Escola Municipal que funciona dentro da Unidade Prisional de Parintins encerra ano letivo

Para cada 12 horas de atividade escolar o detento-aluno tem um dia abatido em sua pena

Escola Municipal que funciona dentro da Unidade Prisional de Parintins encerra ano letivo Foto: Divulgação Notícia do dia 24/12/2021

A Escola Municipal Vitório Barbosa, que funciona dentro da Unidade Prisional de Parintins encerrou nesta semana o ano letivo de 2021 com uma confraternização entre os alunos. A escola iniciou as atividades em 2005 a partir de uma parceria entre SESI e Prefeitura de Parintins, e era voltada para a formação profissional de adolescentes e jovens. No ano de 2010 o educandário passou a ser de responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação de Parintins, a Semed.

 

Em 2020 a pandemia do novo coronavírus fez com que as aulas fossem interrompidas no início do ano. Na época, de acordo  com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), a população carcerária de Parintins já era de menos de quarenta detentos, e pelo menos a metade deles eram alunos da escola.

 

Professor concursado do município, Raimundo Walber Ferreira leciona na escola há dez anos. Ele conta que tudo na educação dos detentos é desafiador, desde a falta de apoio do poder público e dos familiares dos próprios presos, até aos riscos que correu no início de sua atuação na Unidade. Porém, o professor destaca a pandemia como maior desafio para ele e seus alunos.

 

"Nossa escola é uma escola de inclusão social, e o nosso papel da Educação aqui é levar essa inclusão para os nossos reeducandos. O ano de 2020 foi muito difícil devido a pandemia, nós praticamente ficamos sem atividades dentro da escola. Mas esse ano de 2021 conseguimos voltar às aulas presenciais em abril, obedecemos todos os protocolos de saúde, conseguimos superar os desafios, houve uma boa participação de estudantes e encerramos com uma confraternização", destacou o professor.

 

Devido ao baixo número de detentos na Unidade Prisional, em torno de 10 alunos puderam concluir o ano letivo, que funciona na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O professor Walber revela que o detento não é obrigado a se matricular e frequentar a escola, o que o obriga enquanto educador a buscar formas dinâmicas de ensino atrativas para os alunos.

 

"A frequência deles esse ano foi muito boa, com raras faltas. Eu sempre falo para eles que o melhor espaço dessa unidade prisional é a sala de aula, porque ela te leva a se tornar um cidadão; aqui eles podem pensar, discutir, ser cidadãos", destacou.

 

Os detentos que estudam na Escola Municipal Vitório Barbosa tem direitos a benefícios como a redução de pena. Para cada 12 horas de atividade escolar o detento-aluno tem um dia abatido em sua pena, além de ganhar o direito de fazer o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), que o dá certificação no Ensino Fundamental e Ensino Médio.

 

Foto: Divulgação

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