Consumidores denunciam cartel instalado nas feiras

Notícia do dia 31/03/2014 O suposto Cartel do Peixe que se instalou nas feiras onde há comercialização do pescado continua determinando o preço do produto, deixando o consumidor preocupado e sem condições de ter na mesa todo tipo de peixe.

O tricicleiro Paulo Andrade da Silva diz que está comendo peixe de 15 em 15 dias. Ele explica que a arrecadação de um dia de trabalho não dá para comprar, por exemplo, um tambaqui, cujo quilo custa R$ 12,00. ?Não é todo dia que ganho R$ 20,00. Se eu for na feira comprar um ?ruelo? que pesa um quilo e meio, vai sobrar apenas R$ 2,00. Como é que eu vou comprar a verdura, a farinha. Do jeito que a coisa está, é o fim do mundo?, disse.

O aposentado Océlio Ribeiro, 67, diz que embora tenha sido orientado pelo médico a comer peixe, pelo menos, três vezes por semana, em razão de uma enfermidade, prefere comprar um frango ou um quilo de carne. ?Veja bem, com R$ 20,00 eu compro um frango de R$ 12,00 ou um quilo de carne que é R$ 8,00. Mas se eu comprar um tucunaré, não vou comprar a farinha, então é melhor optar pelo mais barato?, avalia.

Por quinzena
Nos últimos quinze dias, o preço do pescado nas feiras voltou a ser majorado em pelo menos 40%. Um exemplo está no preço do tambaqui, o ?ruelo?, passou de R$ 10,00 para R$ 12,00. Se for o tamanho adulto o preço chega a R$ 15,00, o quilo.

O quilo do tucunaré pulou de R$ 8,00 para R$ 12,00, enquanto o preço do quilo da matrichã bateu recorde, R$ 12,00. Os vendedores asseguram que nessa época de entressafra o peixe fica escasso, os que chegam estão com os preços majorados e não tem como vender mais barato por conta dos gastos com transporte, gelo, aluguel dos pontos e pagamento dos ajudantes. O peixeiro Eudes Souza assegura que compra peixe com preço alto. Ele citou que o pescador está vendendo o quilo do ?ruelo? a R$ 8,00 e não tem como reduzir o preço se não sai perdendo.

Entressafra
Outros vendedores informaram que com a entressafra a maioria das espécies está sendo importada de outros municípios, até de outros Estados como é o caso de Roraima. Para a maioria dos consumidores, esse tipo de argumento não os convence, os quais insistem em alegar que os vendedores lucram o dobro por quilo de pescado. O REPÓRTER constatou que os peixeiros ditam os preços. O pirarucu, por exemplo, o quilo custa R$ 15,00. O vendedor foi chamado atenção pelo colega por estar vendendo o pescado abaixo do combinado, ou seja, R$ 17,00.

A organização da classe dos pescadores pode ser a saída para acabar com o Cartel do Peixe instalado nas feiras da cidade, oportunizando que o próprio pescador comercialize o seu pescado ao consumidor sem interferência do atravessador, reduzindo assim o preço, garantindo que a classe mais humilde tenha acesso ao peixe com qualidade.

Fernando Cardoso
Especial Para Repórter Parintins
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