Juiz ameaça suspender abertura de 400 leitos pelo Governo no combate à pandemia do coronavírus

Juiz ameaça suspender abertura de 400 leitos pelo Governo no combate à pandemia do coronavírus Fotos: Secom/Susam/Arquivo Notícia do dia 16/04/2020

Enquanto existem várias frentes de trabalho para ampliar o número de leitos destinados às vítimas do novo coronavírus no Amazonas, o juiz de primeiro grau Cezar Luiz Bandiera suspendeu o contrato do Estado com o Hospital Nilton Lins. A decisão saiu na noite de ontem, às 21h. Na prática, o juiz interrompe o plano do Estado de combate à pandemia, com aumento da assistência à população de todo Amazonas.

 

O juiz Bandiera, da 5ª Vara da Fazenda Pública, concordou com ação popular, que sustenta ‘elevado valor do contrato’: R$ 2,6 milhões por três meses, ou R$ 866 mil por mês. O Hospital Nilton Lins é um prédio projetado para ser hospital, com capacidade para abrigar 400 leitos, clínicos e de UTI, onde funcionou o hospital da Unimed, com todos os sistemas, por exemplo, de gases instalados e funcionando.

 

Estruturas adaptadas

A título de comparação, o Governo do Rio de Janeiro anunciou na segunda-feira, 13, que a cidade carioca receberá dois novos hospitais de campanha, portanto com estruturas adaptadas para funcionarem como hospital, ao custo de R$ 95 milhões.

 

As duas estruturas, juntas, terão 200 leitos, ou seja, metade da capacidade do Hospital Nilton Lins, cujo aluguel de toda sua estrutura é de R$ 866 mil por mês para o Estado instalar as UTIs e leitos clínicos.

 

A decisão do juiz Bandiera, que vai também contra manifestações do STF no sentido de apoiar medidas adotadas por governadores e prefeitos no combate à pandemia, coloca vidas em risco.

 

Ao aceitar a ação popular, assinada por Eduardo Humberto Deneriaz Bessa, o juiz sustenta que o Estado deveria usar o valor do aluguel para abrir mais leitos no Hospital Delphina Aziz, unidade referência no combate ao coronavírus, que deveria investir na Beneficente Portuguesa ou nos hospitais particulares.

 

De acordo com o BNC Amazonas, a Beneficente Portuguesa demonstrou incapacidade técnica, conforme revela documento ao qual o jornal teve acesso.

 

Enfrentar a pandemia

Em meio às críticas, o Governo do Amazonas está trabalhando em várias frentes ao mesmo tempo para atender a população e enfrentar a pandemia. Na noite de ontem o governador Wilson Lima anunciou a abertura de 45 novos leitos no Hospital Delphina Aziz.

 

 

Com o Ministério da Saúde, firmou convênio de R$ 15 milhões por mês para abrir mais leitos no Delphina Aziz. A Beneficente Portuguesa tem 15 leitos que podem ser transformados em UTI. Já a rede particular foi a primeira a ser estrangulada com a pandemia e não consegue dar assistência aos próprios clientes de plano de saúde.

 

Além disso, o Governo do Amazonas anunciou a convocação imediata de 517 profissionais de saúde aprovados no concurso dos Bombeiros de 2009 e que no atual Governo foram chamados para o curso de formação. O Governo também lançou nos últimos dias a contratação temporária, com seleção nesta quinta e sexta-feira, dias 16 e 17/04, de 704 técnicos de enfermagem para reforçar o combate ao coronavírus na rede estadual. 

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