Ministério da Saúde recomenda que inserção do DIU no SUS seja realizada por médicos

Nota Técnica busca aumentar segurança de pacientes em casos de complicações

Ministério da Saúde recomenda que inserção do DIU no SUS seja realizada por médicos Foto: Laísa Queiroz Notícia do dia 01/11/2021

O Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre é um método contraceptivo não-hormonal ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para qualificar ainda mais o serviço, o Ministério da Saúde recomenda que a inserção do DIU seja feita apenas por médicos capacitados para o procedimento, e não por enfermeiros. A medida está em nota técnica publicada na sexta-feira (29).

 

O documento, elaborado pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde da pasta, ressalta que a inserção do DIU na cavidade uterina, embora segura, é um procedimento invasivo não isento de riscos e complicações. Entre elas, estão: perfuração da cavidade uterina, sangramento, perfuração da bexiga, lesão de alças intestinais e reação vagal. Dessa forma, é necessário que o profissional de saúde tenha não apenas expertise na técnica de inserção do DIU, mas a capacidade de diagnosticar e tratar oportunamente as complicações, que podem ocorrer na hora ou tardiamente.

 

“O trabalho dos enfermeiros é fundamental para o funcionamento do SUS e para as ações relacionadas ao planejamento familiar. O objetivo desta nota técnica é apenas aumentar a segurança do procedimento de introdução do DIU e, assegurando às mulheres um atendimento qualificado e responsável”, defende o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara.

 

O diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Programáticas do Ministério da Saúde, Antônio Braga Neto, reforça a importância do DIU no planejamento familiar de mulheres após o parto, em que há risco obstétrico bem estabelecido. "A inserção do DIU feita logo após o parto, em mulheres com gravidez de alto risco, evita que novas gestações sejam consignadas e, com isso, minimiza o risco de morte em novas gestações. Dessa forma, devemos ampliar, também, o treinamento dos médicos obstetras para a inserção do dispositivo pós-parto, a fim de garantir que as puérperas já saiam de nossas maternidades com suas vidas protegidas", opina.

 

Além disso, o documento apresenta informações do Manual Técnico para profissionais de Saúde – DIU com cobre T Cu 380 A e de outras referências, inclusive a Constituição Federal, para explicar o funcionamento do exercício legal de uma profissão e princípios da administração pública. Isso reforça normativas anteriores do próprio Ministério da Saúde, que revogou, ainda em 2019, a Nota Técnica no 5/2018- CGSMU/DAPES/SAS/MS, que permitia a inserção do dispositivo por profissionais não médicos.

 

O Ministério da Saúde salienta que não compete ao órgão regulamentar procedimentos de classes profissionais e que pareceres e notas técnicas não têm a força de lei, e sim caráter recomendativo. Entretanto, leva em conta que as Leis no 12.842/2013 e no 7.498/1986, que regulamentam as profissões de médicos e de enfermeiros, respectivamente, estabelecem que procedimentos invasivos sejam feitos, exclusivamente, por médicos. Para conferir a Nota Técnica no 21/2021 completa, clique aqui.

 

Planejamento familiar

No Brasil, a política pública que trata do planejamento familiar é regida pela Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, e define o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal.

 

Com o intuito de diminuir os índices de gestação não planejadas e reforçar as ações de sexualidade responsável e planejamento familiar por parte dos brasileiros, são disponibilizados diversos tipos de métodos contraceptivos: pílula hormonal combinada, mini-pílula, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, diafragma e dispositivo intra-uterino de cobre. O DIU é colocado pelo orifício do colo uterino e provoca mudanças bioquímicas e morfológicas no endométrio à medida que os íons são liberados na cavidade uterina, levando a uma ação inflamatória e citotóxica com efeito espermicida.

 

Todos esses métodos são ofertados gratuitamente na Atenção Primária do SUS. Procure a unidade básica de saúde (UBS) mais próxima para mais informações.

 

Fonte: Ministério da Saúde

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