Foto: Fernando Cardoso
Notícia do dia 17/10/2017
A cada ano, cerca de 45 mil pessoas perdem suas vidas em acidentes de trânsito no Brasil. A violência envolvendo particularmente motociclistas está se tornando uma epidemia no País. A taxa de mortalidade de vítimas de acidentes com motocicletas é de 3,4 para cada 100 mil habitantes.
Quinhentas pessoas morrem por ano, em média, no Amazonas, em acidentes de trânsito. São 14 mortes, em média, a cada 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde (MS).
Nos últimos seis anos, as internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) envolvendo motociclistas tiveram um crescimento de 115% e o custo com o atendimento a esses pacientes de 170,8%. No Estado do Amazonas, foram 108 internações em 2016, representando um gasto de R$ 1,5 milhões.
Em Parintins nos últimos onze anos, 85 pessoas perderam a vida no trânsito da cidade, 98% envolvendo condutores de motocicletas e 2% os caronas. Em 2017, oito acidentes, dois deles foram registrados somente no mês de outubro, o último ceifou a vida do servidor público Mário Jorge Oliveira de Souza, 62, o Mambira.
A maior causa para o registro de acidentes de trânsito é a bebida alcoólica, seguida da imprudência e alta velocidade. Dos 8 acidentes com vítimas fatais registradas em Parintins esse ano, em cinco deles as vítimas estavam alcoolizadas.
De 2007 a 2016, os anuários da Polícia Militar de Parintins apontam que 2.816 pessoas sofreram lesões ao se envolverem em acidentes de trânsito na ilha, porém informações de profissionais de saúde dos hospitais Padre Colombo e Jofre Cohen apontam que o número é muito maior.
Eles asseguram que diariamente, em média, três pessoas dão entrada nas unidades hospitalares vítimas de acidentes. Esse número dobra nos finais de semanas chegando de 10 a 12 vítimas dos acidentes de trânsito.
Alta velocidade, manobras e ultrapassagens arriscadas, avanço nos pontos sinalizados e semáforos, condutores alcoolizados, uso do celular, além das imprudências são as infrações comuns verificadas a cada 30 segundos nas ruas da cidade.
A maioria dessas irregularidades é cometida por condutores de motocicletas, seguido dos motoristas de carros de porte médio.
Dados da Polícia Militar e Delegacia de Polícia Civil apontam que o número de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas na cidade aumentou em pelo menos 150% nos últimos cinco anos.
A falta de seriedade na legislação de trânsito, respeito com a vida humana e ausência de planejamento urbano são apontadas como as principais causas do aumento no índice de acidentes de trânsito em Parintins, ficando as interrogações da sociedade sobre as punições.
Além da falta de habilitação dos condutores, principalmente de motocicletas é verificado que em pelo menos 10% destes veículos faltam acessórios como piscas, retrovisores e descargas adulteradas.
Como forma de endurecer as cobranças no trânsito e minimizar os acidentes, a Empresa Municipal de Trânsito e Transporte (EMTT), Polícia Militar e Detran estão firmando parcerias para iniciar aplicação de multas, apreensão de veículos irregulares e retirada do comando de motocicletas e carros de condutores não habilitados.
Mensalmente, em média, a EMTT apreende 220 motocicletas por irregularidades que vão desde a falta de acessórios, condutor não habilitado, o não uso do capacete, falta de documentos e o não pagamento do IPVA e licenciamento anual.
Nos últimos meses cerca de 2.100 motocicletas já passaram pelo parqueamento da EMTT, a maioria foi liberada mediante o pagamento de pelo menos um ano de IPVA e aplicação de palestra sobre legislação de trânsito ao condutor.
A meta agora é iniciar a aplicação de multas pelas infrações. Para tanto, a EMTT está firmando parcerias com o Detran/AM para que os agentes de trânsito e policiais militares recebam um curso de lavratura de auto de infração e multas. A Polícia Militar está montando uma equipe de policiais voltada somente para as ações do trânsito.
“O curso vai habilitar os nossos agentes e policiais militares que vão ter o poder da caneta para ter a autoridade pra multar. Estamos aguardando apenas o posicionamento do Detran”, informou o diretor da Empresa Municipal de Trânsito e Transporte (EMTT), Álvaro Cerdeira.
Um Projeto de Lei da Prefeitura deve ser encaminhado em breve para a Câmara Municipal de Parintins para ser aprovado e sancionado pelo prefeito com objetivo de efetivar a cobrança do parqueamento.
O crescimento populacional de Parintins também é apontado como um dos pontos para os acidentes de trânsito, pois elevou o número de gargalos, especialmente nas áreas da mobilidade urbana e meios de transportes, alvos de constantes reclamações, obrigando a quem quer trafegar com tranqüilidade.
Segundo dados do mês de janeiro de 2017 de veículos em circulação em Parintins do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran) atualmente a frota no município é de 17.142 veículos, destes 14.913 são motocicletas e motonetas.
Ao todo, 1.402 carros de pequeno e porte médio estão em circulação na ilha. Caminhonetes são 517, micro-ônibus 08, ônibus 25, caminhão 167, caminhão trator 03, ciclomotor 07, reboque 01, semi-reboque 10 e utilitário 12.
De acordo com o diretor do Pronto Atendimento do Detran (PAD), Francisco Glória, pelo que se observa nas estatísticas anteriores e atual houve um salto de 800 para 2.100 carros circulando na cidade nos últimos quatro anos.
Apesar do grande número de condutores circulando na cidade, a falta de regularização do sistema de trânsito faz com que as pessoas convivam com a sensação de insegurança.
A subsecretária municipal de saúde, Daizes Pimentel, informou que o município gasta altos valores com internações de pacientes que se envolveram em acidentes de trânsito.
“Somente em um mês que fizemos levantamento nós tivemos 48 internações por acidente de trânsito e transformado isso em valores chegam a valores altíssimos que poderiam estar sendo aplicados em outros setores. Só uma tomografia gira em torno de R$ 800 a R$ 1 mil”, explicou.
Fernando Cardoso | Repórter Parintins