Lula reúne governadores, senadores e partidos e amplia frente de apoio para o segundo turno

Presidente mobiliza aliados de diferentes partidos para a disputa contra Flávio Bolsonaro; no Amazonas, Omar Aziz e Eduardo Braga integram o campo de apoio à reeleição de Lula

Lula reúne governadores, senadores e partidos e amplia frente de apoio para o segundo turno Foto: Divulgação/Reprodução Facebook Notícia do dia 06/10/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou a campanha do segundo turno das eleições de 2026 mobilizando governadores, senadores, dirigentes partidários e outras lideranças políticas para a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), marcada para 25 de outubro.

 

Depois do primeiro turno, a campanha passou a reorganizar sua base e buscar novas adesões. Na segunda-feira (5), Lula reuniu em Brasília integrantes do PT e aliados de diferentes partidos para avaliar o resultado das urnas e definir a atuação nas próximas três semanas.

 

Entre os governadores reeleitos que integram a mobilização estão Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia; Elmano de Freitas (PT), do Ceará; Rafael Fonteles (PT), do Piauí; e Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba. Lucas, apesar de pertencer ao PP, reafirmou o apoio a Lula depois da eleição e participou das articulações em Brasília.

 

No Ceará, Elmano declarou que trabalhará diretamente pela reeleição do presidente no segundo turno. Jerônimo Rodrigues também reafirmou o apoio após ser reeleito na Bahia.

 

Fábio Mitidieri (PSD), reeleito governador de Sergipe, também pertence ao campo político que construiu a eleição estadual em aliança com o PT. A composição sergipana aproximou Mitidieri de lideranças petistas como o senador Rogério Carvalho. O PSD, porém, não adotou uma posição nacional única no segundo turno, deixando suas lideranças estaduais livres para escolher entre Lula e Flávio.

 

Palanques nos estados

Lula também conta com aliados que continuam disputando governos estaduais no segundo turno.

 

No Amazonas, Omar Aziz (PSD) enfrenta Professora Maria do Carmo (PL). No Distrito Federal, Leandro Grass (PT) disputa contra Celina Leão (PP). No Rio Grande do Norte, Cadu Xavier (PT) enfrenta Allyson Bezerra (União Brasil). No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) disputa contra Douglas Ruas (PL). Omar, Grass, Cadu e Paes estão identificados politicamente com a candidatura de Lula.

 

O cenário mostra também a diversidade partidária da base presidencial. Além de políticos do PT, aparecem aliados do PSD, PP, PSB, MDB, Rede e outras legendas.

 

Amazonas mantém palanque de Lula

No Amazonas, Omar Aziz é o principal nome do palanque de Lula. O candidato do PSD chegou ao segundo turno para o Governo do Estado em uma aliança formada por PSD, MDB, Republicanos e Federação Brasil da Esperança — integrada por PT, PCdoB e PV. A candidatura de Omar recebeu apoio de Lula durante o primeiro turno.

 

O senador Eduardo Braga (MDB), reeleito, permanece entre as principais lideranças amazonenses ligadas ao grupo de Omar e ao campo político de apoio ao presidente.

 

A disputa estadual coloca frente a frente dois candidatos vinculados aos dois presidenciáveis: Omar está no campo de Lula, enquanto Maria do Carmo, do PL, está politicamente alinhada a Flávio Bolsonaro.

 

Senadores entram na mobilização

A articulação de Lula também ganhou o reforço de senadores eleitos ou reeleitos.

 

Participaram ou foram chamados para as reuniões de organização do segundo turno nomes como Rui Costa (PT-BA), Jaques Wagner (PT-BA), João Azevêdo (PSB-PB), Marcelo Castro (MDB-PI), Júlio César (PSD-PI), Rogério Carvalho (PT-SE) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

 

Na Paraíba, Veneziano afirmou depois da reunião que pretende intensificar a mobilização pela reeleição de Lula. João Azevêdo também integra o grupo político paraibano reunido em Brasília com o presidente e com o governador Lucas Ribeiro.

 

No Ceará, a articulação reúne, além do governador Elmano, os senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB) e a senadora eleita Luizianne Lins (Rede). O grupo esteve em Brasília para discutir a campanha do segundo turno.

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também sinalizou a interlocutores que pretende continuar apoiando Lula, mesmo diante das discussões internas de sua legenda sobre o posicionamento no segundo turno.

 

Partidos aliados

A campanha mantém ainda o apoio das legendas que formaram a base política de Lula e de partidos que participaram de sua coligação. Na reunião de segunda-feira estiveram dirigentes como Edinho Silva, presidente do PT; João Campos, presidente do PSB; Carlos Lupi, presidente do PDT; e Paula Coradi, presidente do PSOL.

 

O PSOL já iniciou mobilizações estaduais em favor da candidatura de Lula no segundo turno.

 

Além das estruturas partidárias, ministros e ex-ministros ligados ao governo participam da organização da campanha, entre eles Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Marina Silva, José Guimarães, Dario Durigan, Luiz Marinho e Alexandre Silveira.

 

PSD dividido

Um dos principais focos de atenção está no PSD. O partido disputou a Presidência no primeiro turno com Ronaldo Caiado, mas decidiu não estabelecer uma posição nacional entre Lula e Flávio Bolsonaro.

 

O presidente da legenda, Gilberto Kassab, liberou diretórios estaduais, parlamentares e filiados para escolherem individualmente quem apoiar. Isso permite que lideranças do PSD estejam em lados diferentes no segundo turno.

 

Omar Aziz e Eduardo Paes estão no campo de Lula, enquanto Ronaldo Caiado decidiu apoiar Flávio Bolsonaro. O ex-governador de Goiás ficou, portanto, fora da articulação lulista e passou a integrar o grupo de antigos candidatos à Presidência que se aproximaram do adversário do petista.

 

A governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), por outro lado, anunciou que permanecerá neutra e, até esta terça-feira, não declarou apoio nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro.

 

Frente reúne diferentes partidos

Com os posicionamentos anunciados até agora, a frente política de Lula no segundo turno reúne nomes do PT e aliados de partidos como PSB, MDB, PSD, PP, Rede, PDT, PSOL, PCdoB e PV, embora algumas dessas legendas tenham divisões internas ou não tenham adotado posição nacional uniforme.

 

A composição continuará sujeita a mudanças até a votação de 25 de outubro. Lideranças que ficaram fora do segundo turno ainda avaliam seus posicionamentos, enquanto as duas campanhas intensificam as negociações em busca de novos apoios.

 

Entre os candidatos derrotados à Presidência, Renan Santos (Missão) anunciou que não apoiará nenhum dos dois finalistas. Já Ronaldo Caiado seguiu para o campo de Flávio Bolsonaro.

 

Assim, a campanha de Lula entra no segundo turno sustentada por governadores, senadores, candidatos aos governos estaduais, ministros e dirigentes partidários, ao mesmo tempo em que procura ampliar a aliança para além das forças que já estiveram ao seu lado no primeiro turno.

Tags: