Os 40 anos da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foram comemorados na quinta-feira (16/05/13) em
uma sessão especial no Plenário Ruy Araújo, da Assembleia Legislativa do Estado
do Amazonas (ALE-AM), em Manaus. A homenagem foi iniciativa do deputado José
Ricardo Wendling, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da ALE-AM, que
em nome do presidente da Casa, Josué Neto (PSD), conduziu os trabalhos. O
evento foi prestigiado pelos principais parceiros da Embrapa no Amazonas, como
representantes de instituições de pesquisa, de extensão rural, órgãos do setor
de ciência e tecnologia e de meio ambiente, funcionários da instituição, entre
outros.
Na abertura da sessão, o deputado José
Ricardo justificou a homenagem enaltecendo a participação da Embrapa nos
avanços da produção agrícola do País. Lembrou que o Brasil deixou de ser um
grande comprador de alimentos para se tornar em um dos maiores exportadores de
grãos, café, carnes, açúcar, frango e algodão. Além de contribuir para o
desenvolvimento da agricultura familiar, fixação do homem ao campo e combate ao
êxodo rural.
Logo em seguida houve a mostra de um
vídeo institucional mostrando as principais pesquisas e os cinco conceitos que
norteiam a atuação da Embrapa em todo o Brasil: inovação, sustentabilidade,
valorização de parceria, modernidade e capacidade de antecipação.
Após a apresentação, o deputado entregou ao chefe geral da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM), pesquisador Luiz Marcelo Brum Rossi, que representava a diretoria nacional da Embrapa, uma placa de honra ao mérito à atuação da Embrapa que tem ?revolucionado nosso País gerando tecnologia e qualidade de vida?.
A mudança em quatro décadas
Em seu pronunciamento, o chefe geral
da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Marcelo, falou da atuação da Embrapa no
Brasil, no cenário internacional, na Amazônia e no Amazonas. Citou vários
exemplos de como a Embrapa nessas quatro décadas, contribuiu para que o País
deixasse uma situação de insegurança alimentar e se tornasse um dos principais
produtores de alimentos do mundo.
Luiz Marcelo citou que nesses 40 anos,
a safra de grãos passou de 30 milhões de toneladas, em 1972, para mais de 180
milhões de toneladas, segundo a previsão da Conab para este ano (2013). A área
plantada aumentou de 28 milhões para cerca de 50 milhões de hectares. A área
cultivada cresceu 80% e a produção mais de 500%. Isso representa um
aumento de mais de 200% de produtividade, que evitou a abertura de novas áreas
para a agricultura.
Luiz Marcelo, destacou que a
existência da Embrapa possibilitou ao Brasil grandes feitos que fizeram a
agricultura brasileira se tornar mais moderna, produtiva e competitiva, a
partir do conhecimento gerado pela pesquisa agropecuária.
Inovações
Esses avanços foram decorrentes de inovações como o melhoramento genético, que gerou cultivares adaptadas às condições de produção tropicais; tecnologias que transformaram extensões de terras inadequadas à produção, fazendo com solos ácidos tornam-se em solos férteis, aptos para a agricultura, com o exemplo dos cerrados. Também citou o desenvolvimento de sistemas de produção adaptados às diversas regiões do País, com base em técnicas de adubação ? em especial a fixação biológica de nitrogênio ?, controle de doenças e pragas, rotação de culturas e recuperação de pastagens entre outras tecnologias também para o manejo florestal, a piscicultura, e a pecuária.
Agricultura familiar
Luiz Marcelo ressaltou a contribuição da Embrapa também para o fortalecimento da agricultura familiar, através de pesquisa e transferência de tecnologia. Hoje a agricultura familiar responde por 87% da produção brasileira de mandioca, 70% da produção de feijão , 59% de suínos, 58% de leite , 50% de aves e 50% da produção de milho, dentre outros produtos.
Destacou que no Brasil, a adoção de tecnologias geradas pela Embrapa traz retorno social na forma de tecnologias, conhecimento e empregos. A Embrapa ofereceu ao País, em 2012, um lucro social de R$ 17,69 bilhões, apurado com base nos impactos de uma amostra de apenas 103 tecnologias e 217 cultivares desenvolvidas pela Empresa e seus parceiros, e transferidas para a sociedade.
