Embrapa é homenageada na Assembleia Legislativa

Notícia do dia 18/05/2013

Os 40 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foram comemorados na quinta-feira (16/05/13) em uma sessão especial no Plenário Ruy Araújo, da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), em Manaus. A homenagem foi iniciativa do deputado José Ricardo Wendling, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da ALE-AM, que em nome do presidente da Casa, Josué Neto (PSD), conduziu os trabalhos. O evento foi prestigiado pelos principais parceiros da Embrapa no Amazonas, como representantes de instituições de pesquisa, de extensão rural, órgãos do setor de ciência e tecnologia e de meio ambiente, funcionários da instituição, entre outros.

Na abertura da sessão, o deputado José Ricardo justificou a homenagem enaltecendo a participação da Embrapa nos avanços da produção agrícola do País. Lembrou que o Brasil deixou de ser um grande comprador de alimentos para se tornar em um dos maiores exportadores de grãos, café, carnes, açúcar, frango e algodão. Além de contribuir para o desenvolvimento da agricultura familiar, fixação do homem ao campo e combate ao êxodo rural.

Logo em seguida houve a mostra de um vídeo institucional mostrando as principais pesquisas e os cinco conceitos que norteiam a atuação da Embrapa em todo o Brasil: inovação, sustentabilidade, valorização de parceria, modernidade e capacidade de antecipação.

Após a apresentação, o deputado entregou ao chefe geral da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM), pesquisador Luiz Marcelo Brum Rossi, que representava a diretoria nacional da Embrapa, uma placa de honra ao mérito à atuação da Embrapa que tem ?revolucionado nosso País gerando tecnologia e qualidade de vida?.


A mudança em quatro décadas

Em seu pronunciamento, o chefe geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Marcelo, falou da atuação da Embrapa no Brasil, no cenário internacional, na Amazônia e no Amazonas. Citou vários exemplos de como a Embrapa nessas quatro décadas, contribuiu para que o País deixasse uma situação de insegurança alimentar e se tornasse um dos principais produtores de alimentos do mundo.

Luiz Marcelo citou que nesses 40 anos, a safra de grãos passou de 30 milhões de toneladas, em 1972, para mais de 180 milhões de toneladas, segundo a previsão da Conab para este ano (2013). A área plantada aumentou de 28 milhões para cerca de 50 milhões de hectares. A área cultivada cresceu 80% e a produção mais de 500%.  Isso representa um aumento de mais de 200% de produtividade, que evitou a abertura de novas áreas para a agricultura.

Luiz Marcelo, destacou que a existência da Embrapa possibilitou ao Brasil grandes feitos que fizeram a agricultura brasileira se tornar mais moderna, produtiva e competitiva, a partir do conhecimento gerado pela pesquisa agropecuária.

Inovações

Esses avanços foram decorrentes de inovações como o melhoramento genético, que gerou cultivares adaptadas às condições de produção tropicais;  tecnologias que transformaram extensões de terras inadequadas à produção, fazendo com solos ácidos tornam-se em solos férteis, aptos para a agricultura, com o exemplo dos cerrados. Também citou o desenvolvimento de sistemas de produção adaptados às diversas regiões do País, com base em técnicas de adubação ? em especial a fixação biológica de nitrogênio ?, controle de doenças e pragas, rotação de culturas e recuperação de pastagens entre outras tecnologias também para o manejo florestal, a piscicultura, e a pecuária.

 

Agricultura familiar

Luiz Marcelo ressaltou a contribuição da Embrapa também para o fortalecimento da agricultura familiar, através de pesquisa e transferência de tecnologia. Hoje a agricultura familiar responde por 87% da produção brasileira de mandioca, 70% da produção de feijão , 59% de suínos,  58% de leite , 50% de aves e 50% da produção de milho, dentre outros produtos.

 

Destacou que no Brasil, a adoção de tecnologias geradas pela Embrapa traz retorno social na forma de tecnologias, conhecimento e empregos. A Embrapa ofereceu ao País, em 2012, um lucro social de R$ 17,69 bilhões, apurado com base nos impactos de uma amostra de apenas 103 tecnologias e 217 cultivares desenvolvidas pela Empresa e seus parceiros, e transferidas para a sociedade.

