Amigos prestam homenagens ao ícone do Festival de Parintins Arlindo Júnior, o Pop da Selva

Amigos prestam homenagens ao ícone do Festival de Parintins Arlindo Júnior, o Pop da Selva Foto: Divulgação Notícia do dia 30/12/2019

O texto foi escrito pelo advogado trabalhista e ambientalista Affonso Rodrigues como forma de homenagear um dos maiores ícones do Festival Folclórico de Parintins, o eterno apresentador e levantador de toadas do Boi Caprichoso, Arlindo Júnior, que morreu na noite de ontem em Manaus.

 

Por Affonso Rodrigues

 

O ano era 1988 quando conheci Arlindo Júnior nas ruas de Parintins vendendo filtros, “Terra à vista, atracar, terra dos tupinambaranas, terras dos tupinambás”. Mais um migrante nordestino trazido pelo “Vento Norte” chega a Parintins e acende o seu “candelabro azul”, sendo acolhido carinhosamente na casa da família do jornalista Floriano Lins, então morador da rua Sá Peixoto.


Arlindo, com seu jeito “pagodeiro’ de ser, sempre foi uma pessoa de alto astral e de uma humildade sem tamanho. Com seu Grupo de Pagode “Levanta Poeira”, juntamente com o Amo Rei Azevedo, amigos como Chico da Madá, sempre envolvido com música e cultura no Grupo Sangue Azul, depois Azul e Branco.


Em 1989, eu montei o Bar Marajá Drink's (em frente ao curralzinho da Baixa) Arlindo, Eny Ninna e David Assayag eram pratas da casa. O som era eclético e saía de tudo como MPB, MPA, pagode e muito Boi-Bumbá. O Marajá Drink’s ficou pequeno pro talento de Arlindo Júnior e David Assayag, que fizeram carreira solo; um avermelhou e o Pop continuou eletrizando com sua energia a galera azulada do Boi Caprichoso.

Arlindo Júnior migrou pra Manaus onde amadureceu musicalmente, sempre animando as tardes de sábado na TVlândia, reduto roxo Caprichoso.


Como tinha talento musical e uma boa oratória virou vereador na capital, foi secretário de Cultura, mas sempre arranjava um tempinho e vinha a Parintins rever os amigos e trazer a sua alegria.

Há três anos, Arlindo vinha lutando bravamente contra um câncer que o ceifou a vida, nos deixando órfãos da sua alegria e do seu talento.

 

2019 foi um ano decisivo para ele, sempre me chamava de Piranha, disse: “Piranha meu Mano, eu vou ficar bom, eu vou viver muito ainda, porque tenho muito a fazer pelo meu povo, pela arte e pela cultura”. Enfrentou de peito aberto o tratamento e com aquela fé sempre agradecendo pelo dom da vida.

Veio a Parintins no Carnailha a convite do seu amigo, o prefeito Bi Garcia. Cantou no Mercado, no Boteco Du Verçosa, lançou o seu último trabalho “Boi Dá Samba”, no Festival fez todo mundo chorar (inclusive contrários) cantando toadas antológicas.

 

Na Festa de Aniversário da Parintins voltou e cantou sempre confiante na cura, o que não sabíamos era que seria sua despedida, seu adeus eterno como sempre será eterno o seu amor por Parintins e pelo Caprichoso.


Vá em paz irmão, meu amigo Pop da Selva, o seu sorriso, sua garra e coragem nos comoveu e veio em forma de lágrimas.

 

Parabéns Arlindo Júnior, por tudo que você fez por nossa cidade, pela nossa cultura, pela poesia, pela toada, pelo Festival de Parintins.

És um gigante e sempre será eterno...

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