Atuação internacional
No âmbito internacional, a Embrapa mantém cooperação científica, através de um arranjo inovador que permite o intercâmbio de conhecimento entre pesquisadores da Embrapa e cientistas de algumas das principais instituições mundiais de pesquisa nos Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Coreia, China, e em breve também com o Japão. Através de cooperação técnica internacional, a Embrapa também colabora com o desenvolvimento da agricultura em outros países, através de 49 projetos de cooperação técnica com a América Latina e Caribe, contemplando 18 países, e 51 projetos de cooperação com nove países da África.
Amazônia e Amazonas
Destacou a atuação da Embrapa na
Amazônia, seja em relação ao Manejo, Valoração e Valorização da Floresta, assim
como no desenvolvimento de tecnologias para compor sistemas sustentáveis de
produção agropecuária e florestal a partir do uso de áreas alteradas e de
recuperação de áreas degradadas (solos, pastagens) visando a incorporação
dessas áreas ao processo produtivo.
No Amazonas, a Embrapa Amazônia
Ocidental já disponibilizou à sociedade diversos tipos de tecnologias, serviços
e produtos, resultantes da pesquisa agropecuária tais como: 16 cultivares
de guaraná resistentes e altamente produtivos, que podem superar em até seis
vezes a média estadual, 12 cultivares de bananeiras, 1 híbrido de dendê-caiaué,
sistemas de produção de tambaqui, de plantas medicinais, de melancia em terra
firme, cultivares de mandioca, milho, feijão-caupi mais produtivos para terra
firme e várzea, projetos de produção integrada de citros, de recuperação de
áreas degradadas através de sistemas agroflorestais e sistema de
integração-lavoura-pecuária-floresta, entre outros.
O trabalho de pesquisa é continuo, e
novos resultados vão sendo apresentados à sociedade. Recentemente foi anunciada
tecnologia para cultivo da seringueira na Amazônia, e em breve, neste ano,
serão lançadas cultivares de cupuaçu mais produtivas e resistentes a doenças , assim
também como novas cultivares de guaraná.
A Embrapa no Amazonas está presente
estrategicamente na capital e em cinco municípios do Estado: Rio Preto da Eva,
Iranduba, Maués e Parintins. Dispõe de uma estrutura de 12 laboratórios,
atuando em áreas de ponta, como por exemplo, a biologia molecular, cultura de
tecidos, doenças de plantas, além de laboratórios que prestam serviço à
sociedade, com a análise de solos. Conta com uma equipe de 283 empregados, que
tem contribuído de maneira significativa para a geração de conhecimento e
tecnologias para a Amazônia, em especial para o Amazonas.
Reconhecimento de Parceiros
Em seu pronunciamento, o presidente do
Federação da Agricultura do Estado do Amazonas (FAEA), Muni Lourenço, afirmou
que esta é uma homenagem ?mais do que justa a uma empresa que tanto produz
conhecimento e qualidade de vida para o nosso povo?. Disse que a Embrapa é uma
instituição pública brasileira reconhecida mundialmente por sua capacidade e
citou alguns de seus números: a safra de grãos produzidos no Brasil
quadruplicou, além de aumento generalizado na produção de gado, leite, ovos e
outros bens agropecuários. Ele acrescentou que, em 1973, o brasileiro gastava
48% de sua renda comprando a cesta básica e hoje esse percentual baixou para 20%.
O representante da Organização das
Cooperativas Brasileiras (OCB), no Amazonas, Petrúcio Magalhães, agradeceu a
existência da Embrapa que segundo ele se confunde com a revolução agrícola do
País. A OCB possui 1.500 cooperativas e segundo ele, é possível conciliar
desenvolvimento agrícola com preservação ambiental se junto houver o
conhecimento científico e tecnológico da Embrapa.
Os presidentes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), Maria Olívia Simão; e do Instituto de Desenvolvimento Agrícola do Estado (Idam), Edmar Vizzoli; o superintendente da Conab, Thomas Meireles, o diretor do Sebrae-AM, Maurício Seffair; o secretário executivo adjunto da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, Eduardo Taveira, o superintendente federal de Agricultura (SFA-AM), Ferdinando Barreto, e o do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Oliveira também falaram, na tribuna da ALE-AM, da importância das parcerias em benefício do desenvolvimento sustentável do Amazonas e parabenizaram a Embrapa e seus empregados pelo aniversário de 40 anos .
Embrapa Amazônia Ocidental