Infectologista da Unicamp comenta o que mantém a média de mortes por covid-19 tão alta no Brasil

Infectologista da Unicamp comenta o que mantém a média de mortes por covid-19 tão alta no Brasil Foto: SECOMPMM/Márcio James/Cemitério Manaus Notícia do dia 16/07/2020

A média de pessoas que morrem por causa do novo coronavírus por dia no Brasil tem se mantido relativamente estável desde o início de junho.

 

A média móvel de mortes por covid-19 no país aumentou rapidamente entre meados de março e o fim de maio. Mas variou muito pouco desde então e estacionou em torno de mil. Isso significa que a pandemia ainda está muito agressiva, e, por isso, o total de óbitos está crescendo tanto. Essa é a afirmação do professor da Faculdade Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto e colaborador do Covid-19 Brasil, Domingos Alves.

 

Em entrevista concedida à BBC News Brasil, a infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi, também considera esse dado preocupante. “É muito complicado nos acostumarmos com mil mortes por covid-19 todo dia. A gente começa a achar que é normal, mas isso não é normal”, diz Stucchi.

 

A chamada média móvel de óbitos por covid-19 tem variado em torno de mil, segundo dados do Covid-19 Brasil, projeto que monitora a pandemia no país e reúne cientistas de diferentes universidades.

 

Essa taxa representa a soma das mortes divulgadas pelas secretarias estaduais de Saúde na última semana, dividida por sete. Ela tem esse nome porque varia conforme o total de mortes dos sete dias imediatamente anteriores.

 

A média móvel dá uma melhor noção da evolução da epidemia no Brasil do que os números divulgados a cada dia nos boletins, porque os dados diários flutuam bastante, por uma série de motivos.

 

Há atraso nos registros de casos e mortes nos sistemas de saúde. Faltam testes ou a demanda supera a capacidade de processamento dos laboratórios. E os resultados de exames feitos nos finais de semana são divulgados só no início da semana seguinte, o que infla os indicadores destes dias.

 

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