Foto: Divulgação/Secom/Susam
Notícia do dia 07/05/2020
O médico intensivista, Ederlon Rezende, do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo e membro do Conselho Consultivo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), disse que, nesse período da pandemia do novo coronavírus, governantes devem propor a abertura de novos leitos de UTI. Porém, afirma que não vai adiantar a criação de novos de leitos para o tratamento de pacientes com a Covid-19 sem profissionais qualificados. “Ouviremos muito governante dizer que abrirá leitos de UTI. Mas não adianta sem profissional qualificado”, comentou.
Ele trabalha em média 12 horas por dia em uma unidade de terapia intensiva, onde são tratados os pacientes mais graves infectados por coronavírus. Desde o início da maior crise sanitária em décadas, vem atuando em diversas frentes.
Ederlon Rezende participou de reuniões com o Ministério da Saúde quando o Governo ainda desenhava uma estrutura extra para que o sistema de saúde público enfrentasse a crise.
Setenta dias após a confirmação do primeiro caso da covid-19 no Brasil, e quando o país já contabiliza mais de 125.000 casos e mais de 8.500 mortes pela doença, o médico diz que o Brasil conseguiu ampliar em 20% os leitos de UTI do SUS, mas acredita que essa capacidade de ampliação a partir de agora é mais limitada e esbarra na falta de profissionais especializados disponíveis.
Em todo o país, gestores já contratam profissionais não especializados para atuar numa assistência intensiva. Numa conta difícil entre oferecer um leito de UTI com condições distantes da ideal ou não oferecê-los, Rezende define a situação como um “cenário de guerra”.
Mesmo com a expansão do sistema de saúde, o médico projeta para as próximas semanas um cenário difícil diante da escassez de UTIs. Já há filas por um leito desse tipo em pelo menos quatro Estados: Ceará, Amazonas, Pernambuco e Rio de Janeiro. As informações são do El País.