Com multidão nas ruas, Garantido cumpre tradição da Matança do Boi na Baixa da Xanda

Tradição centenária celebra o Auto do Boi e marca o encerramento da temporada bovina

Com multidão nas ruas, Garantido cumpre tradição da Matança do Boi na Baixa da Xanda Foto: Sérgio Cole
 Notícia do dia 18/07/2026

O Boi-Bumbá Garantido realizou, nesta sexta-feira (17/07), a tradicional Matança do Boi, ritual que simbolicamente marca o encerramento das festividades vermelhas e brancas. Mantida pela família Monteverde, a celebração é realizada anualmente após os festejos de Nossa Senhora do Carmo, com a tradição da "fuga" do bumbá pelas ruas de Parintins.

 

O ritual da Matança, tradição centenária preservada na Baixa da Xanda, consiste na encenação do tradicional Auto do Boi, lenda que retrata o desejo de Mãe Catirina de comer a língua do boi, com a narrativa reformulada por mestre Lindolfo Monteverde, fundador do Garantido. 

 

Conforme Magaly Monteverde, neta de Lindolfo, a tradição representa um momento especial de afetos, lembranças e legados culturais deixados pelo criador do Boi do Povão, que vão além das três noites do Festival de Parintins.

 

"Meu avô, todos os anos, realizava a Matança do Boi, quando convidava todos os amigos para participar. Era um momento de agradecer a todos que colaboraram com o Garantido durante o período de maio e junho, nas festas de boi pelas ruas de Parintins. Hoje, mantemos esse costume. Sabemos que o boi não se limita ao Bumbódromo, mas tem suas tradições de rua, como as ladainhas de São João e Santo Antônio e a Matança", disse.

 

Magaly também destacou que a família Monteverde sente-se orgulhosa por manter vivo um legado que, hoje, é símbolo de identidade cultural e pertencimento para a nação vermelha e branca.

 

"É o legado da nossa família. Nós nos sentimos muito orgulhosos em sempre manter vivo o legado do meu avô e de celebrá-lo junto de toda a comunidade. É muito gratificante para a família Monteverde e para todas as famílias que contribuem e participam. Nos sentimos felizes e honrados em poder dar continuidade a essa tradição", afirmou Magaly.

 

Os chifres verdes do bumbá, utilizados nesta ocasião, são motivo de curiosidade relacionada à tradição da morte do boi. Segundo a oralidade, as palhas de palmeira (piririma) trançadas nos chifres remetem ao boi fugitivo, que se esconde na mata para fugir dos vaqueiros.

 

"As palhinhas no chifre representam o momento da fuga do boi pela floresta. O boi não quer morrer, ele foge pelas matas e, ao sair correndo dos vaqueiros, as palhas, folhas e cipós acabam se trançando nos chifres. Por isso colocamos os chifres verdes para representar esse momento", detalhou a neta de mestre Lindolfo. 

 

Programação

A programação cultural teve início às 18h, no Curral Tradicional do Boi Garantido, na Baixa, com distribuição de guloseimas para crianças e apresentação do boi mirim Tupi e dos cantores Alessandra Moreno e Eneas Dias. O público acompanhou também os shows do grupo Toada de Roda e do Boi Garantido, com o levantador de toadas David Assayag. Além disso, a programação incluiu a exibição do documentário Quilombo Baixa da Xanda, de Cleumara Monteverde.  

 

Por volta de 22h, acompanhado da multidão vermelha e branca, Batucada e trio elétrico, o Boi Garantido saiu às ruas, iniciando a encenação da fuga e perseguição pelos vaqueiros, em um trajeto até a Paróquia São José Operário, onde o bumbá foi laçado. De volta ao Curral, o boi foi morto durante o Auto do Boi, no ritual da Matança, para, posteriormente, ser ressuscitado.

 

Mesmo após o Festival de Parintins, o Boi Garantido segue mantendo viva a tradição, preservando as manifestações populares que fazem parte de sua história e fortalecem os vínculos afetivos com a comunidade, brincantes e torcedores, renovando as esperanças para o novo ciclo que virá.

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