Falta de saneamento básico contribuiu para queda de barranco que fez vila 'sumir do mapa' no AM, aponta laudo

Tragédia, que ocorreu no início de outubro, deixou dois mortos e três desaparecidos

Falta de saneamento básico contribuiu para queda de barranco que fez vila 'sumir do mapa' no AM, aponta laudo Foto: Divulgação Notícia do dia 27/10/2023

Um laudo do Seviço Geológico do Brasil (SGB) divulgado nesta quinta-feira (26) apontou que a falta de saneamento básico contribuiu para a queda de um barranco que fez uma vila "sumir do mapa", em Beruri, no interior do Amazonas. A tragédia, que ocorreu no início de outubro, deixou dois mortos e três desaparecidos.

 

A Rede Amazônica tenta contato com a Prefeitura Municipal de Beruri para um posicionamento sobre o laudo pericial e o que deve ser feito a partir de agora, e aguarda resposta.

 

A comunidade rural "sumiu do mapa" depois de ser afetada pelo deslizamento, que foi causado pelo fenômeno "terras caídas", que ocorrem quando a água atua sobre as margens dos rios, causando erosão e abrindo extensas "cavernas subterrâneas", até que uma ruptura provoque a queda do terreno.

 

A tragédia atingiu 151 pessoas, e soterrou 50 edificações, sendo 44 casas, três igrejas, uma Unidade Básica de Saúde, uma escola e um centro comunitário.

 

Vila Arumã atingida por deslizamento de terra no Amazonas — Foto: Divulgação

 

O laudo do SGB aponta que, de fato, o desastre pode ter sido causado por uma confluência de fatores naturais e antropogênicos: "Várias pessoas presenciaram a ocorrência de um grande processo de erosão de margem fluvial conhecido como Terras Caídas, o qual, em geral, apresenta origem natural, embora possa ser potencializado por atividades humanas".

 

Todavia, a falta de um sistema de saneamento básico também pode ter potencializado a tragédia:

 

"As casas não possuíam sistema de água e esgoto adequados, possuíam fossas do tipo sumidouro ou mesmo com lançamento da água servida diretamente no talude, que contribuem para a saturação do solo em água. Testemunhas relataram que na comunidade existiam dois poços tubulares para captação de água potável" — SGB

 

Delizamento de terra em Beruri, no Amazonas — Foto: Divulgação

 

Com o lançamento dos dejetos de qualquer jeito, pode ter ocorrido um "encharque do solo" e um rebaixamento do lençol freático: "Consequentemente as camadas profundas podem ter experimentado um aumento das tensões efetivas, devido ao peso do solo sobrejacente. Entretanto, são necessários estudos mais aprofundados para confirmar tal possibilidade", apontou o SGB.

 

Tragédia 'anunciada'

Ainda no laudo, o SGB apontou que antes da tragédia, o solo já apresentava sinais do evento: "portas e janelas que funcionavam normalmente passando a emperrar, além de rachaduras nas construções de alvenaria e trincas no solo, indicando que a movimentação iniciou de forma gradual".

 

Famílias afetadas pelo delizamento de terra em Beruri, no Amazonas — Foto: Divulgação

 

"Testemunhas também relataram tremores no solo, pouco antes do colapso maior. O processo teve continuidade com seguidos deslizamentos de solo e colapso da estrutura, gerando ondas de aproximadamente cinco metros de altura, atingindo vários flutuantes". — SGB

 

Novos riscos

No documento, o órgão também apontou que a comunidade pode ficar ainda mais vulnerável a novas tragédias: "Este fato faz com que os imóveis localizados nas áreas adjacentes à cicatriz do evento estejam submetidos ao risco de serem afetados por desestabilizações futuras".

 

"O evento em questão provocou a exposição de um espesso pacote de solo que naturalmente ficará vulnerável a fenômenos erosivos e movimentos gravitacionais de massa, como os deslizamentos, os quais se acentuam especialmente durante as temporadas chuvosas".

 

Os técnicos ainda recomendaram a atualização do mapeamento das áreas de risco geológico em todo o município de Beruri; a avaliação da possibilidade de remoção e reassentamento dos moradores que habitam em residências inseridas nos setores de risco muito alto, principalmente em período de variação extrema do nível do rio, secas e cheias; e o desenvolvimento estudos de adequação do sistema de drenagem pluvial e esgoto, dentre outras medidas.

 

Com informações do G1 Amazonas - Por Matheus Castro e Patrick Marques

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