Foto: João Carlos Moraes
Notícia do dia 27/07/2023
Com atuação permanente há um pouco mais de duas semanas em Parintins, a Ronda Maria da Penha (RMP), do 11º Batalhão de Polícia Militar (11º BPM) já atendeu cerca de 30 vítimas de violência doméstica no município. A média é de duas vítimas por dia. O Projeto atua como mecanismo de defesa da mulher e da família.
O policiamento especializado da RMP, no período de 28 de junho a 23 de julho de 2023, registrou: 9 visitas presenciais; 7 visitas solidárias (não encontradas em suas residências); 3 atendidas em visita solidária; 2 atendimentos via telefone; 5 Medidas Protetivas de Urgência (MPU) em andamento (não aceitou acompanhamento); 3 prisões em flagrante por descumprimento de MPU; 1 busca de pertences.
De acordo com a cabo Wilciele Marinho, o projeto é de grande relevância para as mulheres parintinenses devido a alta demanda das ocorrências registradas no 11º BPM serem de violência doméstica.
“É uma segurança a mais para elas que a equipe traz com as visitas, com essas fiscalizações das medidas protetivas. O batalhão está de portas abertas para receber essas mulheres vítimas de violência doméstica, elas podem vir e fazer sua denúncia para que a equipe possa encaminhá -las para um atendimento, para rede de proteção. O importante para essas mulheres, e que elas entendam, também, que podem ter uma vida sem violência”, disse Wilciele.
Para ela, a realidade, não somente em Parintins, é violenta para as mulheres, mas que o projeto tem o intuito de inibir os diversos casos de violência doméstica e dar mais segurança para o público feminino. “Para mim, isso é uma realidade, infelizmente. O mundo é violento para as mulheres, é um lugar inseguro para as mulheres”.
A dona de casa, Irlanda dos Santos, uma das atendidas pelo Ronda Maria da Penha, reconhece a importância do projeto. “Eles conversaram e abriram a minha mente. Eu quero agradecer a eles por estarem me ajudando nesse momento, e que eles possam ajudar, não só eu, mas todas as mulheres que precisam”.
O sargento Deivid Mafra destaca a metodologia de trabalho. “A porta de entrada é o Linha Direta do Ronda Maria da Penha que é o 99527-8008. A gente faz o primeiro atendimento da vítima que solicita o apoio e posteriormente vamos fazer a visita, ouvir aquela vítima, entender a situação e fazer todos os encaminhamentos possíveis que ela precisa, tendo um atendimento completo. No caso de vulnerabilidade social, ela é encaminhada também ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), aqui da cidade, e outros órgãos envolvidos na rede de proteção à mulher”.
Segundo dados da Delegacia Especializada de Parintins (DEP), ainda não foram registrados casos de feminicídio na ilha este ano. Apesar disso, há um aumento expressivo nos casos de violência contra as mulheres. No primeiro semestre de 2023, 522 casos foram registrados. A média é de quase 3 casos por dia. 31% maior que os registrados em 2022 (397 casos em 2022; média de 2,2 por dia).
Programa
O Ronda Maria da Penha atua como mecanismo de defesa no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, em funcionamento desde o dia 30 de setembro de 2014.
Dentre as ações garante o cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência, que são providências garantidas pela Lei nº 11.340/2006. O acompanhamento às vítimas tem a finalidade de garantir a proteção delas e de suas famílias, dissuadindo e reprimindo o descumprimento de Ordem Judicial e procedendo aos encaminhamentos das vítimas à Rede de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Doméstica. De janeiro a agosto de 2021, o programa atendeu 950 mulheres.
A equipe é composta por policiais capacitados e possui viatura diferenciada das demais por ter caracterização própria.
Atendimento em Parintins
Em Parintins, a base do Ronda Maria da Penha funciona dentro do 11ª Batalhão de Polícia Militar (11º BPM), localizada na avenida Nações Unidas, Centro.
Os atendimento são realizados, primeiramente, por meio do Linha Direta: (92) 99527-8008 e pelo email: [email protected]
Texto: João Carlos Moraes