Primavera começa com previsão de calor acima da média e chuvas irregulares

Previsão indica chuva acima da média no Sul e abaixo do esperado em áreas do Norte, Mato Grosso e MATOPIBA

Primavera começa com previsão de calor acima da média e chuvas irregulares Foto: Marquezan Araújo/Brasil 61 Notícia do dia 23/09/2026

A primavera começou na noite desta terça-feira (22) e deve trazer temperaturas acima da média em grande parte do Brasil. O período também deve apresentar mudanças na distribuição das chuvas. A estação segue até o dia 21 de dezembro e marca a transição entre os períodos seco e chuvoso, principalmente no Brasil Central.

 

As informações constam no Prognóstico Climático da Primavera de 2026, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

 

Com o avanço da primavera, aumenta gradualmente a umidade e as chuvas retornam a diferentes áreas do país. O fluxo de umidade vindo da Amazônia tende a se intensificar, o que contribui para a formação de chuva no Centro-Oeste, Sudeste e em parte do centro-sul da Região Norte.

 

Além disso, podem ocorrer os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul, a ZCAS, sistema meteorológico associado a períodos prolongados de chuva.

 

Na Região Sul, a combinação entre massas de ar com características térmicas diferentes, frentes frias e áreas de baixa pressão pode provocar chuva intensa, rajadas de vento, descargas atmosféricas e queda de granizo. Esse cenário também pode favorecer eventos de tempo severo, como microexplosões, caracterizadas por correntes de ar descendentes muito intensas, e tornados.

 

Chuva deve variar entre as regiões

Para o trimestre entre outubro e dezembro, a previsão indica os maiores acumulados de chuva no oeste e sul da Região Norte, em toda a Região Centro-Oeste, na Região Sul e em partes do Sudeste.

 

Os menores volumes são esperados para o Nordeste, principalmente no leste e norte da região, que atravessam o período mais seco do ano durante o trimestre. A previsão também aponta baixos acumulados para o extremo norte da Amazônia.

 

Quando comparada à média climatológica, a previsão aponta anomalias de precipitação na Região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul e leste do Paraná. Nesses locais, os acumulados podem ficar até 200 milímetros acima da média histórica do trimestre.

 

Também são esperadas chuvas acima da média em Mato Grosso do Sul, no sul de Goiás, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no centro-sul de Minas Gerais e no leste do Nordeste, entre o Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

 

Em sentido contrário, a precipitação deve ficar abaixo da média em grande parte da Região Norte, em Mato Grosso e na área agrícola do MATOPIBA, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

 

O déficit de chuva pode chegar a 200 milímetros em Roraima, no norte e leste do Amazonas, no norte e oeste do Pará e no Amapá.

 

Temperaturas acima da média

A previsão para outubro, novembro e dezembro também indica temperaturas acima da média em grande parte do país. As maiores anomalias positivas devem ocorrer na Região Norte e em áreas do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, onde as temperaturas podem superar em 1°C a média climatológica.

 

De acordo com o levamtamento, o cenário pode favorecer ondas de calor e aumentar o desconforto térmico. A combinação de ar quente e úmido, principalmente durante a passagem de frentes frias, também pode contribuir para a formação de tempestades e outros eventos de tempo severo.

 

No Rio Grande do Sul, a previsão indica temperaturas próximas da média nas regiões central e leste. Já o oeste e o sul do estado devem registrar temperaturas abaixo da média.

 

El Niño interfere na distribuição das chuvas

O prognóstico também considera a influência do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial. As projeções indicam elevada probabilidade de ocorrência de um evento de intensidade muito forte durante o trimestre OND de 2026.

 

O fenômeno altera os padrões de circulação atmosférica e pode modificar a distribuição das chuvas no Brasil. De forma geral, o El Niño está relacionado à redução das precipitações no Norte e no Nordeste e ao aumento dos volumes de chuva na Região Sul.

 

A previsão para a primavera apresenta características compatíveis com esse padrão, de acordo com a distribuição das anomalias de precipitação.

 

A atuação da ZCAS também pode sofrer alterações. Uma possível posição mais ao sul do que a observada normalmente pode favorecer chuvas acima da média no sul do Centro-Oeste e do Sudeste. Ao mesmo tempo, as áreas mais ao norte dessas regiões podem registrar precipitação abaixo da média.

 

Fonte: Agência Brasil 61

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