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Notícia do dia 20/04/2023
O novo coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI/Parintins), o indígena Sateré-Mawé, Mecias Júnior, foi nomeado no mês dos Povos Indígenas. Além da inédita nomeação ao cargo, o gestor vai tem a responsabilidade de manter a entidade como a primeira em gestão de saúde no Brasil. Neste primeiro momento, a atual administração passa pelo processo de transição na questão administrativa e busca união das entidades indígenas.
Mesmo com apenas 33 anos, Mecias Junior já foi eleito vereador no Município de Barreirinha nas eleições de 2021 e, em 2014, disputou o pleito para deputado estadual, quando alcançou mais de 11 mil votos. É filiado ao Partido Social Democrático (PSD).
Segundo ele, o trabalho no DSEI está em fase de organização e conhecimento do processo administrativo do órgão. Ele afirma que vai dar sequência ao trabalho deixado pelo antigo coordenador, Átila Oliveira.
“Hoje a gente está podendo conhecer o coração do DSEI. A sequência do trabalho é muito importante. Eu não posso chegar aqui e fazer as mudanças e acabar atrapalhando todo um processo que já vem dando certo. As coisas que estão dando certo a gente vai continuar reforçando o trabalho e melhorando as situações que a gente acha que pode melhorar. Mas sempre como eu falei em parceria com as lideranças, com os funcionários da casa, com os profissionais”, disse.
Mecias Junior enfrentou críticas de algumas entidade e lideranças indígenas. Mas, conta que recebeu apoio da maioria dos movimentos representativos. “A gente só está sentado aqui como coordenador, porque a gente tem o aval das nossas lideranças, das associações, dos órgãos que cada região tem. Então, isso que é importante dizer. É claro que a gente não é unanimidade e sempre vai ter divergências, mas a gente vai procurar trabalhar com todos independentemente da situação que deu e fazer esse trabalho voltado realmente pra melhoria do nosso povo”, afirma.
O Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM), Associação dos Tuxauas do Rio Mamuru, Miriti, Manjuru e Urupadi (TUMUPE) e a Associação dos Kapi e das Lideranças Tradicionais Sateré-Mawé do Rio Andirá (KAPI) publicaram nota de repúdio, não aceitando a nomeação de Mecias Júnior, alegando indicação política. Mecias Júnior afirma que conta com apoio das entidades indígenas.
“Essa questão da carta de repúdio ela veio de uma forma que pessoas contrárias ao meu nome, que não aceitaram, gostariam de indicar uma outra pessoa, mas como eu disse, se não fosse pela maioria, hoje eu não estaria sentado aqui na cadeira de coordenador pra tentar e me esforçar pra que a gente possa fazer um bom trabalho”, explica.
O novo gestor é filho do ex-prefeito de Barreirinha, Mecias Sateré, que afirma ter boas relações com movimentos e entidades indígena e políticos. Sateré conta que seu filho não foi uma indicação política e, sim, uma indicação das entidades indígenas.
“Hoje na atualidade todos nós sabemos que sozinho a gente chega a lugar nenhum. A indicação do vereador Messias Junior surgiu do meio das lideranças indígenas dos municípios de Maués, Boa Vista, Barreirinha e Parintins. É natural que essa indicação das lideranças indígenas recebam apoio político, porque o movimento indígena faz indicação e teve apoio principal da APIB que é uma organização nacional das populações indígenas e teve apoio da Coiab coordenação das organizações da Amazônia brasileira. Isso significa a legitimidade”, justifica Mecias Sateré, apontando os nomes de políticos como Eduardo Braga, Omar Aziz, Sinésio Campos e João Pedro que apoiaram o nome de Mecias Junior indicado pelas lideranças indígenas.