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Notícia do dia 04/11/2026
O Teatro Amazonas, um dos principais símbolos históricos e culturais de Manaus, recebeu oficialmente, nesta terça-feira (3 de novembro), o certificado de Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A entrega ocorreu durante solenidade na capital amazonense, com a presença do governador Roberto Cidade e da representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto.
O reconhecimento internacional, aprovado em 27 de julho de 2026, contempla o Teatro Amazonas e o Theatro da Paz, em Belém, no Pará, além dos espaços públicos associados aos dois monumentos: o Largo de São Sebastião, em Manaus, e a Praça da República, na capital paraense.
A inclusão dos conjuntos arquitetônicos na lista da Unesco representa um marco para a preservação do patrimônio histórico da Amazônia e amplia a projeção internacional da região, tradicionalmente reconhecida por sua biodiversidade, mas também detentora de um importante patrimônio cultural.
Inaugurado em 1896, durante o ciclo da borracha, o Teatro Amazonas completa 130 anos em 2026. Sua arquitetura e trajetória estão diretamente relacionadas às transformações econômicas, sociais e culturais que marcaram a região no final do século XIX.

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Reforma do Teatro Amazonas
Durante a cerimônia, o governador Roberto Cidade anunciou a intenção de autorizar uma reforma integral do Teatro Amazonas antes do encerramento de sua gestão. Segundo ele, uma intervenção dessa dimensão não ocorre desde a década de 1990.
O anúncio, entretanto, ainda depende de formalização junto à Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Não foram apresentados, durante a solenidade, valores previstos para o investimento, cronograma de execução ou detalhes técnicos das intervenções.
A proposta ganha relevância diante do reconhecimento internacional, que reforça a responsabilidade do poder público pela conservação e gestão do patrimônio histórico.
Mais investimentos na cultura amazonense
Outro ponto abordado pelo governador foi a distribuição dos recursos de incentivo à cultura por meio da Lei Rouanet. Roberto Cidade defendeu maior participação das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) no financiamento de projetos culturais desenvolvidos no próprio Amazonas.
Segundo o governador, empresas com unidades na capital amazonense destinam recursos a iniciativas culturais de outras regiões do país, enquanto artistas e produtores locais enfrentam dificuldades para obter patrocínio.
“Faço um apelo para que os recursos da Lei Rouanet permaneçam no Amazonas e beneficiem os artistas locais”, declarou.
A manifestação coloca em discussão a distribuição regional dos investimentos culturais e a necessidade de ampliar as oportunidades de financiamento para artistas, grupos e instituições que atuam na Amazônia.

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Mais de uma década de articulação
A conquista é resultado de um processo que envolveu instituições federais, estaduais e municipais. As primeiras articulações remontam a 2010, e os teatros passaram a integrar a Lista Indicativa brasileira em 2015.
A candidatura foi coordenada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, com participação dos governos do Amazonas e do Pará.
A decisão definitiva ocorreu durante reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, realizada em Busan, na Coreia do Sul. Com a inclusão dos Teatros da Amazônia, o Brasil passou a contar com 26 sítios reconhecidos como Patrimônio Mundial, sendo 16 culturais, nove naturais e um misto. Ministério das Relações Exteriores +1
Patrimônio histórico e desafios de preservação
Mais do que uma distinção internacional, o reconhecimento estabelece um compromisso permanente com a conservação dos monumentos e de seus entornos históricos.
O Teatro Amazonas e o Theatro da Paz representam um período de expansão econômica impulsionado pela exploração da borracha, quando Manaus e Belém passaram por profundas transformações urbanas e arquitetônicas.
A história desse período também está associada a desigualdades sociais e à exploração de trabalhadores, aspectos que integram a compreensão da formação histórica da Amazônia.
A representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto, destacou que o reconhecimento identifica o valor universal dos conjuntos arquitetônicos, que passam a integrar oficialmente o patrimônio cultural de interesse de toda a humanidade.
Para o Amazonas, o novo título amplia as possibilidades de valorização do turismo histórico e cultural. Ao mesmo tempo, coloca em evidência a necessidade de investimentos contínuos na preservação, na manutenção dos espaços e no acesso da população às atividades culturais.
A solenidade de entrega do certificado também contou com apresentações do espetáculo cênico-musical “Sons do Amazonas”, reunindo a AmazonasBand, o Balé Folclórico do Amazonas e artistas locais. Uma Feira de Economia Criativa foi realizada no Largo de São Sebastião.
O desafio, a partir de agora, será transformar o reconhecimento internacional em ações concretas de conservação, valorização dos artistas e ampliação do acesso à cultura, para que o patrimônio histórico da Amazônia continue vivo e acessível às próximas gerações.
Fonte: Informações da Secom-AM, Ministério da Cultura, Iphan e Unesco.