Notícia do dia 03/08/2026
Uma comitiva de estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ), campus Parintins, participou do XIV Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), realizado em Brasília, entre os dias 28 e 31 de julho. O grupo reuniu estudantes de iniciação científica e da pós-graduação que apresentaram trabalhos desenvolvidos no interior do Amazonas com debates sobre relações étnico-raciais, educação e produção científica.
De acordo com a professora da Ufam, docente Fernanda Priscila Alves da Silva, a participação em eventos científicos amplia a circulação das pesquisas produzidas na Ufam e fortalece a formação acadêmica dos estudantes. “A comitiva foi composta por estudantes negros, indígenas, bolsistas de iniciação científica, estudantes de pós-graduação, pesquisadores vinculados ao grupo Encruzilhadas Amazônidas - Grupo Contracolonial de Pesquisa em Artes, Educação e Psicologia. A participação no evento é fundamental para compartilharmos as pesquisas, os estudos e os saberes desenvolvidos no interior do Amazonas. Também fortalece a rede de pesquisadores do interior e coloca esses jovens em diálogo com pesquisadores de todo o Brasil. A gente impulsiona esses jovens a acreditar em si, em um movimento de travessia das nossas produções construídas e tecidas no interior do Amazonas", afirmou.
A docente destacou ainda que o deslocamento de estudantes até eventos nacionais exige recursos financeiros e mobilização coletiva. “A participação da comitiva foi viabilizada por um edital da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE), o FORCETC, além de bolsas de iniciação científica e, claro, pelo apoio de integrantes do grupo de pesquisa, além da colaboração de professores, familiares e amigos desses jovens. Esse movimento de travessia só foi possível porque contamos com esses recursos institucionais somada a uma rede de colaboração em Parintins", explicou.
Entre os participantes esteve Kamy Wará, estudante indígena do curso de Artes Visuais e bolsista de iniciação científica, que apresentou uma pesquisa sobre as artes brasileiras originárias do território amazônico. Para a estudante, o COPENE proporcionou contato com pesquisadores de diferentes regiões do país e contribuiu para o aprofundamento das discussões sobre educação e relações étnico-raciais.
"Apresentei minha pesquisa sobre as artes brasileiras originárias do nosso território. Essa discussão contribui para o ensino e para a implementação da Lei nº 11.645/08. Participar do congresso foi uma oportunidade de ampliar conhecimentos e compartilhar essa experiência com a minha universidade e com o meu povo", relatou.
Para o mestrando Joneuber Reis de Vasconcelos, ligado ao Mestrado em Ensino de Artes (PROFARTES/Ufam), participar do XIV COPENE, foi uma experiência profundamente transformadora para minha trajetória como pesquisador, educador e artista amazônida.
“Cheguei ao evento com a expectativa de apresentar uma pesquisa desenvolvida no âmbito do PROFARTES/Ufam. No entanto, encontrei algo ainda maior: um espaço de encontro entre diferentes territórios, saberes, experiências e trajetórias que reafirmam a potência da produção intelectual negra brasileira. nAo longo dos dias de congresso, tive a oportunidade de dialogar com pesquisadores(as), professores(as), estudantes, lideranças comunitárias e ativistas de diversas regiões do país. Esses encontros evidenciaram que a luta por uma educação antirracista, pela valorização dos saberes afro-brasileiros e pela promoção da igualdade racial não acontece de forma isolada. Ela é construída coletivamente, por meio de redes de afeto, pesquisa, resistência e compromisso social”, destacou o discente.
