Artistas parintinenses se unem para ajudar cantor Chiclete Moreno que luta contra o alcoolismo em Barreirinha

Sensibilizada com o frágil estado de saúde do cantor Chiclete Moreno e com seu envolvimento com a bebida alcoólica, a cantora Ciryanne Souza faz um apelo aos internautas para que ajudem o artista

Artistas parintinenses se unem para ajudar cantor Chiclete Moreno que luta contra o alcoolismo em Barreirinha Fotos: divulgação Notícia do dia 08/06/2020

Por: Jair Carneiro e Neudson Corrêa

 

A cantora parintinense Ciryanne Souza reproduziu em sua rede social uma foto do artista Chiclete Moreno caído em uma calçada na cidade de Barreirinha.

 

Na publicação, Ciryanne demonstra estar preocupada com a situação do cantor, que escolheu a cidade do Paraná do Ramos para viver da música. Sensibilizada com o estado de saúde do artista e com seu envolvimento com a bebida alcóolica, há vários anos, ela faz um apelo aos internautas para que possam ajudar Elton Jesus dos Santos, 38, seu nome verdadeiro.

 

"Ontem, me mandaram essa foto do Chiclete. Fiquei pensando e muito preocupada com a situação do cantor e o que podemos fazer?”, comenta, ao mesmo tempo em que conclama as pessoas a oferecerem alimento, não bebida alcóolica. “Você que mora em Barreirinha, por favor, acolham, ajudem, dê alimento, não ofereçam cachaça, pois se continuar desse jeito vamos perder o nosso amigo”.

 

A cantora Ciryanne Souza, considerada uma das maiores expressões artistas de sua geração, reconhece o talento musical do cantor, porém o vício do álcool fez com que a carreira artística fosse prejudicada.

 

“Vamos ajudar, é um irmão músico, cantor como poucos que já vi e que necessita ser ajudado. Se ele estivesse em Parintins, pode ter certeza que eu já teria feito barulho pra ajudar. Ele está em Barreirinha. Ajudem, por favor, dá tempo ainda de ajudar”, desabafa.

 

O cantor e músico Bené Siqueira, que está em São Paulo, onde se recupera de uma cirurgia, também foi solidário ao colega de profissão que enfrenta momentos difíceis e que precisa ser amparado por amigos ou por alguma instituição de assistência social.

 

Em sua página que mantém no Facebook, Siqueira vê com tristeza a situação de Chiclete Moreno. "É um cara que tem uma voz bonita e um excelente talento para a música, tem um CD gravado e infelizmente o vício do álcool e das drogas têm levado o Chiclete a esse estado”, lamentou o também compositor.

 

A última vez que Chiclete Moreno subiu em um palco, foi na Festa dos Visitantes, na cidade de Barreirinha, por ocasião do Festival Folclórico do ano passado. Sob o efeito de álcool invadiu e fez questão de dividir o palco com o pagodeiro Uendel Pinheiro, que naquela ocasião realiza um show no Touródromo.

 

Em Barreirinha, o cantor fica mais pela orla do porto do Pucu pedindo dinheiro para manter o vício.

 

 

Mais sobre o assunto

No mês de janeiro de 2011, a jornalista Tereza Almeida entrevistou o cantor Chiclete Moreno para a produção de uma matéria no impresso Repórter Parintins. Com o título “O Príncipe Negro do Bolero”, Tereza descreveu um pouco da carreira musical e onde dizia que sonhava viver da música como qualquer artista.

 

Chiclete dizia que se orgulha de ter vendido, de próprio punho, pelo menos mil cópias do seu mais recente trabalho, uma coletânea de boleros que já estava na 7ª edição.

 

O príncipe Negro do Bolero, como ele se intitula nas gravações entre uma faixa e outra da música, foi uma forma de imprimir sua marca no trabalho que já caiu nas graças de bares e rádios de Manaus e Santarém.

 

Chiclete Moreno ficou conhecido por participar de diversos concursos de calouros no município. O apelido é da adolescência, dos tempos em que trabalhava no porto da cidade. De tanto viver grudado no patrão, um dia escutou dele o seguinte: “Pô, esse menino parece um chiclete”, lembra Elton.

 

Paraense de Itaituba, Chiclete veio para Parintins morar com a mãe quando criança. Começou nas disputas musicais no arraial de Nossa Senhora do Carmo, no ano de 1993.

 

Em 1996 chegou a vencer Robson Júnior, levantador de toadas, cotado para ser o sucessor de David Assayag, no Garantido. A música interpretada foi “Catedral” e o desafio ocorreu na festa do Sagrado Coração de Jesus.

 

Entre as lembranças do início da carreira, diz que tem saudades das alegrias que viveu. “Era um tempo feliz, eu não bebia, não fumava”.

 

Chiclete e a bebida

Nos últimos anos, o cantor se tornou conhecido mais pelo envolvimento com a bebida alcoólica do que pelo inegável talento musical. Para Raimundo Nonato Ferreira, 44, um dos incentivadores do artista, no início, quando ele cantava em shows de calouros, mais do que a bebida, o maior problema enfrentado seria a falta de apoio da família.

 

Raimundinho, como é conhecido, comenta que “Chiclete apareceu em sua loja do nada, desde então fizemos o que podíamos para ajudá-lo, mas sinto que a falta de uma estrutura familiar contribuiu muito para que ele se envolvesse com a bebida”, afirma.

 

A jornalista concluiu dizendo que o alcoolismo é um problema admitido pelo próprio cantor que, segundo ele, espera superar para realizar seus sonhos que é viver da música. Entre os ídolos que mais gosta está Roberto Carlos e o cantor Luiz Carlos do grupo de pagode Raça Negra.

 

Chiclete nunca estudou e quando questionado sobre sua formação escolar, diz “sou igual o Davizão, gravo as músicas de ouvir”, uma referência ao cantor David Assayag. Sobre o talento, ele não tem dúvida e afirma “é um dom de Deus”.

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