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Projeto de extensão do IFAM ensina língua inglesa para indígenas em Parintins

Projeto de extensão do IFAM ensina língua inglesa para indígenas em Parintins Foto: Divulgação Notícia do dia 16/04/2018

A necessidade de divulgar a cultura indígena para o mundo fez com que a Associação de Moradores Indígenas do Rio Uaicurapá (distante 325 km de Manaus) procurasse o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) para ter aulas de inglês básico. O projeto de extensão promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFAM Campus Parintins já certificou 20 alunos da etnia Sateré Mawé, moradores da comunidade Monte Betel, em Parintins.

 

Segundo a coordenadora do projeto, Elaine Amazonas, o projeto surgiu através da demanda da Associação Cultural Grupo de Dança Sateré-Mawé por um curso que pudesse facilitar a comunicação entre indígenas e turistas. “Fomos procurados pelo presidente da associação que nos relatou a dificuldade em comercializar os produtos indígenas produzidos pelo povo Sateré aos turistas que visitavam Parintins, principalmente, em junho, durante o Festival Folclórico. Daí, o conhecimento básico do inglês já facilitaria essa interação”, disse a coordenadora que também ministrava as aulas.

 

Entretanto, algumas dificuldades foram encontradas ao longo do caminho e superadas aos poucos. “A grande maioria sente vergonha por não conseguir pronunciar as palavras, tendo em vista que a sonoridade entre idiomas é muito diferente, o que consequentemente traz a dificuldade na pronúncia e inibe a conversa. Mas aos poucos, conseguimos ir vencendo a barreira da timidez e ensinar o básico de um novo idioma a eles”, destacou a professora Elaine.

 

Ao realizar a cerimônia de certificação dos alunos, o reitor do IFAM, Antonio Venâncio Castelo Branco, destacou que os valores do instituto perpassam pelo respeito à diversidade, na acessibilidade e na inclusão social. "Nossa missão enquanto instituição de ensino é promover com excelência a Educação, Ciência e Tecnologia no Amazonas, principalmente, nas comunidades mais longínquas. Os estudantes indígenas acabam sempre surpreendendo pela dedicação e interesse nas aulas. É gratificante chegar ao final do curso e certificá-los, pois saímos com o sentimento do dever cumprido e com a certeza de que eles irão multiplicar o conhecimento nas comunidades", disse ele sobre as oportunidades que o IFAM oferece.

 

O desafio da logística do transporte no Amazonas

As aulas eram ofertadas pelo IFAM Campus Parintins e ministradas todas as sextas-feiras com carga horária de quatro horas. Segundo a coordenadora do projeto, o projeto foi tão bem recebido pela população, que muitos alunos viajavam longas distâncias para assistir às aulas. “Todas as vagas foram preenchidas e atraiu até mesmo aqueles estudantes que moravam nas aldeias fora da sede do município. Alguns deles viajavam seis horas de rabeta (canoa motorizada) para frequentar as aulas. Isso nos deixou extremamente felizes”, disse ela ao informar que futuramente novas turmas serão formadas.

 

Gratidão e Oportunidade

Afastado das salas de aula há mais de 10 anos, Anselmo Sateré, da comunidade Andirá, foi um dos incentivadores do projeto de língua inglesa aos estudantes indígenas e hoje frequenta as aulas do curso Proeja em Administração no IFAM Campus Parintins. Para ele, a etnia Sateré-Mawé busca maior participação e autonomia na sociedade e isso só acontece por meio da educação e da qualificação profissional.

 

“Durante muitos anos me dediquei apenas ao movimento indígena, a convite das nossas lideranças. Hoje estou fazendo o curso técnico de Administração para aprender a gerenciar o comércio dos artesanatos e produtos produzidos em nossa aldeia. O que queremos e ter contato de igual para a igual e, isso só acontece quando adquirimos conhecimento. Por isso, voltei a estudar para contribuir com meu povo. Agradeço aos professores do IFAM que nos mostram novos caminhos, mas que respeitam nossa cultura, crenças e tradições”, ressaltou.

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