Entidades indígenas publicam nota de repúdio a nomeação do novo coordenador do DSEI Parintins

Entidades indígenas publicam nota de repúdio a nomeação do novo coordenador do DSEI Parintins Foto: Divulgação Notícia do dia 17/04/2023

Após a posse do novo coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI Parintins), Mecias Junior – o Bulete, entidades indígenas Sateré-Mawé reiteraram nota de repúdio à essa nomeação. Conselho, associação e lideranças indígenas assinam o documento que foi encaminhado ao Ministério Público Federal do Amazonas. O motivo da não aceitação do novo gestor seria o cunho político de sua posse.

 

A nota é assinada pelo Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM), Associação dos Tuxauas do Rio Mamuru, Miriti, Manjuru e Urupadi (TUMUPE) e a Associação dos Kapi e das Lideranças Tradicionais Sateré-Mawé do Rio Andirá (KAPI). De acordo com o documento, a nota de repúdio é motivada “por se tratar de indicação político partidária que desrespeita o direito a consulta e consentimento das organizações indígenas representativa de jurisdição do Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI-Parintins e o CGTSM – órgão representativo do povo Sateré-Mawé”.

 

O presidente do Conselho Indígena Sateré-Mawé, Obadias Pereira Batista, publicou vídeo para manifestar a opinião da entidade. “A indicação partiu dos políticos partidários e nós somos contrários a isso. Nós queremos o direito constituído de 88. Os movimentos indígenas conquistaram esse direito e foi desocupado esse direito. Nós vamos recorrer até a última instância para fazer valer nossos direitos”, explicou.

 

O diretor-presidente do Kapi, Josias Ferreira de Souza, questiona a capacidade técnica do novo nomeado e afirma que a entidade indígena busca o melhor para o povo Sateré-Mawé. “Estudamos para assessorar o nosso povo. Então, não podemos ficar à mercê da política partidária. As nossas organizações indígenas, as populações indígenas tem autonomia para ditar os seus próprios representantes. Aí vem a política partidária, sem nenhum compromisso, vem interferir em nosso trabalho, nomeando qualquer pessoa só com o ensino médio numa pasta tão importante, subestimando a população indígena. É isso que nós estamos reivindicando pro nosso DSEI Parintins”, justificou.

 

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