Por: Marcellus Campêlo - 15/04/2026
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Marcellus Campêlo
O Dia Mundial da Arte (15 de abril) é mais do que uma data simbólica. É um convite à reflexão sobre o papel essencial que a arte desempenha na vida das pessoas e no desenvolvimento de uma sociedade mais sensível, criativa e justa.
A arte educa, acolhe, expressa e transforma. Ela abre caminhos, especialmente para os jovens, oferecendo alternativas, construindo identidade e criando oportunidades. Em um estado como o Amazonas, com uma riqueza cultural única, valorizar a arte é também valorizar quem somos.
Falo desse tema não apenas como alguém que acredita na importância das políticas públicas voltadas à cultura, mas também como quem tem uma relação pessoal com a arte. Atuei, desde muito jovem, na música e no teatro, inclusive com registro profissional, e essa paixão é compartilhada, hoje, por todos da minha família.
Em casa, vi de perto o poder transformador da música na vida de uma criança. Minha filha, Cella Bártholo, teve a oportunidade de viver uma experiência inesquecível ao participar do The Voice Kids Brasil —, seguindo depois carreira profissional. Sei, portanto, o quanto esse tipo de vivência fortalece sonhos e amplia horizontes.
Por isso, pensar políticas públicas para a arte é planejar, colocar em pauta oportunidades reais para milhares de talentos que hoje estão nas periferias, nos bairros, nas comunidades ribeirinhas e no interior do estado, replicando, por exemplo, iniciativas exitosas como o Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, administrado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa e com base em Manaus e em Parintins.
O fortalecimento de projetos de formação artística para crianças e jovens está entre os caminhos que considero fundamentais, especialmente nas áreas mais vulneráveis. Oficinas de música, teatro, dança e artes visuais devem ser tratados e implementados como instrumentos de inclusão social e prevenção.
Outro ponto essencial é o estímulo à criação e manutenção de espaços culturais acessíveis. Centros comunitários, casas de cultura e outros equipamentos bem estruturados, mantidos inclusive com o reforço de parcerias público-privadas, podem se tornar verdadeiros polos de transformação social, integrando arte, educação e cidadania.
Também é importante avançar no apoio a artistas locais, reforçando o que o estado tem feito e indo além na busca de novos recursos para políticas de incentivo, editais e mecanismos que garantam que os investimentos cheguem a quem produz cultura no nosso estado e que precisa desse apoio. Valorizar o artista amazonense é fortalecer a nossa identidade.
A interiorização das políticas culturais também é uma questão importante, um desafio histórico em uma região como a nossa, marcada por distâncias geográficas significativas. É preciso garantir que iniciativas cheguem aos municípios, respeitando as particularidades e potencialidades de cada região.
A conexão entre cultura, economia criativa e geração de renda precisa ser estimulada. Essa visão macro foi sempre muito defendida na gestão do governador Wilson Lima, que fez questão de incluir na nomenclatura da SEC a expressão “economia criativa”.
O entendimento, do qual compactuo inteiramente, é que arte também é trabalho, é sustento, é desenvolvimento. Investir nesse setor é abrir portas para novos empreendedores, novas cadeias produtivas e novas oportunidades.
Neste Dia Mundial da Arte, reforço a importância de todos nós olharmos para a cultura com a seriedade que ela merece. Não como algo acessório, só de entretenimento, mas como parte fundamental de qualquer projeto de desenvolvimento humano.
A arte transforma vidas. E eu acompanho isso de perto. Acredito que, com compromisso, sensibilidade e políticas públicas sempre bem estruturadas, é possível ampliar esse alcance e levar mais oportunidades para todos.
Marcellus Campêlo é engenheiro civil, especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública; exerce, atualmente, a segunda vice-presidência do Partido União Brasil no Amazonas, pré-candidato a deputado estadual