 

Atuação internacional

No âmbito internacional, a Embrapa mantém cooperação científica, através de um arranjo inovador que permite o intercâmbio de conhecimento entre pesquisadores da Embrapa e cientistas de algumas das principais instituições mundiais de pesquisa nos Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Coreia, China, e em breve também com o Japão. Através de cooperação técnica internacional, a Embrapa também colabora com o desenvolvimento da agricultura em outros países, através de 49 projetos de cooperação técnica com a América Latina e Caribe, contemplando 18 países, e 51 projetos de cooperação com nove países da África.

 

Amazônia e Amazonas

Destacou a atuação da Embrapa na Amazônia, seja em relação ao Manejo, Valoração e Valorização da Floresta, assim como no desenvolvimento de tecnologias para compor sistemas sustentáveis de produção agropecuária e florestal a partir do uso de áreas alteradas e de recuperação de áreas degradadas (solos, pastagens) visando a incorporação dessas áreas ao processo produtivo.

No Amazonas, a Embrapa Amazônia Ocidental já disponibilizou à sociedade diversos tipos de tecnologias, serviços e produtos, resultantes da pesquisa agropecuária  tais como: 16 cultivares de guaraná resistentes e altamente produtivos, que podem superar em até seis vezes a média estadual, 12 cultivares de bananeiras, 1 híbrido de dendê-caiaué, sistemas de produção de tambaqui, de plantas medicinais, de melancia em terra firme, cultivares de mandioca, milho, feijão-caupi mais produtivos para terra firme e várzea, projetos de produção integrada de citros, de recuperação de áreas degradadas através de sistemas agroflorestais e sistema de integração-lavoura-pecuária-floresta, entre outros.

O trabalho de pesquisa é continuo, e novos resultados vão sendo apresentados à sociedade. Recentemente foi anunciada tecnologia para cultivo da seringueira na Amazônia, e em breve, neste ano, serão lançadas cultivares de cupuaçu mais produtivas e resistentes a doenças , assim também como novas cultivares de guaraná.

A Embrapa no Amazonas está presente estrategicamente na capital e em cinco municípios do Estado: Rio Preto da Eva, Iranduba, Maués e Parintins. Dispõe de uma estrutura de 12 laboratórios, atuando em áreas de ponta, como por exemplo, a biologia molecular, cultura de tecidos, doenças de plantas, além de laboratórios que prestam serviço à sociedade, com a análise de solos. Conta com uma equipe de 283 empregados, que tem contribuído de maneira significativa para a geração de conhecimento e tecnologias para a Amazônia, em especial para o Amazonas.

Reconhecimento de Parceiros

Em seu pronunciamento, o presidente do Federação da Agricultura do Estado do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço, afirmou que esta é uma homenagem ?mais do que justa a uma empresa que tanto produz conhecimento e qualidade de vida para o nosso povo?. Disse que a Embrapa é uma instituição pública brasileira reconhecida mundialmente por sua capacidade e citou alguns de seus números: a safra de grãos produzidos no Brasil quadruplicou, além de aumento generalizado na produção de gado, leite, ovos e outros bens agropecuários. Ele acrescentou que, em 1973, o brasileiro gastava 48% de sua renda comprando a cesta básica e hoje esse percentual baixou para 20%.

O representante da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), no Amazonas, Petrúcio Magalhães, agradeceu a existência da Embrapa que segundo ele se confunde com a revolução agrícola do País. A OCB possui 1.500 cooperativas e segundo ele, é possível conciliar desenvolvimento agrícola com preservação ambiental se junto houver o conhecimento científico e tecnológico da Embrapa.

Os presidentes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), Maria Olívia Simão; e do Instituto de Desenvolvimento Agrícola do Estado (Idam), Edmar Vizzoli; o superintendente da Conab, Thomas Meireles, o diretor do Sebrae-AM, Maurício Seffair; o secretário executivo adjunto da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, Eduardo Taveira, o superintendente federal de Agricultura (SFA-AM), Ferdinando Barreto, e o do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Oliveira também falaram, na tribuna da ALE-AM, da importância das parcerias em benefício do desenvolvimento sustentável do Amazonas e parabenizaram a Embrapa e seus empregados pelo aniversário de 40 anos .

Embrapa Amazônia Ocidental

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