segundo ele, provoca impactos positivos em diversos outros setores. 

 

“Acho que a iniciativa privada clama por esses investimentos governamentais. Claro que as empresas querem benefícios fiscais, maneiras de aumentar o seu financiamento, aumentar a lucratividade para que reinvista. Mas esses outros tipos de investimentos: investimentos em infraestrutura, investimentos mais robustos, eles acabam trazendo resultados muito mais perenes, de médio e longo prazo para um país”, ressalta o empresário. 

 

O Novo PAC

Lançado em agosto pelo governo federal, o Novo PAC prevê mais de R$ 1,7 trilhão em investimentos para infraestrutura em todo o país. O programa está organizado em nove eixos de investimento: cidades sustentáveis e resilientes; transição e segurança energética; transporte eficiente e sustentável; inovação para indústria da defesa; educação, ciência e tecnologia; saúde; água para todos;  inclusão digital e conectividade; e infraestrutura social inclusiva. 

 

De acordo com a Casa Civil, o Novo PAC é um programa de investimentos coordenado pelo governo federal em parceria com o setor privado, estados, municípios e movimentos sociais. Tem o objetivo de acelerar o crescimento econômico e a inclusão social, gerar emprego e renda e reduzir as desigualdades sociais e regionais. O vice-líder do governo na Câmara, deputado federal  Alencar Santana (PT-SP), afirma que o programa é benéfico em vários aspectos. 

 

“O PAC permite que tenha obras de infraestrutura, investimentos, que melhora, logicamente, a infraestrutura regional, de todo o país. O programa foi lançado e as coisas efetivamente acontecerão no futuro. Fomenta a economia: produtos; materiais; mão de obra; serviços; o impacto local de onde está sendo feito o investimento. Então ele é positivo em diversos ângulos”, argumenta o parlamentar.

 

Além disso, visa retomar o andamento de obras paralisadas.  Segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), de 2022, cerca de 37% das obras públicas federais estão paralisadas. O órgão aponta dentre as principais causas da paralisação a deficiência de projetos, a insuficiência de recursos financeiros e sistemas de informação e gerenciamento das obras pouco confiáveis, incompletos e ineficientes.  

 

Eixos de investimento


Cidades sustentáveis e resilientes

O Novo PAC prevê 609,7 bilhões em investimentos no eixo “cidades sustentáveis e resilientes”. Desse total, 557,1 bilhões devem ser investidos até 2026 e R$ 52,6 bilhões após 2026. O investimento total está dividido em sete subeixos:

    Minha Casa, Minha Vida - R$ 345,4 bilhões

   Financiamento Habitacional - R$ 160 bilhões

    Periferia Viva - Urbanização das favelas - R$ 12 bilhões

    Mobilidade urbana sustentável - R$ 48,7 bilhões

    Gestão de resíduos sólidos  - R$ 1,8 bilhão

    Prevenção de desastres - Contenção de encostas e drenagem - R$ 14,9 bilhões

    Esgotamento sanitário - R$ 26,8 bilhões

 

Transição e segurança energética

Para o eixo “transição e segurança energética” a previsão é de R$ 540,3 bilhões em investimentos. Segundo o Novo PAC, R$ 449,4 bilhões serão investidos até 2026 e o restante, R$ 90,9 bilhões, após esse período. O segmento também está dividido em sete subeixos:

    Geração de energia - R$ 75,7 bilhões

    Luz para todos - R$ 13,6 bilhões

    Transmissão de energia - R$ 87,8 bilhões

    Eficiência energética R$ 1,8 bilhão

    Petróleo e gás - R$ 335,1 bilhões

    Pesquisa mineral - R$ 307 milhões

    Combustíveis de baixo carbono - R$ 26,1 bilhões 

 

Transporte eficiente e sustentável

Para o setor de transportes, estão previstos R$ 349,1 bilhões em investimentos. Segundo o programa,  desse total, R$ 220,9 bilhões serão investidos até 2026. O restante, R$ 128,2 bilhões, após esse período. São subeixos de “transporte eficiente e sustentável”:

    Rodovias - R$ 185,8 bilhões

    Ferrovias - R$ 94,2 bilhões

    Portos - R$ 54,8 bilhões

    Aeroportos - R$ 10,2 bilhões

    Hidrovias - R$ 4,1 bilhões

 

Inovação para indústria da defesa

A previsão do PAC é de R$ 52,8 bilhões em investimentos em inovação para a indústria da defesa. Segundo o programa, R$ 27,8 bilhões até 2026 e R$ 25 bilhões após esse período.  Equipar as Forças Armadas com tecnologia de ponta e aumentar a capacidade de defesa nacional são alguns dos objetivos. Os investimentos serão direcionados a equipamentos aéreos, navais, terrestres e a sistemas integradores.

 

Educação, ciência e tecnologia

O setor de educação, ciência e tecnologia deve receber R$ 45 bilhões em investimentos, R$ 36,7 bi até 2026 e R$ 8,3 bi após 2026. Os subeixos são: 

    Educação básica - R$ 26,4 bilhões

    Educação profissional e tecnológica - R$ 3,9 bilhões

    Educação superior - R$ 4,5 bilhões

    Inovação e pesquisa - R$ 10,2 bilhões
Saúde

 

Para a área da saúde, o PAC prevê R$ 30,5 bilhões em investimentos, R$ 29,3 bilhões até 2026 e o restante, R$ 1,2 bilhão, após esse período. O segmento está dividido em cinco subeixos de investimento: 

    Atenção primária - R$ 7,4 bilhões

    Atenção especializada - R$ 13,8 bilhões

    Preparação para emergências sanitárias - R$ 272 milhões

    Complexo industrial da saúde - R$ 8,9 bilhões

    Telessaúde - R$150 milhões

 

Água para todos

Para o eixo “água para todos”, o investimento previsto é de R$ 30,1 bilhões. De acordo com o programa, R$ 25,5 bilhões até 2026 e, após, R$ 4,6 bilhões. O investimento está dividido em quatro subeixos:

    Abastecimento de água - R$ 10,8 bilhões

    Infraestrutura hídrica - R$ 11,9 bilhões

    Água para quem mais precisa - R$ 3,1 bilhões

    Revitalização de bacias hidrográficas - R$ 4,3 bilhões 

 

Inclusão digital e conectividade

O eixo “inclusão digital e conectividade” deve receber R$ 20,3 bilhões até 2026 e R$ 7,6 bilhões após esse período. O montante total de investimentos previsto é de R$ 27,9 bilhões divididos em cinco subeixos: 

    Conectividade nas escolas e nas unidades de saúde - R$ 6,5 bilhões

    Expansão do 4G e implantação do 5G - R$ 18,5 bilhões

    Infovias - R$ 1,9 bilhão

    Serviços postais - R$ 856 milhões

    TV digital - R$ 154 milhões

 

Infraestrutura social inclusiva

O PAC prevê R$ 2,4 bilhões em investimentos em “infraestrutura social inclusiva”. R$ 2,1 bilhões até 2026 e R$ 300 milhões após 2026.  Os subeixos são:

    Cultura - R$ 1,3 bilhão

    Esportes - R$ 320 milhões

    Segurança pública com cidadania - R$ 800 milhões 


Fonte: Brasil 61 

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