Foto: Nathalie Brasil
Notícia do dia 08/10/2026
A deputada estadual Mayra Dias (PSD) cobrou, nesta quinta-feira (8), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), medidas mais efetivas de combate às queimadas e à fumaça que atingem Manaus e municípios do interior do Estado. A parlamentar também exigiu do Governo do Amazonas a apresentação de um plano de ação para enfrentar os impactos da estiagem, que já afeta comunidades e atividades econômicas em diferentes regiões.
Durante o pronunciamento, Mayra chamou atenção para o aumento dos focos de calor e a deterioração da qualidade do ar, destacando a situação de Parintins, onde incêndios em áreas rurais têm provocado prejuízos e preocupação entre os moradores.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados pela deputada, foram registrados 757 focos de queimadas no Amazonas nas últimas 24 horas, sendo apenas dois em Manaus. A parlamentar ressaltou que a fumaça produzida pelos incêndios pode se espalhar por grandes distâncias, atingindo municípios onde não há concentração de focos.
De acordo com Mayra, Manaus e Parintins registraram índices de qualidade do ar classificados entre ruins e péssimos. Nesta quinta-feira, conforme informações apresentadas pela deputada, a capital amazonense chegou a ocupar a primeira posição entre as cidades mais poluídas do Brasil.
Incêndio em Parintins preocupa comunidades rurais
Um dos casos destacados pela parlamentar foi o incêndio de grandes proporções registrado na comunidade São Sebastião do Quebra, na região da Gleba de Vila Amazônia, em Parintins.
O fogo atingiu áreas de produção agrícola, provocou prejuízos aos agricultores e ameaçou residências. O combate mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, com apoio de brigadistas e de órgãos municipais.
Apesar do controle das chamas, a fumaça continuou afetando moradores da região, segundo o relato apresentado pela deputada.
Mayra defendeu que o trabalho de combate aos incêndios seja acompanhado de fiscalização e investigação para identificar eventuais responsáveis pela origem do fogo.
“Combater o fogo é necessário, mas investigar, fiscalizar e responsabilizar quem provoca esses incêndios também é parte da solução”, afirmou.
A parlamentar destacou a necessidade de apurar possíveis crimes ambientais, especialmente em situações nas quais o uso irregular do fogo coloca em risco comunidades, propriedades rurais e áreas de vegetação.
Estiagem já atinge 22 municípios
Além das queimadas, Mayra Dias cobrou providências para enfrentar os efeitos da estiagem no Amazonas. Segundo a deputada, 22 municípios já se encontram em situação de emergência.
A parlamentar lembrou que, em abril deste ano, apresentou o Requerimento nº 1.513/2026, solicitando informações ao Governo do Estado sobre as medidas preventivas previstas para o período de seca.
De acordo com Mayra, até esta quinta-feira, o pedido ainda não havia recebido resposta.
A deputada alertou que a redução dos níveis dos rios pode comprometer o transporte fluvial, o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos, além de dificultar o acesso à água e aos serviços essenciais em comunidades isoladas.
“Não podemos esperar a emergência chegar para agir. Precisamos saber qual é o plano de ação do Governo do Estado. A estiagem faz parte da realidade amazônica e precisamos nos antecipar para proteger a nossa população”, declarou.
Prevenção e planejamento são cobrados
A cobrança ocorre em meio à preocupação com a intensificação da estiagem e seus possíveis reflexos sobre a saúde pública, a produção rural e a circulação de pessoas e mercadorias no interior do Amazonas.
Em municípios como Parintins, a dependência do transporte fluvial torna a redução dos níveis dos rios um fator de preocupação para moradores das comunidades rurais.
Mayra defendeu que as ações governamentais sejam planejadas antecipadamente, com medidas de prevenção, monitoramento ambiental, fiscalização e assistência às populações mais vulneráveis.
A parlamentar também reforçou a necessidade de responsabilização nos casos em que as investigações comprovarem a ocorrência de incêndios criminosos.
As cobranças apresentadas na Assembleia Legislativa colocam em discussão a capacidade de resposta do poder público diante de problemas ambientais que se repetem durante os períodos de seca no Amazonas.
Até as informações disponibilizadas para esta reportagem, não havia sido apresentada a manifestação do Governo do Estado sobre as cobranças feitas pela deputada.