Ministério Público do Trabalho rigoroso em fiscalizar os bumbás

Notícia do dia 06/06/2014 Do lado do Boi Garantido, trabalhadores estão no limite com as instalações do galpão de alegorias afetadas pelas águas da enchente. Já no Caprichoso, as coisas melhoraram bastante a partir da contratação em 2014, de empresa especializada em segurança no trabalho, Associação de Medicina Ocupacional (AMO), para atender aos requisitos previstos no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em vigor desde 2005, no qual houve penalizações com fixação de multas avaliadas em cerca de R$ 1,5 milhão.

Assim, o Ministério Público do Trabalho (MPT) da 11ª Região promete pegar nos pés dos dirigentes dos bumbás Caprichoso e Garantido até o final do mês de junho. ?A situação está mais agravada no Garantido devido ao galpão ficar às margens do rio e sofrer com as enchentes. As cheias são totalmente previsíveis. Esse ano, em particular, constatei, por meio de fiscalização, as subestações de energia elétrica em locais alagados?, declara a procuradora chefe substituta do MPT da 11ª Região, Fabíola Salmito.

Em inspeção técnica nos galpões do Garantido, a representante do MPT, detectou fios descascados e dentro d?água. ?Segundo nossa técnica em segurança no trabalho, Léa Laranjeira, essa situação põe em risco a vida de todos no local. Não é apenas um trabalhador. Qualquer descarga de energia elétrica, misturada a água e as estruturas metálicas, em cadeia, atingiria milhares de trabalhadores na hipótese de algum imprevisto ou acidente nesse sentido?, expõe a procuradora.

Agravantes
Fabíola Salmito realizou a primeira fiscalização aconteceu no dia 16 de maio, acompanhada da assessora jurídica do MPT, Flamínia Tomaz. ?Dessa vez, identificamos situação efetivamente grave. Tinha alegorias nas poças de água e trabalhadores em atividade com solda elétrica nessas condições. Baseada nesses fatores críticos e no laudo da técnica em segurança no trabalho, dei entrada em ação com pedido de interdição do galpão para que todas as atividades fossem cessadas?, ressalta.

Na manhã de quinta-feira, 05, o juiz da Vara do Trabalho de Parintins, Aldemiro Rezende Dantas Júnior, inspecionou o galpão e constatou-se alguns pontos resolvidos. ?As alegorias não estavam mais nos locais alagados e tinham tentado desobstruir um pouco as rotas de fuga, mas não ficou satisfatório?, acentua. O magistrado deu prazo até segunda-feira, dia 9, para o Garantido resolver a questão das instalações elétricas, com necessidade de paralisação das atividades com energia elétrica nos locais.

A equipe do Ministério Público do Trabalho e juiz Aldemiro Dantas agendam nova fiscalização conjunta ainda nesta segunda-feira para averiguar as reais condições. A procuradora Fabíola Salmito também recebeu denúncias referentes as jornadas de trabalhos em ambos os bumbás. ?Insistem na argumentação de que os trabalhos só são até 17h30min no Caprichoso e até 19h30min no Garantido, mas essa não é a realidade?, classifica a procuradora chefe.

Denúncias
As denúncias sobre supostas irregularidades teriam partido dos próprios trabalhadores e Fabíola Salmito disse aos diretores das associações que qualquer demissão até o festival vai ser apurada pelo MP. ?Qualquer caso será devidamente apurado porque os trabalhadores seriam pressionados a não fazerem essas denúncias. Várias pessoas da região afirmam que é fato público e notório, nessa época do ano, os trabalhos se estenderem até 21h?, afirma.

As orientações do Ministério Público são feitas desde 2005 e a procuradora considera descaso das diretorias. ?Todos sabem. Jornada é 8h diárias, com acréscimo de duas horas, mediante pagamento de extra. Não adianta alegar desconhecimento porque tem TAC?s firmados e aditivos. Se todos tem assessoria jurídica, basta recorrer a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Se tiver turno noturno, que se pague adicional?, alerta.

Exceto a entrega dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), o Garantido descumpriu quase todas as normas de segurança e medicina no trabalho. No Caprichoso verificou cinto de segurança inadequadamente, mesmo entregue ao colaborador, averiguação da jornada e banheiros insuficientes para a quantidade de trabalhadores. ?Existem dívidas desde o início do procedimento em 2005 dos dois bumbás por descumprimento do TAC. No Caprichoso, tem poucas irregularidades?, conclui.

Gerlean Brasil
Especial Para o Repórter Parintins

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