Foto: Zeila Cardoso/cedida
Notícia do dia 08/11/2021
Parintinenses que foram a Manaus velar seus entes queridos, no Dia de Finados, sepultados no Cemitério Parque Tarumã, ficaram perplexos pela situação de abandono em que se encontram as catacumbas.
Parintinenses que morreram em decorrência da Covid-19 e os corpos não puderam ser trazidos para junto de seus parentes, muitos dos quais sepultados em covas rasas, sem que pudessem ser velados de forma digna, até hoje as famílias enfrentam dificuldades para reverenciar seus mortos.
A secretária Municipal de Assistência Social, Trabalho e Habitação (Semasth), Zeila Cardoso, na companhia de sua mãe, foi visitar o túmulo do seu pai, falecido no ano passado, uma das vítimas na primeira onda da Covid-19.
Zeila afirma que alguns parintinseses não tiveram a liberação para o translado do corpo para seus municípios de origem e seu pai foi um deles.
“A situação é triste, é lamentável como é que eles estão tratando essas pessoas que faleceram”, destaca Zeila.
A secretária da Semasth faz um desabafo, onde ressalta que o local onde está o corpo do seu pai e de outros parintinense, há quase dois anos, não recebeu nenhuma tipo de serviço.
“Quem morreu de Covid ficou pra área de trás, inclusive teve aquela situação das valas coletivas, mas tem outra área que foi enterrado varios corpos de pessoas acometidas de Covid”, destaca Zeila Cardoso.
Na quadra destinada para sepultamento de pessoas acometidas da Covid-19 fica numa área de difícil acesso, nos fundos do cemitério, inclusive no dia em Zeila foi ao campo santo diversas sepulturas estavam com excesso de água da chuva.
“Os familiares não podem fazer nenhum tipo de estrutura de catacumba essas coisas, não podem! Tem que permanecer em caixilhos”, destaca.
De acordo com a parintinense que foi a Manaus prestar homenagem ao seu ente querido disse que seu pai tem uma história que foi vivenciada com a família. Porém, o local onde o corpo está sepultado foi esquecido pelo poder público em Manaus.
“Não tivemos oportunidades de despedidas, não tivemos oportunidades de escolha de cemitério de nada, além disso, tudo temos que ficar olhando calados o abandono total”, reitera a secretária.
No seu retorno a Parintins, a secretária da Semasth demonstra sua indignação pela situação de abandono em que se encontra a sepultura de seu pai. O local não recebeu nenhum tipo de serviço desde que as pessoas foram sepultadas.
O Cemitério Parque Tarumã foi fundado em 1976, possui 70 quadras, perfazendo uma área de 105 mil, 433 hectares; do tamanho de 15 campos de futebol.
De acordo com o G1 Amazonas, os corpos de vítimas da Covid-19 que foram enterrados empilhados em valas comuns em Manaus, em abril do ano passado, serão exumados para enterro em covas individuais. A medida foi anunciada pelo prefeito David Almeida na terça-feira (2), Dia de Finados.
Naquela época, a cidade enfrentava a primeira onda da Covid-19, e o sistema funerário entrou em colapso, assim como o de saúde.
Por conta do recorde de mortes diárias o cemitério do Tarumã, maior cemitério público da cidade, passou a enterrar caixões em valas comuns. Em meio ao caos, 18 caixões foram enterrados empilhados, mas a medida foi cancelada após revolta das famílias.
A princípio, a prefeitura identificou 15 corpos empilhados. Segundo David, as famílias ainda serão procuradas e a Justiça também será acionada.
“Manaus está numa situação mais tranquila, em relação a tudo que se passou no ano passado e no início deste ano. Mas ainda tinha essa marca, dessas famílias que tiveram que ver o sepultamento de seus entes queridos em uma vala comum”, disse.
O prefeito informou que há um espaço no cemitério para o enterro nas covas individuais, mas não repassou datas ou prazos para a exumação.
Gravações em anexo:
Zeila Cardoso 1
Zeila Cardoso 2
Zeila Cardoso 3
Zeila Cardoso 4
Zeila Cardoso 5