Famílias da Brasília criam alternativa de comércio em Parintins

Notícia do dia 27/05/2014

Dona Suzete Lima Damasceno, moradora da comunidade da Brasília, dá um exemplo de que não há tempo ruim para o comércio. Durante os 12 meses do ano comanda a família na comercialização de diversos produtos regionais ao lado do mercado central, Leopoldo Neves, em Parintins. A feira foi sendo formada ao longo de 30 anos por moradores da própria Brasília, localidade que fica em frente à cidade de Parintins, margem esquerda do rio Amazonas.


Neste período, que vai até julho, Suzete Lima se dedica a venda de pescado. O bodó e o tamuatá, dois peixes de escamas incomuns são vistos com frequência na feira, porém os habitantes da Ilha dizem que essas espécies são mais frequentes em tempo de vazante, porque os criadouros são ambientes formados com o rio raso.

Dona Suzete Lima traz consigo para a cidade os filhos, a nora e os sobrinhos. Cada um tem uma missão estratégica na organização familiar. Como a família é grande, tem gente para cuidar da venda do pescado, enquanto outros se responsabilizam com a pesca nos lagos, e tem também um grupo responsável pelo conserto dos apetrechos de pesca, como as malhadeiras, além do preparo da alimentação comandada pelos filhos mais jovens. De acordo com ela, cada grupo de pescador passa uma semana no lago, tempo suficiente para abastecer as canoas e partir para o centro consumidor. ?É uma rotina dura, árdua que aprendemos a lidar todos os dias?, conta.


No verão amazônico, que vai de julho a dezembro, a família Lima Damasceno se dedica à captura do camarão, produto bastante aceito no complemento alimentar do parintinense. Dona Suzete exerce o papel de chefe de família. Foi com a experiência adquirida nas idas e vindas entre cidade e a comunidade que encontrou a forma de ganhar o sustento da família.

A feira do mercado central é formada por pessoas da comunidade da Brasília. Mesmo sem estrutura para funcionar, pois os produtos são comercializados em cima de lonas plásticas e em tabuleiros improvisados de tampas de caixas d?água, o freguês encontra ainda o cheiro-verde, até camarão fora de época. Mais de 60 pessoas se revezam nos dias da semana entre os lagos e a feira. São 20 pessoas todos os dias que ajudam a movimentar a cadeia produtiva da cidade. Dona Suzete diz que o valor arrecadado de R$ 300 a R$ 400 com as vendas é dividido. ?Cada um leva uma parte e é isso que ajuda a manter nossas famílias?, destaca.


Os preços praticados não são tão agradáveis, como indica o motorista Babá que ainda exagera ao dizer que é a feira do ouro. Porém, a doméstica Carmem Santiago contraria o profissional do volante e diz que os produtos in natura não são encontrados com facilidade na cidade. ?Venho de longe só porque sei que os produtores não falham. Pra mim é algo que só encontramos aqui no largo do mercado central. Muitas vezes compro e mando para os meus filhos que moram em Manaus?, argumenta.


O valor cobrado na feira do produtor da Brasília, como justifica dona Suzete, acontece em decorrência das dificuldades na captura do pescado e do crustáceo que ganhou fama de ter preço alto.

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