CCJ do Senado aprova fim da escala 6x1

Proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, reduz jornada de 44 para 40 horas e ainda precisa ser votada em dois turnos no plenário do Senado

CCJ do Senado aprova fim da escala 6x1 Foto: Geraldo Magela/Agência Senado Notícia do dia 02/09/2026

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho para um de descanso, conhecida como escala 6x1.

 

A proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e reduz a jornada máxima de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais. O texto prevê uma regra de transição de 14 meses.

 

A votação na CCJ foi simbólica. Dos 27 senadores presentes, quatro registraram votos contrários: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).

 

Omar Aziz rejeita 36 emendas

Relator da PEC, o senador pelo Amazonas Omar Aziz (PSD) rejeitou as 36 emendas apresentadas durante a tramitação na comissão, incluindo propostas que buscavam manter a possibilidade da escala 6x1 ou permitir jornadas superiores a 40 horas semanais.

 

“Até porque todas as emendas que foram apresentadas, as 36 emendas, nenhuma pede mais benefício para o trabalhador”, justificou Aziz.

 

O senador amazonense também rejeitou uma emenda que ampliava de 14 meses para até quatro anos o período de transição para implementação das novas regras. Sugestões para deixar a regulamentação para uma lei complementar e conceder compensações fiscais às empresas também não foram acolhidas.

 

Durante a discussão, Aziz rebateu argumentos de que a redução da jornada poderá comprometer a economia brasileira.

 

“Quando se criou o 13º salário, diziam que o Brasil ia quebrar, ia ter problema. Depois que se reduziu de 48 horas para 44 horas, também [apontaram] os mesmos problemas. O Brasil é muito forte e tem uma massa trabalhadora que nos dá muito orgulho”, afirmou.

 

Divergências sobre impactos na economia

A proposta dividiu opiniões durante a reunião da CCJ.

O líder da oposição, senador Rogério Marinho, criticou o tempo destinado à discussão e argumentou que a redução da jornada poderá provocar aumento de custos, inflação, desemprego e informalidade.

 

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), por outro lado, defendeu que a mudança representa mais qualidade de vida para os trabalhadores, principalmente para mulheres que enfrentam dupla ou tripla jornada.

 

O senador Jaime Bagattoli também se posicionou contra a PEC e argumentou que a redução de 44 para 40 horas poderá aumentar os custos das empresas e afetar a produção.

 

Escala 6x1 ainda não acabou

A aprovação desta quarta-feira não significa que o fim da escala 6x1 já esteja em vigor.

 

Com a aprovação na CCJ, a PEC segue para análise do plenário do Senado, onde precisará passar por dois turnos de votação.

 

Por se tratar de uma mudança na Constituição, a proposta precisa alcançar o número mínimo de votos exigido para uma emenda constitucional antes de concluir sua tramitação no Congresso.

 

Com informações da Agência Brasil

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