Foto: Divulgação/Assessoria
Notícia do dia 05/09/2026
Celebrado neste sábado, 5 de setembro, o Dia da Amazônia chama a atenção para os desafios enfrentados pelo bioma diante do avanço das mudanças climáticas. No Amazonas, os efeitos de eventos extremos atingem diretamente a população, principalmente comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dos rios para transporte, alimentação e acesso a serviços básicos.
Secas severas, temperaturas elevadas, queimadas, desmatamento e perda de umidade do solo estão entre os fatores que aumentam a pressão sobre a floresta. Além dos danos ambientais, períodos prolongados de estiagem interferem na navegação, no abastecimento das cidades e comunidades e na produção de alimentos.
Para a economista e pós-doutora em Desenvolvimento Regional Michele Aracaty, evitar que a Amazônia se aproxime de um chamado “ponto de não retorno” exige medidas que aumentem a capacidade de resistência e recuperação da floresta.
“As principais estratégias científicas incluem: desmatamento zero e combate à degradação, restauração de paisagens e reflorestamento, com foco nos corredores florestais para reconectar fragmentos isolados de mata, além da recomposição rápida de espécies arbóreas nativas em áreas degradadas e a promoção da agricultura regenerativa integrada à floresta como alternativa viável a monoculturas”, destacou.

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Impactos chegam à economia e à mesa da população
Os efeitos de uma estiagem severa não ficam restritos ao meio ambiente. No Amazonas, a redução acentuada dos níveis dos rios pode dificultar o transporte de passageiros e mercadorias e elevar os custos logísticos, com reflexos sobre o abastecimento e os preços dos produtos.
Nas comunidades ribeirinhas e indígenas, as consequências podem ser ainda mais graves. A seca pode provocar dificuldades no acesso à água, prejuízos à agricultura familiar e à pesca e isolamento temporário de localidades.
Segundo Michele Aracaty, energia e alimentação estão entre os setores mais suscetíveis aos efeitos dos eventos climáticos extremos.
“As áreas de energia e alimentos são as mais afetadas. No caso da energia elétrica, fica mais cara devido ao uso de usinas térmicas quando falta água. O preço da comida sobe nos mercados locais em função do desequilíbrio da produção agrícola e do encarecimento do transporte de mercadoria”, explicou.
Adaptação das cidades
Os efeitos das altas temperaturas também colocam em discussão a necessidade de preparar as cidades amazônicas para períodos de calor extremo.
Entre as medidas apontadas para reduzir as chamadas ilhas de calor estão a ampliação da arborização urbana, implantação e preservação de áreas verdes, criação de parques, utilização de espécies nativas e planejamento das construções de forma a favorecer a circulação natural do ar.
Na avaliação da pesquisadora, enfrentar o problema exige uma estratégia que vá além da redução das emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global.
“Para reverter essa situação é necessário adotar ações estruturais que integrem conservação, economia e ciência de forma coordenada. Somente diminuir as emissões globais já não é o bastante, pois o bioma e suas comunidades precisam se adequar a uma nova realidade, caracterizada por eventos climáticos extremos”, concluiu Michele Aracaty.
O Dia da Amazônia reforça, assim, um debate que ultrapassa a preservação da floresta: os efeitos das mudanças climáticas atingem diretamente a economia, o abastecimento, a mobilidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas que vivem na região.