Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Notícia do dia 30/09/2026
A baixa adesão de gestantes às vacinas contra a gripe e a covid-19 ainda preocupa especialistas no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura dos dois imunizantes permanece abaixo da meta de 90%, apesar do maior risco de complicações provocado pelas doenças durante a gravidez.
Em 2025, 55% das gestantes se vacinaram contra a covid-19 e 63% contra a influenza, considerando dados das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Neste ano, números preliminares apontam melhora na vacinação contra a influenza, que chegou a 76%, enquanto a cobertura contra a covid-19 permanece em 55%.
A preocupação aumenta diante dos casos graves registrados entre grávidas e mulheres que deram à luz recentemente. De 2023 até o início de agosto deste ano, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) após infecção por algum subtipo do vírus influenza. Desse total, 25 morreram, sendo sete em 2026.
No mesmo período, a covid-19 provocou pelo menos 205 casos graves e 21 mortes nesse público. Durante os três principais anos da pandemia, entre 2020 e 2022, foram registrados 3.547 casos de SRAG por covid-19 entre gestantes e puérperas, com 811 mortes.
Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, a baixa cobertura está relacionada, entre outros fatores, à percepção de que a gripe representa pouco risco e à desinformação sobre as vacinas contra a covid-19.

Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo - Foto: Divulgação/SBIm.jpg
As gestantes fazem parte dos grupos com maior risco para complicações provocadas pelas duas doenças. Por isso, as vacinas contra influenza e covid-19 podem ser administradas durante a gravidez, conforme as recomendações de saúde.
Proteção também chega ao bebê
A vacinação da gestante não protege apenas a mãe. Os anticorpos produzidos após a imunização podem ser transferidos ao bebê pela placenta, oferecendo proteção durante os primeiros meses de vida.
Essa proteção é especialmente importante porque a vacinação das crianças contra influenza e covid-19 começa aos 6 meses de idade.
De acordo com especialistas ouvidos pela Agência Brasil, estudos indicam que a vacinação materna contra a gripe pode reduzir em cerca de 70% a ocorrência da doença nos primeiros meses de vida do bebê.
Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do risco para as crianças. Até 19 de setembro deste ano, foram registrados quase 4 mil casos de SRAG provocados por influenza em menores de 2 anos, com 55 mortes. A covid-19 provocou outros 808 casos graves e 18 mortes nessa faixa etária.
Vacinas recomendadas durante a gravidez
Além dos imunizantes contra influenza e covid-19, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza outras vacinas recomendadas para gestantes, entre elas hepatite B, dT, dTpa e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR).
A dTpa é especialmente importante para proteger o recém-nascido contra a coqueluche antes que ele complete o próprio esquema vacinal. A cobertura desse imunizante entre gestantes passou de 34% em 2016 para 94% em 2025. Dados preliminares de 2026 apontam cobertura de 88%.
Já a vacinação contra o VSR, iniciada no ano passado, alcançou aproximadamente 1,7 milhão de gestantes, com cobertura estimada em 86% do público-alvo.
No primeiro semestre de 2026, foram registrados 6.674 casos graves de VSR em bebês de até 6 meses, menos da metade dos 14.061 casos registrados no mesmo período de 2025.
Segurança dos imunizantes
Especialistas reforçam que as vacinas recomendadas para aplicação durante a gravidez passam por avaliação de segurança e são uma ferramenta importante para prevenir formas graves das doenças.
A ginecologista Giuliane Lajos, da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), alerta que as alterações naturais provocadas pela gestação podem tornar a mulher mais vulnerável a determinadas infecções e suas complicações.

Ginecologista Giuliane Lajos, membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) - Foto: Giuliane Lajos/Arquivo pessoal
Além da proteção individual, a vacinação materna reduz a possibilidade de complicações que podem afetar a gestação e o desenvolvimento do bebê.
A orientação é que a situação vacinal seja verificada desde o início do pré-natal e acompanhada durante toda a gravidez, para que as doses recomendadas sejam aplicadas no período adequado.
Fonte: Agência Brasil