Lula sanciona aumento do teto do MEI e perdão de dívidas federais

Novas regras preveem limite de faturamento de até R$ 140 mil em 2028 e medidas de regularização para milhões de pequenos empreendedores

Lula sanciona aumento do teto do MEI e perdão de dívidas federais Foto: Lula Marques/Agência Brasil Notícia do dia 22/10/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira (21), um conjunto de medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), incluindo a ampliação do limite anual de faturamento, o perdão de dívidas federais e a criação de mecanismos de incentivo aos pequenos negócios. Segundo o governo federal, o pacote denominado Prospera MEI poderá alcançar 17,6 milhões de empreendedores em todo o país.

 

Uma das principais mudanças anunciadas é a elevação do teto de faturamento anual, atualmente de R$ 81 mil, para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A proposta também permite que o microempreendedor contrate até dois empregados, respeitando o salário mínimo ou o piso salarial da categoria.

 

As mudanças têm importância para os trabalhadores autônomos e pequenos comerciantes de municípios como Parintins, onde atividades ligadas ao comércio, alimentação, prestação de serviços e economia criativa representam oportunidades de geração de renda.

 

Perdão de dívidas e regularização

Outra medida anunciada é o cancelamento de débitos federais de microempreendedores individuais, incluindo contribuições atrasadas, multas, juros e encargos.

 

De acordo com as informações divulgadas pelo governo, a iniciativa poderá beneficiar mais de 3,6 milhões de MEIs, com perdão de dívidas estimado em até R$ 18,7 bilhões.

 

A previsão apresentada é que o benefício alcance débitos inscritos ou não na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, inclusive aqueles em cobrança judicial ou parcelamento.

 

Para manter o benefício, os empreendedores deverão cumprir a obrigação de pagar regularmente as contribuições mensais nos seis meses seguintes à entrada em vigor das novas regras. Dívidas estaduais e municipais não estão incluídas.

 

Novos limites começam em 2027

Conforme o cronograma anunciado, o primeiro reajuste do teto de faturamento está previsto para 1º de janeiro de 2027, quando o limite anual passará para R$ 110 mil.

 

A segunda etapa está prevista para janeiro de 2028, elevando o faturamento permitido para R$ 140 mil anuais.

 

O pacote também prevê a possibilidade de reenquadramento de empresas do Simples Nacional na categoria MEI, desde que atendam aos critérios estabelecidos.

 

Incentivos aos pequenos negócios

Além das mudanças tributárias, o governo anunciou o Desenrola 3.0, voltado à renegociação de dívidas privadas dos microempreendedores.

 

A iniciativa prevê a aquisição de aproximadamente R$ 6 bilhões em dívidas junto a instituições financeiras, mediante descontos, com expectativa de beneficiar mais de 1,6 milhão de empreendedores.

 

Outra proposta é o Pix MEI, programa que prevê repasses de até R$ 5 mil por CNPJ, mediante critérios de seleção, com prioridade para mulheres empreendedoras e pequenos negócios de menor faturamento. A regulamentação ainda está em elaboração.

 

Impacto fiscal e contexto eleitoral

O anúncio ocorre na reta final da campanha presidencial, a quatro dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo, 25 de outubro.

 

O projeto recebeu ampla aprovação no Congresso Nacional, segundo os números informados: 461 votos favoráveis e quatro contrários na Câmara dos Deputados, além de 78 votos favoráveis no Senado.

 

Apesar da expectativa do governo de estimular a formalização e recuperar atividades econômicas, o pacote também levanta questões sobre seus efeitos nas contas públicas, especialmente diante da renúncia de receitas e dos recursos necessários para financiar os programas anunciados.

 

Para os microempreendedores, a principal expectativa está na ampliação das possibilidades de crescimento dos negócios e na regularização de pendências que dificultam a continuidade das atividades.

 

Como consultar as dívidas

Os microempreendedores poderão verificar a situação de seus débitos pelos canais oficiais da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

 

As consultas podem ser realizadas pelo portal Regularize, pelo e-CAC da Receita Federal ou pelo Portal do Simples Nacional.

 

Fontes: Agência Senado, Agência Brasil, Ministério do Empreendedorismo e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

 

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