Fotos: Neudson Corrêa
Notícia do dia 18/08/2020
Por: Neudson Corrêa
A autônoma Hyrma Raquel Cabral é uma manauara de 30 anos que se mudou para Parintins, há três anos, e encontrou na informalidade a maneira de garantir a renda familiar. Sem emprego, a alternativa foi vender flau (saco plástico com suco de frutas); produto que em outras cidades amazonenses recebe outro nome.
O local do trabalho fica situado na beira da rodovia Eduardo Braga, na confluência dos bairros Itaúna II, Djard Vieira e loteamento Tonzinho Saunier, onde vive com a irmã, Ana Cláudia, sua sócia no empreendimento.
Hyrma Raquel ressalta que a população aprovou a venda do produto que, como está no menu, aos olhos do freguês, o flau é preparado com diversas sabores, como abacate, amendoim, buruti, côco, cupuaçu, chocolate, morango e tapioca.
Diariamente ela chega a vender em torno de 200 a 250 unidades de flau. A maioria das pessoas que trafega pela artéria conhece o produto. O ambiente é pequeno, mas a vontade de ganhar dinheiro para manter a despesa da casa supera todas as dificuldades, entre elas o calor e muitas vezes a chuva.
Mas Hyrma Raquel tem outra renda adicional à venda do dindin ou geladinho, como também é chamado o “picolé de saquinho”. Ela faz serviço de frete em seu triciclo motorizado. Ficar ‘parada’ é uma palavra que não existe em seu vocabulário. Para arrumar um frete se desloca para a área central da cidade.
Porém, com a pandemia no novo coronavírus a empreendedora enfrentou dificuldades, principalmente com a diminuição dos clientes, mas acredita que a situação vai passar e que voltará a projetar melhoria para os negócios. “Não está sendo fácil essa epidemia. Estamos aqui para ganha o pão de cada dia. Espero que tudo isso vá passar”, comenta.
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Mercado informal
De acordo com a Folha de São Paulo, a pandemia de Covid-19 provocou um colapso em diversos setores do mercado de trabalho. No trimestre móvel encerrado em maio, 7,8 milhões de postos de trabalho foram encerrados, sendo 5,8 milhões informais.
A informalidade, antes da pandemia, vinha registrando recordes e diminuía a taxa de desemprego no país. Com o avanço da Covid-19, o setor está entre os mais impactados pela crise, mostrando que a desigualdade no país vai ficando cada vez mais escancarada.
Esse colapso no setor informal levou a população ocupada a registrar seu menor número na série histórica desde 2016. No país, são 85,9 milhões de pessoas empregadas, com 32,2 milhões na informalidade, uma taxa de 37,6%, sendo a pior da pesquisa. Em fevereiro, esse índice girava em torno dos 40,6%.
Segundo o Observatório do Terceiro Setor, citando a Folha, o maior impacto no setor informal atinge o rendimento médio real habitual da população, que chegou a R$ 2.460.
Os dados foram divulgados pelos Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de junho. Segundo o IBGE, o desemprego em maio ficou em torno de 12,9%, com 368 mil pessoas a mais na fila do emprego, mas existe um ruído em relação à taxa dentro de um cenário pandêmico.