Foto: Divulgação/ANS
Notícia do dia 15/01/2021
Desde março de 2020, início da pandemia do novo coronavírus, o mundo vem registrando um expressivo aumento nos números de pessoas com transtornos depressivos e ansiosos. Em Parintins, os casos também aumentam e seguem a crescente dos índices da Covid-19 no município.
A segunda onda do coronavírus na Ilha Tupinambarana obrigou as pessoas a voltarem aos consultórios. O Centro de Atenção Psicossocial Adolfo Lourido, CAPS, registrou, nas últimas semanas, um aumento considerável de pessoas com alterações psicológicas. A principal demanda da instituição é de pacientes com transtornos de ansiedade, uma vez que o cenário pandêmico e o medo acabam afetando as pessoas. Transtornos de bipolaridade, transtornos de depressão e transtornos de esquizofrenia também aparecem nos registros.
De janeiro a dezembro de 2020, o Centro atendeu 15.081 pessoas em diversas espeficialidades da saúde. Desse universo, foram 5.414 atendimentos farmacêuticos, 1.342 psicológicos, 1.298 consultas com médicos psiquiátricos e demais serviços. Para esses casos, o CAPS usa diversos tipos de tratamento como: medicamentoso, terapias em grupo de yoga e atendimento em grupo (oficinas de pintura em tecido, dança, teatro, pintura sobre telas e outras oficinas com geração de renda).
O psicólogo parintinense, Gustavo Carneiro, informa que a pandemia da Covid-19 obrigou a população a ficar em casa e isso, de certa forma, gerou problemas para algumas pessoas. "As pessoas não conseguem lidar com sua própria companhia e com a solidão. Quando lidamos com a nossa própria companhia, nós começamos a descobrir nossos medos, nossos monstros internos, nossos vícios, nosso defeitos", afirmou. Por outro lado, ambientes conflitivos também possibilitaram o surgimento de problemas mentais.
Segundo o profissional, a nova onda da Covid-19 mexeu novamente com pessoas que estavam em recuperação, além de criar novos pacientes. "A gente está revivendo um momento bem caótico. A pandemia desencadeou esses sintomas ansiosos, depressivos e mexeu com conteúdos emocionais das pessoas", diagnosticou.
Neste período de pandemia, o psicológico informa que os casos de transtorno de ansiedade aumentaram expressivamente. O medo da doença, as constantes notícias, as perdas, o ambiente negativo acabam colaborando para um quadro clínico de ansiedade. "Ansiedade é sofrer por antecipação com cargas emocionais pesadas". Ele alerta: "a ansiedade é a porta aberta para a depressão".