Avanço de Flávio Bolsonaro em quatro regiões explica liderança sobre Lula no primeiro turno

Vantagem expressiva em São Paulo e mudança do voto em centenas de municípios ajudam a compreender resultado que colocou Flávio na liderança da disputa presidencial

Avanço de Flávio Bolsonaro em quatro regiões explica liderança sobre Lula no primeiro turno Foto: Arte/Agência Brasil Notícia do dia 05/10/2026

O resultado do primeiro turno da eleição presidencial, realizado neste domingo, 4 de outubro, apresentou uma mudança importante no cenário político nacional. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e garantiu, junto com o petista, presença no segundo turno marcado para 25 de outubro.

 

Flávio recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula alcançou aproximadamente 53,9 milhões, ou 45,16%. A diferença entre os dois ficou em torno de 2,2 milhões de votos.

 

Mais do que a diferença numérica, a distribuição geográfica dos votos ajuda a compreender o resultado. Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula em quatro das cinco regiões brasileiras: Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Norte. Lula manteve sua maior força eleitoral no Nordeste.

 

A vantagem obtida pelo presidente na região nordestina, de aproximadamente 11 milhões de votos, ajudou a equilibrar a disputa nacional, mas não foi suficiente para superar o desempenho do adversário nas demais regiões.

 

São Paulo teve peso decisivo

O desempenho em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, aparece entre os fatores de maior peso no resultado nacional.

Flávio Bolsonaro obteve 51,93% dos votos válidos no estado, enquanto Lula registrou 38,20%. Embora o presidente tenha vencido na capital paulista, o candidato do PL conseguiu vantagem expressiva principalmente no interior.

 

Em uma eleição decidida por pouco mais de dois milhões de votos de diferença no país inteiro, o resultado paulista teve impacto significativo na composição do placar nacional.

 

Lula perdeu terreno em municípios que venceu em 2022

Outro dado importante para compreender o primeiro turno está na comparação com a eleição presidencial de 2022.

Levantamento realizado a partir dos resultados eleitorais aponta que 714 municípios que haviam dado maioria a Lula naquela eleição passaram a registrar vantagem de Flávio Bolsonaro em 2026.

 

Minas Gerais e Rio Grande do Sul aparecem com destaque nessa mudança. Em Minas, 178 municípios teriam passado de uma maioria lulista em 2022 para uma maioria de Flávio neste ano. No Rio Grande do Sul, foram 134.

 

O movimento demonstra que a mudança não ocorreu apenas nos grandes centros ou nos tradicionais redutos da direita. Houve alteração territorial do voto em diferentes partes do país.

 

Direita concentrou votos já no primeiro turno

A própria distribuição dos votos entre os candidatos também ajuda a explicar o resultado.

A eleição chegou às urnas fortemente polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Juntos, os dois concentraram mais de 92% dos votos válidos.

 

As demais candidaturas tiveram percentuais consideravelmente menores. Com isso, Flávio chegou ao segundo turno com 47% dos votos válidos, relativamente próximo da maioria absoluta necessária para uma vitória em primeiro turno.

 

Esse cenário também reduz, em comparação com outras eleições, o universo de votos dos candidatos eliminados que poderá ser disputado diretamente pelos dois finalistas.

 

Resultado contrariou pesquisas da reta final

Outro ponto que deverá ser analisado por institutos e especialistas é a diferença entre algumas pesquisas divulgadas na reta final e o resultado das urnas.

 

O Datafolha, por exemplo, apontava Lula com 45% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 40%. Nas urnas, entretanto, Flávio terminou aproximadamente dois pontos percentuais à frente de Lula.

 

A diferença pode envolver diversos fatores que ainda precisarão ser estudados, entre eles eventuais movimentos do eleitorado nos últimos dias, a capacidade das pesquisas de reproduzir o perfil dos eleitores que efetivamente compareceram às urnas e o próprio impacto da abstenção.

 

Mais de 33 milhões de eleitores não compareceram para votar, correspondendo a pouco mais de 21% do eleitorado.

Flávio avançou na Amazônia

 

O comportamento eleitoral da região amazônica também merece atenção.

Lula conseguiu manter vantagem em estados como Amazonas, Pará e Amapá, mas com diferenças menores em relação ao desempenho registrado em 2022. Flávio Bolsonaro, por sua vez, avançou na região e conseguiu virar o resultado no Tocantins.

 

No Amazonas, a disputa presidencial foi apertada. Lula terminou com aproximadamente 48% dos votos, enquanto Flávio ficou na faixa dos 45%.

 

O resultado mostra que, mesmo em estados nos quais Lula permaneceu na liderança, houve crescimento eleitoral do campo bolsonarista.

 

Disputa agora começa praticamente do zero

Apesar da vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o resultado deste domingo não representa uma derrota definitiva de Lula. Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, a eleição será decidida no segundo turno.

 

E a nova disputa apresenta características diferentes.

A diferença inferior a dois pontos percentuais coloca no centro das estratégias eleitorais os votos destinados aos candidatos eliminados, além dos eleitores que votaram em branco ou nulo e, principalmente, daqueles que não compareceram às urnas.

 

Com mais de 33 milhões de abstenções, a capacidade das campanhas de levar seus respectivos eleitores às urnas poderá ter importância tão grande quanto a tentativa de conquistar quem votou em outros candidatos.

 

O primeiro turno, portanto, deixou uma fotografia clara: Flávio Bolsonaro conseguiu ampliar territorialmente o voto da direita e chegou ao segundo turno na liderança. Lula preservou uma base eleitoral muito forte, especialmente no Nordeste, mas perdeu terreno em regiões e municípios importantes.

 

Agora, com uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois primeiros colocados, a campanha entra em uma nova etapa.

 

Até 25 de outubro, Lula e Flávio terão três semanas para tentar ampliar suas bases, conquistar os eleitores das candidaturas eliminadas e, sobretudo, convencer milhões de brasileiros a voltar às urnas para decidir quem comandará o país nos próximos quatro anos.

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