Audiência pública discute drogas e delinquência juvenil nas escolas

Audiência pública discute drogas e delinquência juvenil nas escolas Foto: Marcondes Maciel Notícia do dia 03/02/2016

O envolvimento com drogas, uso de bebida alcoólica, delinquência juvenil e outros atos infracionais são alguns dos casos relatados pelos diretores de escolas como as principais ocorrências registradas nas escolas, ocasionadas por alunos.

 

O assunto foi debatido em audiência pública, auditório Marcos Zagury, no Fórum de justiça de Parintins, na manhã de terça-feira, 2 de fevereiro, com a presença de todos os gestores das escolas municipais e estaduais, professores, Conselho Tutelar, Comissariado de Menores, psicólogos, pedagogos e a promotora pública Yara Marinho. A audiência foi uma iniciativa do MPE para tratar sobre a evasão escolar, entretanto as discussões tiveram como foco central a violência e uso de drogas nas escolas.

 

Entre os principais relatos dos profissionais da educação presentes no encontro estava o do gestor de uma escola estadual, que por questão de segurança, iremos chamar de Manoel.

 

O professor Manoel contou que se tornou corriqueira a presença de alunos com sintomas de uso de drogas e bebidas alcoólicas no colégio. Ele disse que os alunos passam os fins de semana nas baladas noturnas e quando chegam para estudar na segunda-feira, estão exaustos e muitos não conseguem nem cuspir porque a saliva se transformou um baba.

 

Ele revela que os alunos descobriram que em Parintins, do meio-dia até uma hora da tarde, não existe policiamento e é o período ideal para a comercialização e consumo de drogas. “Então o que acontece: é a hora que o tráfico está correndo e que estão entregando a maconha e a cocaína na porta das escolas”, pontuou o professor.

 

O professor informou que perto de sua escola, em uma praça, das 12h15m para as 13h, há denuncias de que vários alunos, inclusive onde Manoel trabalha, usam maconha livremente. “O aluno maconhado, quando a gente dá, lá pelas 13h, ele está dormindo, simplesmente dormindo. Então a coisa corre solta”, disse.

 

O gestor disse que isso acontece fora da escola e vai para a escola. Ele completa que quando se fala em violência na escola, droga na escola, ninguém vê que lá na escola é só o reflexo. “Se nós não atingirmos a causa, nós não vamos dar um jeito na consequência. E esse é o maior problema que nós temos hoje. O que acontece na escola não tem que ser tratado na escola. A escola é consequência do que acontece lá fora”, frisou o professor.

 

O gestor estadual ressaltou que chegou a encontrar droga na escola. “Eu juntei maconha na porta da escola e joguei no esgoto. Lá na praça faz fila pra comprar droga, e nós não temos policiamento essa hora”, falou.

 

Outro relato de problema com o envolvimento de drogas perto da área de abrangência da escola foi da gestora de uma escola municipal. Para manter o nome da gestora em sigilo para sua segurança ela será chamada apenas de Maria. O nome da escola e localidade do educandário também serão mantidos em sigilo. “A escola está inserida em uma realidade muito complexa, localizada entre duas bocas de fumo”, conta a gestora.

 

De acordo com a gestora Maria, os alunos, em parte, são filhos de traficantes, alguns usuários e outros aviõezinhos. “Do 1º ao 5º ano, do turno matutino, não temos grandes problemas porque os pais acompanham os filhos. Mas a partir das 12h: 20min os traficantes já estão em frente da escola posicionados em baixo de uma árvore”, explica.

 

A professora relata que os alunos do 6º ao 9º ano vão chegando para as aulas e se deparam com os traficantes na frente da escola. “Por conta disso a situação é muito complexa. O índice de reprovação aumentou e de faltas, a ausência dos pais, sem contar com o medo que vivemos na escola”, acentua.

 

A promotora pública Yara Marinho afirma que a partir dos relatos dos gestores, o Ministério Público do Estado, em parceria com as Secretarias Municipal e Estadual de Educação, Conselho Tutelar, Comissariado de Menores, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e Juizado da Infância e Adolescência irão traçar um diagnóstico para combater a causa na origem, de todos os problemas relatados. “Montaremos umas estratégias para atuarmos diretamente na causa”, disse a promotora.

 

Entre as estratégias retiradas do encontro estão: 1 - Ronda ostensiva de guarnições da Polícia Militar, em especial em pontos próximo as escolas, para inibir a concentração de alunos e de vendedores de drogas; 2 - Solicitar que todas as transações que envolvam pais e filhos sejam direcionadas para o Conselho Tutelar e equipe de assistência social do CMDCA do Município; 3 - Determinar que a Secretaria de Educação providencie transporte para os alunos; 4 - Exigir do Conselho Tutelar, juntamente com o CMDCA, criar um cronograma para realizar palestras nas escolas para orientar alunos e pais; 5 - Realizar as operações em bares, boates e similares para combater a frequência de menores nesses recintos, bem com punir as casas noturnas que estejam permitindo a entrada de menores, bem como vendendo bebidas alcoólicas a menores, com aplicação de multa, suspensão e fechamento da casa noturna; 6 - Divulgar as formas de punição com o cronograma de todo, de forma maciça, em formato de folders; 7 - Estabelecer um trabalho com os pais que perderam o poder sobre seus filhos, junto com psicólogos, para que esses pais voltem a impor limite ao seu filho e estabelecer que na sua casa quem manda são os pais e determinar que os policiais estabeleçam a ligação direta com o número de telefone com a escola para informar a presença de alunos que esteja gazeteando; 8 - Determinar que o celular apreendido na escola seja encaminhado para o Ministério Público para os devolvam aos pais.

 

Por Marcondes Maciel | Repórter Parintins

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