Morre João Bosco Brasil, o Bosquinho do show de calouros e dos arraiais 

Morre João Bosco Brasil, o Bosquinho do show de calouros e dos arraiais  Foto: Arquivo de Família Notícia do dia 25/02/2021

Foi encontrado sem vida na casa onde morava, na madrugada desta quinta-feira, 25, o parintinense João Bosco Brasil, 54. A causa da morte não foi revelada. 

 

Bosquinho, como era chamado pela família e pelos amigos foi uma figura emblemática em Parintins, estrovestiva e bastante popular. De sorriso espontâneo, tinha a facilidade de cultivar amigos.

 

João Bosco Brasil sempre foi ligado à música, e nas festividades religiosas, em honra aos santos padroeiros da Diocese de Parintins, lá estava o Bosquinho, às vezes concorrendo no Show de Calouros, ora em participação especial.

 

O Bosquinho das Pastorinhas, de todo final de ano, folguedos que narram o nascimento do Menino Jesus. Ele era singular naquele colorido.

 

Como paroquiano da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes foi um colaborador exemplar, muitas vezes auxiliando na atividade catequética.

 

No campo cultural e artístico, o Caprichoso foi sua grande paixão. Bosquinho sempre estava presente em todos os eventos promovidos pelo Azul e Branco.

 

Despido de qualquer vaidade, nos eventos do Bumbá de Luiz Gonzaga, era uma figura que se destacava.

 

Em um texto publicado nas redes sociais, o coordenador do Conselho de Artes do Boi Caprichoso, Ericky Nakanome, ressalta as qualidades do ilustre parintinense e sua importância para o Bumbá. 

 

"Um dia quando tudo isso passar, as coisas não retornarão ao normal, o que virá eu não sei, mas para todos será bem diferente.

 

Aquela ginga nortista de fazer rádio não teremos mais, pois nossos ícones de alegria se foram, os carinhos da sogra, as piadas e palavrões da tia, a admiração da prima, o sorriso do açougueiro e do feirante pararam de brilhar, as memórias das professoras e tantos colegas de aula ficaram nos pensamentos, e tantos personagens que costuram a dramaturgia da vida saíram do palco levados de surpresa pela dor da saudade, e tudo aquilo que dá o colorido da vida desbota-se a cada manhã com as notícias de partidas insubstituíveis (todos somos insubstituíveis sim).


Quando os tambores rufarem as alegrias serão incompletas, tantos os brincantes que cessaram, os amantes que deixaram de amar, e naquele chão do Zeca quando olhar, vai ficar faltando aquela dancinha singular que a minha geração conheceu lá no início dos anos 90, sim já vinha desde antes, do curral de terra, uma pajelança com lampejos de mestre sala num bater de ombros e tremedeiras sorridentes, “pintado de suor” vinha felicíssimo nos dar talvez o abraço mais sincero daquele lugar.


O pierrô da “tarde alegre”, dançarino da galera, ator da via sacra, cantor dos shows de calouros do arraial de Lourdes, pastor, espanhol e o Campos das filhas de Maria da Francesa, deixará vago para sempre aquele cantinho no Zeca Xibelão.


Adeus Bosquinho, o boi que eu amo é feito de gente, de povo e de amor!"

 

Texto: Ericky Nakanome

 

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