Foto: Secom/PMP
Notícia do dia 06/09/2020
Atualizado às 08h26min
As autoridades não confirmam, mas o município de Parintins vive segunda onda do novo coronavírus, cujo pico da pandemia ocorreu entre os dias 15 de maio e 15 de junho, com médias diárias de 48 infecções e 45 de internações.
O boletim epidemiológico deste domingo (06/09), divulgado pela prefeitura, por meio da Vigilância em Saúde e Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), aponta para 19 contaminações, com isso o total chega a 4.239 em toda a pandemia.
O município de Parintins havia registrado no começo de julho os mais baixos índices de pessoas infectadas, inferiores a 10 casos, mas depois do dia 13 voltaram a crescer, tanto na zona urbana quanto na zona rural.
No dia 26 de agosto, por exemplo, foram 47 casos. Já no mês de setembro, os maiores registros ocorreram nos dias 2 (com 39 infecções); 3 (33 infecções) e 4 (37).
Parintins ocupa o segundo lugar em número de casos do novo coronavírus, superado apenas por Coari que contabiliza 6.937 pessoas infectadas. Desde o primeiro registro, em 22 de março, a cidade permanece quase que na mesma posição.
Nesta edição do boletim, Parintins registra 1 óbito nas últimas 24 horas, mas no total, a cidade conta 116 perdas, e também é segundo lugar na lista com número de mortes, atrás de Manacapuru, pertencente à região metropolitana de Manaus, que contabiliza 151 vítimas fatais. Os números foram divulgados na sexta-feira (04/09) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Estado do Amazonas. No sábado não foi divulgado o boletim da FVS-AM.
Dentre os municípios que permaneceram grande parte do tempo nas primeiras posições, como Manacapuru (que foi epicentro da pandemia no interior do estado), Parintins, Itacoatiara, Tefé e Coari, somente Parintins e Coari não deixaram os primeiros lugares da lista.
O relatório diário aponta que 50 pessoas estão internadas em leitos de enfermaria do hospital regional Jofre Cohen, única unidade de referência no tratamento da Covid-19, cuja taxa de ocupação chega a 51,54%, uma das mais altas nessa segunda onda da Covid-19 em Parintins.
Na primeira quinzena de agosto, a taxa de internação foi a mais baixa, com 16 e 17 registros, portanto a taxa de ocupação de leitos de enfermaria ficou entre 16,49% a 17,52%.
O boletim diário da Covid-19, divulgado no domingo, confirma a recuperação de mais 13 parintinenses nas últimas 24 horas, chegando a 4.033 o número de pessoas recuperadas da doença. Esta quantidade representa 95,14% dos casos confirmados da doença.
Em Parintins, a curva de crescimento do coronavírus coincide com o relaxamento das medidas restritivas impostas pelo Comitê Gestor de Combate à Covid-19, presidido pelo prefeito Bi Garcia (DEM).

Pedido de Socorro
A primeira autoridade em saúde a reconhecer situação agravante foi a diretora do hospital Jofre Cohen, Joseane Mascarenhas. Em um post feito em sua conta de Facebook disse estar impressionada com o aumento de casos, e ressalta que a doença ‘parece’ não assustar mais a população sobre a sua letalidade.
Joseane faz um desabafo diante de tanto desrespeito à vida e ao descumprimento das medidas de restrições, ainda em vigor em Parintins, pois é notório observar pessoas sem máscara e aglomerações em diversos pontos da cidade.
“Impressionante como os novos casos, novos óbitos e a taxa de ocupação de leitos no hospital não causam mais espanto a quase ninguém. Infelizmente, nossa população está menosprezando um vírus mortal”, comenta.
Ela destaca que, com o aumento dos casos, as equipes nos hospitais ficam sobrecarregadas e na demora por atendimento a população reclama, grita suas dores porque não quer seguir os protocolos médicos.
“Infelizmente, após a procura por testes e atendimentos, a culpa da sobrecarga recai aos que estão no front de batalha. Não podemos reclamar, apenas temos que aceitar que pessoas que não seguem à risca os decretos, as orientações da equipe multidisciplinar falem o que pensam, gritem suas dores, porque não querem esperar para ser atendidos ou seguir os protocolos médicos”, desabafa.
Joseane lamenta o descumprimento das medidas de combate à doença, que já infectou mais 4,2 mil parintinense em cinco meses e meio, e cita, como exemplo, as praias cheias, embarcações lotadas, balneários, festas em família regadas a bebidas; locais que deveriam estar fora da agenda dos parintinenses.
“Temos que lembrar nunca esquecer, temos o livre arbítrio. E é exatamente por causa do livre arbítrio que as praias estão cheias, embarcações lotadas para a zona rural, balneários, casas de amigos, churrascos, bebidas, locais que deveriam ser evitados, mas não estão sendo. E a conversa rola solta, altas gargalhadas, bebidas,...prato cheio para o coronavírus”, comenta, acrescenta que “não devemos esquecer que após alguns dias, todos correm para os hospitais, todos correm a procura de teste, de medicações....e os profissionais cansados, exauridos e esgotados de atender dia a dia, pessoas que poderiam, sim, ter evitado a contaminação, tem que estar sorridente, dispostos para atender a todos, sem reclamar. Ninguém se coloca no lugar do próximo...”, salienta.
A profissional em saúde recomenda que as pessoas devem ser mais responsáveis consigo mesmas e que a contaminação ocorre porque as recomendações são coladas em segundo plano.
“Pois se você se contaminou, foi porque não seguiu as orientações de uso de máscara, esqueceu de lavar suas mãos, de usar álcool para higienização. Mas a culpa também não é sua...porque ninguém imaginou vivenciar uma pandemia. Não culpe quem trabalha para cuidar da sua saúde. Não culpe uma gestão que trabalha diuturnamente para nada faltar. Não culpe o prefeito, que só pensa em salvar vidas. Culpe quem não quer se cuidar, que em vez de se cuidarem, querem fazer selfie em lugares aglomerados, só porque tem calor, e o que é pior...sem uso da máscara”.
A enfermeira ressalta que não quer admitir perder essa batalha para um vírus não racional, para um ser não pensante. E completa “respeitem os profissionais de saúde, toda equipe está lá por vocês. Para cuidar de vocês....e não pergunta como foi que se contaminaram...apenas pensam em salvar suas vidas. Mas é também nossa missão...e missão não se paga...missão é feita com amor... o pagamento é apenas pelos serviços que prestamos. Missão e amor não há dinheiro que pague”, completa.