Foto: Reprodução da TV
Notícia do dia 28/08/2026
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que respeitará o resultado das eleições de 2026, defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro das condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado e anunciou o médico Cláudio Lottenberg como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde, caso seja eleito. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (28), durante entrevista conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, da TV Globo.
Flávio foi o quinto presidenciável a participar da série promovida pela emissora com os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. Antes dele, participaram Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A rodada termina neste sábado (29), com Augusto Cury (Avante).
Um dos primeiros assuntos da entrevista foi a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Questionado sobre os R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro ao projeto e sobre encontros que manteve com Vorcaro, Flávio afirmou que se tratou de uma relação privada e negou qualquer contrapartida política.
Segundo o candidato, nenhum recurso público foi utilizado na produção e sua participação consistiu em autorizar o uso da própria imagem e buscar investidores. Ao ser pressionado pelos jornalistas para apresentar contrato e detalhamento das despesas, Flávio argumentou que a prestação de contas caberia à produtora responsável pelo filme e classificou o assunto como encerrado.
Reportagens publicadas nesta sexta-feira apontam que os recursos destinados por Vorcaro e a prestação de contas do projeto continuam sob questionamento e investigação.
Golpe de Estado
Outro momento de destaque ocorreu quando a entrevista abordou a condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente recebeu pena de 27 anos e três meses por cinco crimes, entre eles golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.
Flávio voltou a classificar o processo contra o pai como uma “farsa” e sustentou que Jair Bolsonaro foi julgado por adversários. Ele também defendeu anistia ou indulto para os condenados relacionados aos atos de 8 de Janeiro caso chegue ao Palácio do Planalto.
Ao ser questionado sobre a segurança do processo eleitoral, o candidato reconheceu que já divulgou informação equivocada sobre a fabricação das urnas eletrônicas e assegurou que aceitará as regras eleitorais.
“Vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições”, declarou. A afirmação também foi registrada por veículos que acompanharam a entrevista desta sexta-feira.

Foto: Reprodução da TV
Tarifaço de Donald Trump
A política externa também entrou na sabatina. Tralli e Renata questionaram Flávio sobre a atuação do irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos e o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros. Eduardo foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em junho deste ano, a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo relacionado à tentativa de golpe.
Flávio afirmou que discorda das tarifas contra empresas brasileiras e disse ter atuado nos Estados Unidos para tentar evitar as medidas. Também reconheceu que Eduardo errou ao agradecer publicamente a Trump após o anúncio das tarifas.
Questionado sobre a possibilidade de colocar o Pix em uma negociação com os Estados Unidos, foi categórico: “O Pix é inegociável”.
Na área da segurança pública, Flávio voltou a ser questionado sobre a homenagem concedida, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, ao ex-policial Adriano da Nóbrega. O candidato argumentou que, na época da homenagem, Adriano era visto por ele como um policial injustamente acusado e que não poderia ser responsabilizado por crimes atribuídos posteriormente ao ex-PM.
Regra mais rígida
Na economia, Flávio defendeu redução de ministérios, corte de cargos comissionados, diminuição da burocracia, revisão de normas e controle das despesas públicas. A campanha já vem defendendo uma regra mais rígida para limitar o crescimento da dívida pública, embora ainda não tenha divulgado todos os parâmetros da proposta.
Pressionado sobre a política de valorização do salário mínimo e o reajuste das aposentadorias, o presidenciável afirmou que não pretende fazer ajuste fiscal “em cima” dos trabalhadores de menor renda ou aposentados, mas não apresentou durante a entrevista um percentual ou fórmula específica de reajuste.
O meio ambiente também gerou confronto. Questionado sobre declarações anteriores em que negava o aquecimento global, Flávio afirmou acreditar na existência de eventos climáticos extremos, mas voltou a tratar parte das mudanças como fenômenos cíclicos. Ao apresentar propostas ambientais, concentrou a resposta na ampliação do saneamento básico, combate aos lixões e repressão a crimes ambientais.
Nos minutos finais, Flávio Bolsonaro anunciou que, caso seja eleito, pretende nomear o médico e executivo Cláudio Lottenberg para o Ministério da Saúde. Lottenberg é médico oftalmologista, ligado à gestão hospitalar e presidente institucional do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Einstein Hospital Israelita.
Nas considerações finais, o candidato voltou a pedir uma oportunidade aos eleitores e apresentou sua candidatura como alternativa ao atual governo. Flávio disputa pela primeira vez a Presidência da República e tem como candidato a vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).
A série de entrevistas da Globo termina neste sábado (29), com o presidenciável Augusto Cury, do Avante.