Casa própria: a base de tudo para as famílias

Um lar estruturado impacta diretamente na saúde, na educação das crianças, na segurança das famílias e na capacidade de cada cidadão sonhar com um futuro melhor

Por: Marcellus Campêlo - 08/04/2026

Casa própria: a base de tudo para as famílias Foto: Divulgação

Marcellus Campêlo

 

Falar de moradia, de casa própria, é, antes de tudo, falar de dignidade. Não se trata apenas de construir casas, mas de garantir às pessoas um ponto de partida seguro para suas vidas. Um lar estruturado impacta diretamente na saúde, na educação das crianças, na segurança das famílias e na capacidade de cada cidadão sonhar com um futuro melhor. Em um estado com as particularidades do Amazonas, esse debate precisa ser ainda mais profundo e responsável.

 

A realidade amazônica exige soluções próprias. Em Manaus e nos municípios do interior, convivemos com desafios históricos, como ocupações em áreas de risco e os impactos cada vez mais intensos das cheias e das mudanças climáticas. Por isso, pensar em política habitacional hoje é também pensar em resiliência. É garantir que famílias não apenas tenham um teto, mas que vivam com segurança diante das transformações ambientais que já fazem parte do nosso cotidiano.

Ao longo dos últimos anos, iniciativas que tive a oportunidade de comandar como gestor mostraram que é possível ir além da simples entrega de moradias. Urbanizar áreas degradadas, reassentar famílias com dignidade e levar saneamento básico (água e rede de esgoto) são ações que transformam realidades inteiras. Esse é o caminho: integrar habitação com infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida. 

 

Não podemos mais aceitar projetos habitacionais isolados, construídos longe de tudo. Moradia precisa estar conectada à cidade — próxima de escolas, unidades de saúde, transporte público e oportunidades de emprego. Planejamento urbano não é luxo; é uma necessidade urgente para evitar que os erros do passado sejam reproduzidos.

 

Outro ponto fundamental é entender que moradia e saneamento caminham juntos. Não existe moradia digna sem água tratada, sem coleta e tratamento de esgoto. Apostar nessa integração é investir diretamente na saúde, na redução de doenças, na melhoria da qualidade de vida e na diminuição das desigualdades sociais que ainda marcam nosso estado.

 

Também é preciso avançar na regularização fundiária. Milhares de famílias já possuem suas casas, mas vivem sem a segurança jurídica da posse. Garantir o título definitivo é reconhecer direitos, abrir portas para acesso a crédito e promover cidadania de forma concreta.
E há um aspecto que merece destaque especial: o protagonismo das mulheres. Políticas que priorizam a titularidade dos imóveis em nome delas representam proteção para as famílias, fortalecimento da autonomia feminina e uma resposta prática a desigualdades históricas. Esse é um avanço que precisa ser ampliado.

 

Também não podemos esquecer do interior. O Amazonas não é feito apenas da capital. Cada município possui suas particularidades geográficas, sociais e econômicas. Levar políticas habitacionais estruturadas para essas regiões é reduzir desigualdades e promover um desenvolvimento mais equilibrado em todo o estado.

 

Além do impacto social, a habitação também é um motor econômico. A construção civil gera empregos, movimenta o comércio local e impulsiona diversos setores. Investir em moradia é, portanto, investir no crescimento econômico e na geração de oportunidades para nossa população.

 

Por fim, é fundamental compreender que o desafio habitacional não será superado sem união de esforços. Parcerias entre o poder público e a iniciativa privada são essenciais para ampliar investimentos, acelerar projetos e reduzir o déficit habitacional de forma consistente.

 

A casa própria ainda é o maior sonho de milhões de brasileiros — e também dos amazonenses. Transformá-lo em realidade exige compromisso, planejamento e sensibilidade. Mais do que obras, precisamos de políticas públicas que enxerguem as pessoas.

 

Defender a moradia é defender o direito de cada cidadão de viver com dignidade. E esse é, sem dúvida, o começo de tudo.


Marcellus Campêlo é engenheiro civil, especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública; exerce, atualmente, a segunda vice-presidência do Partido União Brasil no Amazonas, pré-candidato a deputado estadual

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