Foto: Júnior Ferreira – SEMSA/SECOM
Notícia do dia 24/10/2026
Profissionais de saúde de Parintins participaram, nesta sexta-feira (23), de uma capacitação sobre a testagem de G6PD e a implementação da tafenoquina pediátrica, medicamento utilizado no tratamento de determinados casos de malária. O treinamento busca preparar as equipes para a adoção da nova estratégia terapêutica, com atenção à segurança dos pacientes e à redução do tempo de tratamento.
A atividade foi realizada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP).
Um dos principais pontos da capacitação foi a testagem da enzima G6PD, necessária para avaliar a segurança do uso da tafenoquina. Pacientes com deficiência dessa enzima podem apresentar complicações, como a destruição de glóbulos vermelhos, quando expostos a determinados medicamentos.
A tafenoquina é utilizada em situações específicas de malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, conforme critérios clínicos e protocolos do Ministério da Saúde.
Parintins atende pacientes de outras regiões
A coordenadora municipal de Vigilância em Saúde, Elaine Pires, explicou que Parintins não registra casos autóctones de malária, caracterizados pela transmissão dentro do próprio município, mas recebe pacientes infectados em outras localidades, incluindo municípios vizinhos e regiões do oeste do Pará.
Segundo ela, a preparação dos profissionais é necessária para garantir a oferta dos testes e medicamentos aos pacientes atendidos na rede municipal.
“Nosso objetivo com esse treinamento é implantar o novo tratamento para atender a população de Parintins e também as pessoas de cidades vizinhas e do oeste do Pará que procuram nossos serviços para o diagnóstico da malária”, afirmou.
Tratamento e adesão dos pacientes
A coordenadora do Programa Estadual de Eliminação da Malária do Amazonas, Myrna Barata, destacou que a ampliação do uso da tafenoquina pode contribuir para melhorar a adesão dos pacientes ao tratamento.
A estratégia busca reduzir as dificuldades relacionadas ao cumprimento de esquemas terapêuticos mais prolongados, um dos desafios enfrentados no controle da doença.
O representante do Ministério da Saúde, Giovanni San Miguel, explicou que a implementação da tafenoquina pediátrica permite, nos casos indicados, a utilização de um esquema terapêutico mais curto, conforme os protocolos estabelecidos.
Ele também ressaltou a importância da integração entre agentes de combate às endemias, agentes comunitários e indígenas de saúde, equipes da Semsa e do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Parintins.

Foto: Júnior Ferreira – SEMSA/SECOM
Segurança no uso do medicamento
A testagem de G6PD é uma etapa essencial antes da administração da tafenoquina. O procedimento permite identificar pacientes com deficiência da enzima, condição que pode provocar reações graves ao medicamento.
A indicação da tafenoquina depende ainda de critérios como idade, diagnóstico, condições clínicas e avaliação dos profissionais de saúde.
A capacitação integra as estratégias de enfrentamento da malária no Amazonas, estado onde a doença continua representando um desafio para a saúde pública, especialmente em áreas rurais, ribeirinhas e indígenas.