Fumaça encobre Manaus e Defensoria cobra medidas contra efeitos das queimadas

Qualidade do ar chegou a níveis considerados insalubres nesta quinta-feira (17); órgão voltou a cobrar na Justiça ações do poder público para enfrentar incêndios e queimadas

Fumaça encobre Manaus e Defensoria cobra medidas contra efeitos das queimadas Foto: Lucas Silva/DPAM Notícia do dia 17/09/2026

Manaus amanheceu nesta quinta-feira (17) novamente encoberta por uma forte camada de fumaça, com registros de qualidade do ar em níveis considerados insalubres. Diante da situação, a Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) reforçou a cobrança por medidas do poder público para reduzir os impactos das queimadas sobre a população da capital e do interior do estado.

 

No bairro Compensa, zona oeste de Manaus, o monitoramento registrou pela manhã concentração de 129,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice classificado como péssimo e insalubre.

 

A exposição à poluição representa preocupação principalmente para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.

 

A Defensoria informou que, na última segunda-feira (14), por meio da Defensoria Pública Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), apresentou uma nova manifestação à Justiça em um processo iniciado em 2024. A ação pede a criação de uma Sala de Situação em Manaus para monitorar incêndios e queimadas e coordenar a comunicação das medidas adotadas para enfrentar o problema.

 

O Estado do Amazonas figura como réu no processo. Segundo a Defensoria, a medida leva em consideração a repetição dos episódios de queimadas e os prejuízos provocados pela fumaça à saúde da população.

 

O defensor público Carlos Almeida, titular da DPEIC, afirmou que a instituição cobra providências desde 2023 e defendeu uma atuação mais efetiva dos órgãos responsáveis.

 

“Acreditamos que, por conta dessa situação severa das queimadas e da poluição que assola o Amazonas, em especial a capital, todas as ações dos órgãos pertinentes devem ser tomadas. Os dados de sistemas de monitoramento de focos e de queimadas apontam que os incêndios maiores se concentram na Região Metropolitana, gerando a nuvem de fumaça”, afirmou.

 

Para o defensor, a situação atual também reforça a necessidade de respostas coordenadas do poder público. “Se as medidas liminares solicitadas em 2024 já tivessem sido deferidas, poderíamos estar vendo uma outra reação diante do que está acontecendo na capital hoje, com ações e respostas mais rápidas e adequadas do Poder Público e dos órgãos competentes”, declarou.

 

A Defensoria afirma que vem adotando medidas relacionadas ao problema desde 2023, quando chegou a solicitar intervenção federal no Amazonas diante do aumento das queimadas em diferentes regiões do estado.

 

Amazonas registra aumento dos focos de calor

O problema das queimadas não está restrito à capital. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam aumento dos focos de calor no Amazonas em 2026.

 

Entre 1º de janeiro e 9 de setembro, o estado registrou 3.908 focos, contra 2.643 no mesmo período do ano passado, crescimento de aproximadamente 47%. Somente nos primeiros nove dias de setembro foram contabilizados 1.377 focos de calor.

 

O avanço das queimadas também preocupa municípios do interior. Em Parintins, entretanto, até a publicação desta matéria, não havia sido localizado um levantamento atualizado que permitisse apontar com segurança a concentração de partículas no ar ou atribuir eventual presença de fumaça no município aos focos registrados em outras regiões do Amazonas.

 

Na capital, a Prefeitura de Manaus informou nesta quinta-feira (17) que a concentração média de partículas finas (MP2,5) chegou a 94,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice classificado como “muito ruim”. Segundo o município, a fumaça observada na capital está relacionada principalmente a áreas de queimadas em Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru.

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