?Quero produzir alimentos orgânicos e pude aprender bastante nesta
capacitação?. Assim, o agricultor familiar Aroldo Ribeiro definiu a importância
do curso Práticas de Base Ecológica para o processo que o produtor quer
realizar em sua propriedade: o de transição da agricultura convencional para a
agricultura orgânica. A capacitação, promovida pela Embrapa Amazônia Ocidental,
aconteceu no campo experimental do Caldeirão, em Iranduba, na quarta-feira e
quinta-feira (02 e 03/10/2013), e contou com a participação de cerca de 40
técnicos e agricultores interessados na produção de alimentos orgânicos.
Através do diálogo de saberes, durante os dois dias de curso, os
participantes puderam interagir com sete palestrantes sobre práticas de base
ecológica, como adubação verde e compostagem, além de temas mais abrangentes,
como mercado de produção orgânica, organização rural, custos, renda e planejamento
e administração da unidade de produção familiar.
Segundo o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental e coordenador do
curso, José Nestor Lourenço, além de sensibilizar e capacitar os participantes
em práticas agrícolas de base ecológica, o curso também teve como objetivo
ampliar a visão dos agricultores para assuntos importantes que estão do lado de
fora da propriedade. ?Antes da capacitação foi feita uma pesquisa de campo,
então percebemos que os agricultores estão ligados diretamente ao mercado. Este
tipo de abordagem mostra ao produtor quais os custos e benefícios que existem
se ele quiser mudar a sua forma de produzir, entre outros aspectos. Muitas
vezes a gente se concentra apenas na técnica e tem muito mais além disso?.
Para o professor de agroecologia da Fundação Amazonas Sustentável, Mário
Moreira, que participou da atividade, o curso foi importante para a
conscientização dos agricultores sobre a importância da transição
agroecológica. ?É muito bom estar presente para trocar ideias, ouvir o que a
pesquisa está fazendo e contribuir, ajudando o produtor a chegar a uma
consciência de que é preciso mudar e melhorar a forma de produção de
alimentos?, disse.
Conforme o produtor Aroldo Ribeiro, que trabalha principalmente com
hortaliças, o curso o encorajou a começar, aos poucos, a diminuir o uso de
produtos químicos em sua produção. ?Ouço falar em produção orgânica desde
quando era estudante no Paraná. No Pará, vi alguns trabalhos da Embrapa nesta
área. Aqui em Iranduba também fui estimulado a conhecer melhor a produção
orgânica. Este curso agora me incentivou muito a trabalhar com orgânicos?,
finalizou.
Quatro passos
Durante o curso foram destacados quatro importantes passos dentro do
processo de transição agroecológica. Recuperar o solo, com práticas
agroecológicas, para restabelecer a capacidade produtiva do agroecossistema é o
primeiro deles. Livrar-se dos venenos aos poucos, substituindo-os por produtos
naturais e por práticas de controle biológico é uma etapa que também faz parte
da mudança. O agricultor deve, ainda, produzir alimentos pensando no
autoconsumo familiar, aumentando assim a renda não monetária, e controlar a
produção de sementes e mudas, conservando, experimentando e melhorando
variedades adaptadas às condições locais.
Adubação Verde e Compostagem
Duas importantes práticas de base ecológica foram demonstradas de forma
teórica e prática, e chamaram a atenção dos participantes do curso, por serem
simples e baratas: a adubação verde e a compostagem.
A adubação verde pode ser feita com recursos encontrados em cada
propriedade, e consiste na adição de biomassa vegetal ao solo, com o objetivo
de preservação e conservação da produtividade da terra. O método promove
melhorias físicas, químicas e biológicas para o solo, como maior mineralização
e porosidade, maior capacidade de infiltração e retenção de água e maior
disponibilidade de nutrientes, além de fornecimento de energia para os
microrganismos. A biomassa vegetal utilizada pode ser constituída por folhas,
ramos, flores e frutos novos.
A compostagem é um processo microbiológico em que os microrganismos
transformam a matéria orgânica, como folhas, galhos, restos de comida, esterco,
entre outros resíduos, em um composto orgânico rico em nutrientes, que pode ser
utilizado como adubo posteriormente. A prática requer alguns cuidados, como o
revolvimento periódico do material e a manutenção das condições ideais de
temperatura, aeração e umidade.
Palestrantes
O curso teve como instrutores os seguintes profissionais: Adinã Matos,
mestrando no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; Francisneide
Lourenço, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas
(Ifam); José Nestor Lourenço, José Olenilson Pinheiro e Rosângela Guimarães,
pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental; Klerisson Santana, do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); e Nélio Nogueira, da Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab). A capacitação contou com apoio do Instituto
de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) e da
Prefeitura de Iranduba.