Joneuber Reis de Vasconcelos falou ainda que como pesquisador da Amazônia, foi especialmente significativo perceber que as experiências desenvolvidas em nossos territórios dialogam com debates nacionais e contribuem para a construção de novos caminhos para a educação e para a pesquisa. “O COPENE mostrou a importância de produzir conhecimento comprometido com a realidade social, com as ancestralidades que nos constituem e com a transformação das estruturas que ainda produzem desigualdades. Também reconheço a importância da professora Fernanda, minha orientadora, e do Grupo de Pesquisa Encruzilhadas Amazônidas, espaços fundamentais para minha formação acadêmica e humana. Foi a partir dessas experiências coletivas que encontrei o incentivo necessário para ampliar horizontes, construir diálogos e compreender a pesquisa como um exercício de escuta, partilha e responsabilidade com os territórios de onde venho. Retorno da Universidade de Brasília fortalecido, inspirado e ainda mais comprometido com a construção de práticas educativas antirracistas. Volto com novas aprendizagens, novas parcerias e a certeza de que a universidade pública continua sendo um espaço essencial para a produção de conhecimentos capazes de promover justiça social, diversidade e democracia ", finalizou.
Além da apresentação de trabalhos científicos, os estudantes participaram de conferências, mesas de debate e atividades voltadas à produção de conhecimento sobre questões étnico-raciais brasileiras. Já as docentes da Ufam, Fernanda Priscila Alves da Silva (Ufam) e Clarissa Lopes Suzuki (Ufam), coordenam a sessão temática “Encruzilhadas Epistêmicas: Sabores, Saberes e Travessias Contra Coloniais Afro Diaspóricas na Formação de Professores”.
Confira a lista de trabalhos apresentados:
- Coordenação de Simpósio Temático
Encruzilhadas Epistêmicas: Sabores, Saberes e Travessias Contracoloniais Afrodiaspóricas na Formação de Professores
Fernanda Priscila Alves da Silva (UFAM)
Clarissa Lopes Suzuki (UFAM)
Sérgio Bernardo de Almeida (UEA)
Trabalhos apresentados:
Doença falciforme na escola pública: a desconstrução do mito racial na perspectiva decolonial da Lei nº 10.639/2003
Autora: Suanny da Silva Alves
Orientadora: Fernanda Priscila Alves da Silva
(Auto) Biografia e Permanência: Inquietações sobre Acesso e Inclusão de estudantes Afro-indígenas no Baixo Amazonas
Autor: Jhônisson Abel Matos de Souza
Orientadora: Fernanda Priscila Alves da Silva
Escrevivência e ancestralidade: memória, educação e resistência na trajetória de Esmeralda Mendes
Autora: Amanda Mendes Soares
Orientadora: Fernanda Priscila Alves da Silva
Pelos Atos dos Quadrinhos: Arte e Pedagogia Contracolonial Afro-Indígena na Escola Afro-Amazônica
Autor: Joneuber Reis de Vasconcelos
Orientadora: Fernanda Priscila Alves da Silva
Maternidade e Vida Universitária: escrevivências de uma mulher negra, desafios de permanência e interseccionalidade no ICSEZ/UFAM
Autora: Celine Chris Siqueira da Silva
Orientadora: Fernanda Priscila Alves da Silva
Aplicabilidade das leis 10.639/03 e 11.645/08 nas licenciaturas do ICSEZ/UFAM: o que dizem os professores em formação.
Autora: Paula Paloma Nascimento da Silva
Orientadora: Fernanda Priscila Alves da Silva
Arte, Umbanda e Pedagogias Contracoloniais: saberes afro-amazônicos na aula de arte
Autor: Kedson Pires de Oliveira
Orientadora: Clarissa Lopes Suzuki
Paleta Natural: os saberes tradicionais Sateré-Mawé na educação das artes
Autor: Heliton José Beltrão Carneiro
Orientadora: Clarissa Lopes Suzuki
Diversidade Cultural Amazônica e o Processo Criador nas Aulas de Artes
Autor: Pedro da Silva Farias Junior
Orientadora: Clarissa Lopes Suzuki
Cerâmica Indígena Amazônica: experiências ancestrais nas aulas de Artes
Autora: Kamy Wará
Orientador: Pedro da Silva Farias Junior