Foto: Divulgação/Ibama Amazonas
Notícia do dia 18/10/2026
Na linha de frente do combate aos incêndios florestais que atingem o Amazonas, brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enfrentam altas temperaturas, fumaça intensa e dificuldades de acesso para conter o avanço das chamas e proteger a floresta amazônica.
Os profissionais integram o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) e desempenham um papel fundamental nas operações realizadas em diferentes regiões do estado, onde o fogo ameaça a biodiversidade, comunidades tradicionais e áreas de preservação ambiental.
Uma das características do programa federal é a participação de indígenas e moradores de assentamentos da reforma agrária, que recebem capacitação especializada para atuar na prevenção e no combate aos incêndios.
Além do treinamento, esses brigadistas possuem conhecimento dos territórios onde vivem, incluindo caminhos, rios, vegetação e características ambientais. Essa experiência, associada às técnicas de combate, contribui para tornar as operações mais eficientes.

Foto: Divulgação/Ibama Amazonas
Técnicas e equipamentos no combate às chamas
O trabalho dos brigadistas começa com a avaliação das condições do terreno, da direção dos ventos, do tipo de vegetação e dos riscos envolvidos em cada ocorrência.
Nas operações, as equipes utilizam sopradores motorizados, abafadores, bombas costais, enxadas, pás e outras ferramentas para impedir que as chamas avancem sobre áreas ainda não atingidas.
Os sopradores são empregados principalmente em incêndios de baixa intensidade e na limpeza de linhas de controle. Os abafadores ajudam a extinguir pequenos focos, enquanto as bombas costais permitem transportar água para locais onde veículos de combate não conseguem chegar.
Outra estratégia é a construção de aceiros, faixas abertas no terreno com a retirada de folhas secas, galhos e outros materiais que poderiam alimentar o fogo.
Após o controle das chamas, os brigadistas realizam o rescaldo, procedimento destinado a eliminar pontos quentes e evitar que o incêndio recomece.

Foto: Divulgação/Ibama Amazonas
Indígenas e assentados ajudam a proteger seus territórios
A presença de indígenas e moradores de assentamentos nas brigadas federais fortalece a participação das comunidades amazônicas na proteção ambiental.
Por conhecerem as características das regiões onde vivem, esses profissionais contribuem para identificar áreas de risco, orientar moradores e facilitar o deslocamento das equipes em locais de difícil acesso.
A atuação também integra a política de Manejo Integrado do Fogo, que reúne ações de prevenção, monitoramento, educação ambiental e combate aos incêndios, respeitando as características de cada território.

Foto: Divulgação/Ibama Amazonas
Operações federais mobilizavam 330 profissionais no Amazonas
De acordo com o Boletim Diário de Acompanhamento nº 005-AM, divulgado em 14 de outubro, as operações do Prevfogo/Ibama mobilizavam 238 profissionais em duas frentes de atuação.
Na Operação Sul do Amazonas, estavam mobilizados 104 profissionais. Outros 134 integravam a Operação Amazonas, que abrange áreas sob influência de Manaus.
Além desse contingente, 92 profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participavam das ações federais, totalizando 330 profissionais mobilizados na prevenção e no combate aos incêndios florestais, conforme o levantamento daquela data.
As operações contam com apoio terrestre, fluvial e aéreo, incluindo veículos, embarcações e aeronaves utilizadas no transporte de equipes, reconhecimento das áreas atingidas e lançamento de água em pontos estratégicos.
Apesar do reforço aéreo, o trabalho em solo permanece indispensável. São os brigadistas que avançam sobre os focos de incêndio, estabelecem linhas de controle e realizam o rescaldo para evitar o retorno das chamas.
Trabalho ganha importância diante da crise ambiental
A atuação das equipes ocorre em meio ao agravamento dos incêndios florestais e da fumaça que atinge municípios amazonenses, incluindo Parintins, onde moradores de comunidades rurais também enfrentam os impactos das queimadas.
O cenário reforça a necessidade de integração entre os órgãos federais, estaduais e municipais, além de investimentos em equipamentos, capacitação e logística para alcançar áreas remotas da Amazônia.
Mais do que combater as chamas, os brigadistas do Prevfogo desempenham um trabalho de proteção das comunidades, da fauna, da flora e dos recursos naturais.
A participação de indígenas, assentados e outros moradores da região mostra que o conhecimento de quem vive na floresta é um importante aliado das técnicas especializadas no enfrentamento aos incêndios.
Na Amazônia, o combate ao fogo depende tanto dos recursos tecnológicos quanto da experiência e da dedicação dos profissionais que enfrentam as chamas diretamente no território.
Fonte: Ibama Amazonas