Foto: Divulgação Facebook
Notícia do dia 22/02/2021
Morreu na tarde desta segunda-feira, 22, em Manaus, em decorrência de complicações da Covid-19, o ex-apresentador do boi Garantido, Paulinho Faria.
A notícia da morte do eterno apresentador do boi de Lindolfo Monteverde foi confirmada pelo empresário Zezinho Faria, irmão de Paulinho, por meio das redes sociais Facebook.
“Com imensa tristeza comunico que neste instante acabou de falecer o meu querido irmão Paulinho Faria”, comentou Zezinho.
De acordo com o BNC Amazonas, Paulinho Faria, de 61 anos idade, teve o quadro agravado no dia 18 deste mês, mas estava na luta contra a Covid-19 desde o fim de janeiro.
Devido o agravamento da doença ele precisou ser intubado, no hospital Samel, em Manaus.
A princípio, Paulinho foi internado em Parintins com a doença no dia 30 de janeiro e removido para a capital no dia 3 de fevereiro.
No começo da terceira semana de fevereiro, Paulinho apresentava significativa melhora e seus médicos já previam conceder alta.
Na quarta-feira, 17, ele apresentou índices de agravamento e no dia 18 precisou passar pelo procedimento de intubação.
Mais sobre o assunto
Paulo Faria começou como radialista aos 13 anos de idade. A Rádio Alvorada de Parintins foi sua primeira casa. Na emissora da Diocese de Parintins chegou a apresentar um programa tendo como foco os torcedores de Garantido e Caprichoso. O programa ia ao ar a partir das 20h.
Paulo pedia para os ouvintes/torcedores ligarem para o programa. O objetivo era saber quem tinha a maior torcida de boi-bumbá na Ilha.
A experiência como apresentador de programa radiofônico o levou ao item de nº 1 no boi de Lindolfo Monteverde, posto que defendeu por 24 anos.
Paulinho, como era carinhosamente chamado pela família Faria e também pelos torcedores do vermelho e branco, assinou diversas criações nas apresentações do Garantido, entre elas o grito da galera: “Lê lê lê lê”, “Mais quem é Garantido levante o braço”.
A chamada do boi na arena do espetáculo: “1, 2, 3 e Já” também tem a marca do menino de outro do Garantido, boi de pano que o chamava de “A 8ª Maravilha do Mundo”.
Os jargões cunhados por Paulinho ecoaram em diversos locais por onde o Festival de Parintins impregnou suas matizes, entre elas: Quadra da JAC (Rua Jonathas Pedrosa), Quadra da JAC (atualmente Show Clube Ilha Verde), Estádio Tupy Cantanhede, Anfiteatro Messias Augusto, local que passou a se chamar Centro Cultural Bumbódromo, a partir de 1988.
Paulo Faria enfrentou alguns reveses quando atuou pelo Garantido. Em uma das apresentações foi surpreendido com o rojão que o deixou com problema de audição.
Em 1995, já fora do boi, ao aparecer na arquibancada foi ovacionado pela galera vermelha e branca para retornar como apresentador. Na terceira noite de espetáculo a direção o chamou de volta ao item de Nº 1.
Dada a capacidade e talento, o cantor e também empresário parintinense enfrentava o contrário defendendo os itens de apresentador e levantador de toadas, e sempre ganhava suas paradas em quadra.
No campo cultural, a dimensão que ganhou o Festival de Parintins se deve em muitos momentos à Família Faria e a Paulinho que, como visionário inseriu, junto com seu parceiro inseparável Jair Mendes, muitos elementos que hoje estão incorporados ao boi-bumbá, entre os quais as alegorias, os capacetes, entre outros.
A Alvorada do Boi Garantido, que acontece na madrugada do dia 1º de maio, evento que está incluso no calendário do Município de Parintins também tem a assinatura de Paulinho.
No campo esportivo, foi um apaixonado pelo Sul América, equipe pela qual chegou a ser presidente e patrocinador. Com Paulo Faria, o Sulamba ganhou inúmeros títulos no Campeonato Parintinense de Futebol.
Texto: Neudson Corrêa