O Programa Estratégico para
Transferência de Tecnologia/Pró-Rural (Residência Agrária) está em fase de
implantação no Estado do Amazonas. Tendo como uma das linhas temáticas a
heveicultura, a ação busca quadruplicar a produção anual de borracha natural,
passando das atuais 1,2 mil toneladas produzidas para cinco mil toneladas,
atendendo a um número de seis mil heveicultores amazonenses.No total, 20 municípios vão
ser selecionados para receber o projeto no Amazonas na área de heveicultura,
durante um período de 36 meses. Através de assistência técnica e extensão rural
diferenciadas, o trabalho pretende fortalecer a atividade no Estado, tendo como
consequência a melhoria da qualidade de vida dos heveicultores e a oferta de
borracha natural em quantidade suficiente para atender a demanda das indústrias
locais.
Paralelamente à assistência
técnica que será prestada aos produtores, que atualmente produzem por meio do
extrativismo, os extensionistas rurais também vão levar aos heveicultores,
através da instalação de Unidades Demonstrativas, a nova tecnologia de árvores
tricompostas disponibilizada pela Embrapa Amazônia Ocidental. O material ?
desenvolvido após 30 anos de pesquisas ? apresenta boa produção de látex e
resistência ao fungo Microcyclus ulei, causador do mal das folhas e, até
então, o principal limitador para o cultivo racional de seringueiras na região
amazônica.De acordo com a gerente de
florestas da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), Marilane Irmão, o
projeto vai permitir o acesso dos heveicultores a novas tecnologias para
produção de borracha. ?O principal objetivo do projeto é aumentar a produção
com qualidade. Nós vamos continuar trabalhando com a borracha extrativa,
através dos seringais nativos, e vamos buscar adensar estes seringais a novas
tecnologias?, disse.
Segundo o pesquisador que
está à frente das pesquisas com seringueira na Embrapa Amazônia Ocidental,
Everton Cordeiro, o programa está sendo implantado no mesmo momento em que a
tecnologia de árvores tricompostas é disponibilizada para o Estado e para a
região amazônica. ?O programa vai ser um facilitador para que esta tecnologia
chegue ao homem do campo em um momento em que o Estado está carente de borracha
natural?, destacou o pesquisador, que completou: ?com a implementação destes
materiais nessas comunidades, podemos dizer que em alguns anos o Estado pode
tornar-se autossuficiente em borracha?.
Treinamento
Uma das etapas para
implantação do projeto aconteceu nos dias 05 e 06 de junho de 2013, quando
técnicos que irão atuar na área de heveicultura foram capacitados na Embrapa
Amazônia Ocidental, através do curso A Cultura da Seringueira. Na ocasião, os
extensionistas puderam ter contato na prática com diversas temáticas
relacionadas à seringueira, como o preparo das sementeiras, preparo do jardim
clonal, noções de enxertia e a forma de sangria e coleta do látex. ?A
perspectiva é que estas técnicas possam ser repassadas aos produtores e que
eles possam ampliar a produção de borracha do Estado?, afirmou a engenheira
florestal que vai atuar no projeto, Dulcilene Oliveira
Árvores Tricompostas
As árvores tricompostas de
seringueira são formadas a partir da composição de três plantas: o plantio
inicial é feito por meio de sementes de uma seringueira comum, que depois
recebe a enxertia de outra planta de seringueira selecionada pelas suas
características de boa produção e qualidade de látex, que irá formar o tronco
ou painel; quando a planta atinge o tamanho adequado recebe a enxertia de um
clone de seringueira que possui copa resistente ao fungo causador do mal das
folhas. Com isso a árvore resultante dessa combinação consegue sobreviver e
manter produção nas áreas onde há a presença do fungo Microcyclus ulei.
Pró-Rural
O Pró-Rural é coordenado pela Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) e conta com a parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Secti). Os técnicos que irão trabalhar no projeto vão receber tecnologias desenvolvidas em instituições de pesquisa ? como a Embrapa, Universidade Federal do Amazonas, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e Instituto Federal do Amazonas ? e terão a missão de tornar essas tecnologias acessíveis aos produtores do interior Estado.Além da borracha, outras linhas temáticas integram o projeto: juta e malva, pecuária sustentável, piscicultura, manejo madeireiro, avicultura, fruticultura e olericultura. Os 62 municípios do Estado serão abrangidos pelo projeto, que possibilitará a geração de renda e a absorção de novas tecnologias, ainda não utilizadas pelos produtores.
Embrapa Amazônia Ocidental
Felipe Rosa - Jornalista MTb - 14406/RS