Foto: Carolina Antunes PR
Notícia do dia 23/04/2020
Um dia depois do pedido feito pelo procurador Geral da República (PGR), Augusto Aras, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue a participação de grupos que protestavam em várias cidades brasileiras, inclusive Brasília, pela volta do AI-5 e o fim do distanciamento social (atos antidemocráticos).
Concidentemente, o presidente Jair Bolsonaro comunicou o ministro da Justiça, Sergio Moro, nesta quinta-feira (23), que pretende trocar a diretoria-geral da Polícia Federal, hoje ocupada por Maurício Valeixo. A informação é da Folha de São Paulo.
Bolsonaro informou o ministro que a mudança deve ocorrer nos próximos dias. Moro então pediu demissão do cargo, e Bolsonaro tenta reverter a decisão.
De acordo com a Folha, Valeixo foi escolhido por Moro para o cargo. O atual diretor-geral é homem de confiança do ex-juiz da Lava Jato. Desde o ano passado, Bolsonaro tem ameaçado trocar o comando da PF. O presidente quer ter controle sobre a atuação da polícia.
Moro topou largar a carreira de juiz federal, que lhe deu fama de herói pela condução da Lava Jato, para virar ministro. Ele disse ter aceitado o convite de Bolsonaro, entre outras coisas, por estar "cansado de tomar bola nas costas".
Na semana passada, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta foi demitido por Bolsonaro. Mandetta tinha mais de 70% de aprovação popular pelo trabalho durante a fase inicial da pandemia do novo coronavírus.
A repórter Delis Ortiz, da Globo News, ponderou diante das informações de que não há uma confirmação do pedido de demissão. Sergio Moro teria conversado com o presidente, ocasião em que foi informado da mudança no comando PF.
A repórter da Globo, Camila Bomfim, apurou junto a assessores ligados a Sergio Moro que o ministro teria pressionado o presidente sobre a demissão do diretor-geral da PF.
Ele ressaltou a importância do trabalho de Maurício Valeixo e, que, caso aconteça, de fato, pensa em pedir demissão do cargo de ministro da Justiça.
Outra importante demissão ocorreu há dez dias no governo Bolsonaro. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, exonerou na terça-feira (14) o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo. A demissão aconteceu dias depois de uma mega operação para tirar garimpeiros de terras indígenas.
Texto: Neudson Corrêa