Com a apresentação “Vida: Criação e celebração”, o Boi-Bumbá Garantido abriu a primeira noite de disputa do 50º Festival Folclórico de Parintins, nesta sexta-feira, 26. O Boi da Baixa do São José iniciou sua apresentação com aproximadamente três minutos de silêncio após a chamada do apresentador Israel Paulain, que realizou um discurso enaltecendo a Vida e alfinetando o tema do Boi Caprichoso (Amazônia). “Sem vida não há Amazônia”, afirmou Israel no texto de abertura.
Em um pequeno módulo, surgiu o apresentador, o levantador de toadas Sebastião Júnior, o amo do boi Tony Medeiros. Na sequência, a porta-estandarte Daniela Tapajós surgiu no mesmo módulo. O Boi-Bumbá Garantido surgiu em um guindaste, envolto por luzes de led na cor branca.
Prosseguindo na criação da vida, o boi de Lindolfo apresentou a Lenda Amazônica de criação do mundo segundo o povo dessana, do alto Rio Negro. A lenda narra que Yebá Burô é a avó do mundo e que Emekô Sulã Panami, neto do mundo, surgiu como uma entidade mágica. Israel Paulain representou o neto do mundo, erguendo sua lança e furando a casca do céu e para que surgissem todas as formas de vida existentes no planeta terra. A cunhã-poranga Verena Ferreira surgiu na alegoria, representando Yebá Burô, a avó do mundo. Neste mesmo momento, o boi concorreu ao item Toada, letra e música com a toada “Amazônia, Santuário Esmeralda”.
A Figura Típica Regional apresentada pelo Garantido na retrata um costume herdado pelas gerações nos beiradões amazônicos. O contador de histórias relata os “causos” que ouviu de outras pessoas e histórias vividas por ele próprio, jurando a todos que realmente encontrou com seres mágicos e encantados da floresta. A estreante Isabelle Nogueira, rainha do folclore do boi da baixa, representou a tradição oral dos povos amazônidas. Na mesma alegoria, o Garantido trouxe a Celebração Folclórica.
Um dos rituais mais conhecidos na região do Baixo Amazonas foi encenado no encerramento da primeira noite de apresentação do Boi-Bumbá Garantido. O rito de iniciação masculina da tribo Sateré-Mawé, conhecido como Ritual da Tucandeira, é a prova que o curumim sateré-mawé tem que passar para provar sua bravura e assim iniciar uma nova fase em sua vida. Após vinte noites seguidas de cantos e danças, o jovem iniciado se torna guerreiro e mantém a tradição de vida escrita no sagrado Purantin dos Sateré-Mawé. O pajé André Nascimento conduziu a celebração que encerrou a primeira noite de apresentação do Boi-Bumbá Garantido.