Na primeira noite de Festival, Caprichoso canta “Parintins – o Chão de Origem”

Reverenciando a tradição e os mistérios da Ilha Tupinambarana, Caprichoso abre a primeira noite de disputa

Na primeira noite de Festival, Caprichoso canta “Parintins – o Chão de Origem” Foto: Josiete Dias Notícia do dia 27/06/2026

O Boi-Bumbá Caprichoso apresentou na noite desta sexta-feira, 26, seu primeiro ato do tema “Brinquedo que Canta Seu Chão”, no Bumbódromo de Parintins. Com animação, garra e alegria, o Touro Negro da América cantou a cidade de Parintins não apenas como espaço geográfico, mas como o Chão tecido por memórias, processos e afetos, como território de ancestralidade e luta. Içado por um guindaste, um módulo com um Boi Caprichoso enorme trouxe o  apresentador Edmundo Oran e o Levantador de toadas Patrick Araújo 

 

A Exaltação a Parintins foi iniciada com a Figura Típica “O brincador de boi”, com o trabalho alegórico de Preto e Paulo Pimentel. Citando figuras e locais históricos do Caprichoso, como Luiz Pereira – um dos donos do Caprichoso, cuja casa na rua Cordovil foi curral do boi por muitos anos, e o bar Calçada da Fama, na avenida Senador José Esteves, tradicional reduto azul e branco no bairro do Palmares, em Parintins. Houve uma encenação do Boi de Rua do Caprichoso, realizado uma semana antes do Festival e, na sequência surgiu a Porta-Estandarte Marcela Marialva, representando o boi em movimento e levantando a galera.


Farol que cega e devora
A lenda amazônica relatada pelo Caprichoso narrou uma das histórias mais conhecidas na região: a cobra grande que habita(ria) o subsolo da Ilha Tupinambarana, sendo ela a primeira habitante da região, antes mesmo da chegada dos primeiros ameríndios ou da colonização por estes lados. A alegoria do artista Alex Salvador trouxe a Cunhã-Poranga  Marciele Albuquerque representando o poder da Cobra Grande

 

O Monstro Correntão
O correntão é um dos métodos mais violentos empregados na devastação da floresta, consistindo em uma corrente pesada atada a dois tratores que avançam ao mesmo tempo arrastam e derrubam tudo o que encontram pela frente. 
Com o módulo alegórico assinado pelo artista Nildo Costa, o Caprichoso aproveita o Festival para denunciar este método e o transforma em um ser monstruoso, uma entidade demoníaca nascida da ganância capitalista. O curupira surge para defender a fauna e a flora e libertar a Mãe da Mata representada por Cleise Simas, item de número 08, Rainha do Folclore do Boi Caprichoso, que foi elevada na plataforma de apresentação aos jurados.

 

Iniciação Sateré-Mawé
O povo sateré-mawé é íntimo da realidade de Parintins. E, ao cantar Parintins como seu chão, o Caprichoso apresenta o ritual indígena Wat-amã – o famoso Ritual da Tucandeira. O rito de iniciação masculina, onde o jovem menino passa a ser considerado adulto pelo povo sateré, consiste em suportar a dor de poderosas ferroadas de formigas de fogo.
Na narrativa apresentada pelo Boi Caprichoso, o Wat’amã  emerge como uma metáfora da resistência dos povos originários da Amazônia, onde a dor ritualizada se transforma em símbolo de capacidade de enfrentar diversidades históricas sem romper laços com a ancestralidade. O pajé do Caprichoso Erick Beltrão conduz a cerimônia ritualística no cenário alegórico de Algles Ferreira e equipe

 

Destaques
A apresentação do item onze -toada, letra e música - com a toada tema do Caprichoso "Brinquedo que canta seu chão", de Adriano Aguiar, teve um momento especial com piano elétrico, violino e outros instrumentos musicais tocados sem o acompanhamento da marujada a princípio. Na segunda parte da toada, entrou a participação do item três.

 

A apresentação da sinhazinha Valentina Cid levitando no tablado em frente aos jurados, causou êxtase na nação azul e branca.
O ex-amo do Boi Caprichoso Raimundo Azevedo, o Rei, entoou a chamada tradicional e  tocou berrante na arena do Bumbódromo.
Encerrando a apresentação com duas horas e vinte e seis minutos, a torcida azul e branca já bradou o grito de "É Campeão" ao fim da primeira noite de apresentação.

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