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Notícia do dia 28/08/2023
Moradores da Vila Amazônia registram na polícia de Parintins confrontos com invasores de terras e até ameaças à vida de pessoas. A denúncia foi feita por membros da Associação Comunitária do bairro Independência na ocupação de Vila Amazônia (ASCOBIN), que relatam o medo e a preocupação com divisão territorial naquela Gleba.
O presidente da ASCOBIN, Hudson de Araújo e Silva, 59 anos, informa que durante a ocupação organizada da área as pessoas reservaram terras que seriam de uso comum no futuro como praças, escolas, posto de saúde. Ele conta que uma área guardada para a construção de uma clínica, em parceria com uma ONG, recentemente foi invadida e o invasor não quer sair do local e fez ameaças de morte a membros da associação.
“Essas áreas que a gente deixou pra trabalhar no social hoje estão dando problemas pra gente, porque as pessoas chegam sem procurar saber quem é dono e de como pode conseguir as áreas e ocupam essas áreas irregularmente e vão ficando na marra. Gente de outras cidades querendo ocupar na marra sem procurar a associação e quando a gente chega pra retirar essas pessoas a gente é ameaçado”, relata Hudson.
Hudson conta da ameaça de morte que sofreu: “Esse rapaz invadiu essa área que a gente tinha destinado pra clínica e eu fui lá e pedi pra que ele tirasse a cerca dele e ele não tirou. Eu fui com a minha comissão, a gente tem uma comissão que trabalha com a gente, nós tiramos. Foi quando ele veio na minha casa me ameaçar, dizendo que se eu voltasse lá pra tirar novamente a cerca ele iria me matar”.
De acordo com associação, essas áreas da Vila Amazônia sofrem com a entrada de grileiros que invadem terras para comercializar. Muitas das vezes essas invasões acabam sendo violentas e causam grande perigo aos moradores da região.
“Acontece frequentemente na Vila Amazônia, pessoas que vem de fora pra comprar terras, terras públicas e eles compram terra sem saber de quem é, sem documentos. Eles estão comprando essa terra pra fazer comercialização, fazer a famosa grilagem. É isso que a gente coíbe dentro da área da associação. Uma área grande e ela está sendo toda comercializada, pessoas que vem de fora que estão grilando essa terra pra mais tarde ganharem dinheiro e é por isso que a gente defende essas áreas”, alerta.
Além das ameaças que vem sofrendo, a associação denúncia a prática ilegal da invasão das terras e, principalmente, a grilagem (comercialização irregular). Hudson pede a atuação mais direta e intensa de entidades como o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), IDAM (Instituto de Desvolvimento da Amazônia) e até a polícia, que inclusive tem espaço para a construção de um posto avançado, mas que ainda não foi usado. “A ganância se transforma dessa maneira e a gente pede aos órgãos públicos, aos órgãos federais que venham pra Vila Amazônia ajudar a gente a cuidar dessa terra”, finaliza.
Eldiney Alcântara