Foto: Divulgação
Notícia do dia 13/06/2026
O envelhecimento populacional, impulsionado pelo aumento da expectativa de vida e a queda nas taxas de natalidade, traz uma preocupação e um desafio aos governos, em todo o mundo: preparar as cidades, serviços e espaços públicos para atender às necessidades da população idosa. Calçadas seguras, moradias adaptadas, iluminação adequada e ambientes acessíveis deixam de ser diferenciais e passam a integrar uma agenda fundamental para garantir autonomia, mobilidade e qualidade de vida a esse público.
A discussão ganha ainda mais relevância neste mês, marcado pela campanha Junho Violeta, iniciativa mundial voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a pessoa idosa. Além de alertar para situações de abuso e negligência, a mobilização reforça também a importância de políticas públicas capazes de assegurar um envelhecimento digno, seguro e inclusivo. O alerta é do engenheiro civil Marcellus Campêlo, segundo vice-presidente estadual do União Brasil e membro titular do diretório da Federação União Progressista (UP).
Campêlo reforça a importância de o poder público e as empresas privadas seguirem, nos projetos de construção, as exigências legais de acessibilidade universal. No Amazonas, ele destaca o fato de o Governo do Estado ter incorporado essas normas, como via de regra, em todas as obras desenvolvidas pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), órgãos que ele conduziu até março deste ano, quando se desincompatibilizando para colocar o nome à disposição da UP, como pré-candidato a deputado estadual.
Na avaliação de Campêlo, os avanços já alcançados representam apenas o início de uma transformação que precisará acelerar, e com urgência, nos próximos anos. “As cidades precisam estar preparadas para atender essa população com mais segurança, acessibilidade e qualidade de vida. O que foi feito até aqui é importante, mas ainda há muito a avançar”, afirma.
PROGRAMAS HABITACIONAIS
Entre as iniciativas implementadas durante sua gestão estão adaptações incluídas aos programas habitacionais executados pela Sedurb e UGPE. No Amazonas Meu Lar, por exemplo, o atendimento à população idosa segue o que determina a legislação para programas habitacionais que envolvam recursos públicos – a reserva de 3% a 5% das unidades para esse público.
No Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+) os empreendimentos passaram a prever apartamentos destinados prioritariamente aos idosos nos pavimentos térreos, seguindo o conceito de “zero degrau”, que elimina barreiras arquitetônicas e reduz riscos de acidentes.
As unidades contam com portas ampliadas para permitir a circulação de pessoas que utilizam andadores, bengalas ou cadeiras de rodas, além de banheiros adaptados com barras de apoio e áreas de giro que facilitam a movimentação dos moradores. Dois empreendimentos já foram entregues com essas características, tornando-se referências nesse modelo de habitação inclusiva: o General Rodrigo Otávio e o Parque Residencial Maués, no Japiim e Cachoeirinha, respectivamente, ambos na zona sul.
“O desafio não era apenas construir moradias. Mas de começar, também, a introduzir uma nova forma de pensar os empreendimentos habitacionais. À medida que a população envelhece, essas adaptações precisarão se tornar cada vez mais presentes. É preciso um olhar especial, voltado à população idosa”, observa o ex-secretário.
Nos parques e praças construídos pelo Prosamin+ as áreas de convivência seguem também as regras de acessibilidade. Os parques das Araras e Dois Amigos, Oscarino e Peteleco são exemplos nesse sentido, com calçadas niveladas, pisos antiderrapantes e rampas executadas dentro dos parâmetros da Norma Brasileira de Acessibilidade (NBR 9050), assim como a incorporação de academias ao ar livre e equipamentos de ginástica de baixo impacto, estimulando a prática de atividades físicas, a convivência social e hábitos mais saudáveis.
Para Marcellus Campêlo, iniciativas como essas ajudam a demonstrar que o envelhecimento da população precisa ser considerado no planejamento urbano de forma permanente e não apenas pontual. “Quando uma cidade é planejada para quem tem mais dificuldade de locomoção, ela se torna inclusiva e melhor para todos. O idoso precisa estar no centro do planejamento urbano”, defende.
De acordo com Marcellus Campêlo, é preciso que as cidades sejam preparadas para que o idoso possa caminhar com segurança, acessar serviços públicos sem barreiras, frequentar espaços de lazer adequados e viver com autonomia. “As obras realizadas foram só o começo, mas o futuro exige um esforço muito maior para que o envelhecimento aconteça com dignidade”, afirma.