Filhas de Maria: A fé e a tradição das Pastorinhas de Parintins

Ao longo de 94 anos a Pastorinha Filhas de Maria, da comunidade do Aninga, mantém essa tradição

Filhas de Maria: A fé e a tradição das Pastorinhas de Parintins Foto: Eldiney Alcântara Notícia do dia 03/01/2023

Uma simples brincadeira de terreiro e barracões hoje se tornou uma manifestação cultural, artística e religiosa de Parintins. As Pastorinhas revivem uma festividade que nasceu na Europa e chegou ao Brasil, encontrando na região Norte um público que a perpetuou até os dias atuais. Ao longo de 94 anos a Pastorinha Filhas de Maria, da comunidade do Aninga, mantém essa tradição.

 

Com cantos e versos que remetem à adoração ao Nascimento de Jesus Cristo, a Pastorinha Filhas de Maria reúne em seus cordões azul e vermelho a experiência de muitas senhoras e a juventude de um público que aos poucos volta aos barracões. Uma das maiores características dessa manifestação é a religiosidade cantada e dançada ao longo das apresentações de cerca de 30 personagens.

 

As apresentações oficiais iniciam na véspera e noite de Natal, quando as Pastorinhas cantam e dançam o Nascimento de Cristo, trazendo oferendas e adoração. Dona Ângela Reis, 66, brinca na comunidade desde os 8 anos e assumiu a direção do grupo aos 27 anos. Para ela, a Pastotinha tem uma função familiar e social muito grande. “É muito importante, porque ela reúne as famílias. A gente vem mantendo viva essa tradição pra celebrar o nascimento do menino Jesus”, disse.

 

Para uma das diretoras da Pastorinha Filhas de Maria, Tatiane Reis, a brincadeira é uma manifestação identitária de Parintins. “A Pastorinha incentiva o sentimento de pertencimento, porque é quando se tem conhecimento ao lugar onde ser pertence, as suas origens, a sua identidade cultural e possibilita aos jovens se reconhecer ao redor onde ele está inserido. Então, a Pastorinha instiga isso. É uma manifestação cultural que vem perpetuando, que vem sobrevivendo com duras realidades, mas tem um sentido, tem uma importância muito bonita dentro da comunidade, que é reviver a memória do nascimento de Jesus Cristo, que é o objetivo maior”, destacou.

 

Nos últimos anos, as Pastorinhas de Parintins enfrentam dificuldades para atrair integrantes jovens. Mas, Tatiane informa que a comunidade realiza ações para incentivar a participação da juventude com brincadeiras, modernização das apresentações, indumentária mais atuais e conscientização cultural. “Então, é isso que faz com que os nossos jovens participem, que outros jovens também que moram na cidade também contribuam, que queiram fazer parte, queiram brincar, ter um personagem dentro da Pastorinha”, explicou.

 

Este ano a Pastorinha Filhas de Maria também se apresentou na igreja de Santa Terezinha, na própria comunidade, participando da missa realizada no dia 24 de dezembro, bem como no dia 31 para receber o Ano Novo. O grupo vai participar do Festival das Pastorinhas de Parintins, no dia 04 de Janeiro, e fazer sua tradicional Queima das Palhinhas (encerramento) no dia 06, quando é celebrado Dia de Reis, a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus.


Eldiney Alcântara

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